Terça-feira, Janeiro 13, 2009


YULA




Sou grata à sorte que tenho. Sorte de atrair pessoas incríveis e com elas passar momentos inesquecíveis. Geralmente tornam-se grandes amigas ou amigos e gosto de dizer que raramente me engano quando avalio um ser humano. Com Yula não foi exceção.

Pelo nome já se percebe tratar-se de pessoa "sui generis", daquelas que passam longe do lugar comum.

Bisneta de Cora Coralina, cheia de vida, um misto de indiana, moura, quiçá cigana.
Sorriso cativante, cheio de covinhas, linda!
Tem sangue quente, sensibilidade e é amor da cabeça aos pés.

Contou-me Yula que, quando garota, passava férias em Goiás Velho, na Casa da Ponte, com Cora Coralina ainda remexendo seus tachos de doces (para quem não sabe Cora era doceira de mão cheia).
Durante nossas conversas, ela me disse que rezava a lenda de que havia um tesouro enterrado no quintal da casa da bisavó. Assim ela passava tardes inteiras cavando e cavando o jardim em busca do tal tesouro escondido pelos Bandeirantes que desbravaram aquelas terras... E que, mal sabia ela, o tesouro maior estava ali na sala, sentadinha na poltrona, recitando poesias às suas visitas:CORA!

Da bisavó herdou a paixão pela poesia e escreve com o coração ao mesmo tempo que declama com a alma.
Assim é Yula.


Uma curiosodade: O último livro que Cora autografou foi para Yula, mas a avó Sinhá guardou com tanto esmero, que o livro nunca foi encontrado, tal qual o tesouro dos Bandeirantes.
Minha amiga não sabe nem o que está escrito, mas como sabe sonhar, garanto que imagina lindíssimas palavras...


LETRAS EM EBULIÇÃO
Yula Jorge

Era só o que me faltava
Eu com febre de palavra
To com a alma inflamada
E por isso me incendeio
No meu corpo a sua entrada
Marca 39 e meio..
To doente
Tão literalmente
Que letras em ebulição
Evaporam-se pela minha mão
Buscando sua atenção
Seus olhos... Sua leitura
Vejo o reflexo de minhas palavras nos seus óculos
Derrubo sua armadura
Você me aquece a veia poética
É da sua temperatura que meu sangue precisa
Com você eu fico hermética
Febril, eclética
E pouco concisa
É como se fosse um feitiço
Que não deixa esse amor ser ameno
E se eu não sei o que fazer com isso
Você então... muito menos
To sentindo frio
E só você me preenche o vazio
E me entrega a rima pronta
E me embeleza, e me apronta...
Por isso minha imagem se prendeu no seu espelho
Que coloquei num pedestal
Por isso to subindo de joelho
Todos os seus degraus
E posso chegar lá no alto
E me alojar no seu coração
Posso te roubar num assalto
E mudar sua direção
Talvez eu caia do salto
Ou morra na contra-mão
Mas antes disso vem aqui me medicar
Traz remédio no sorriso
Vem me curar no seu olhar
Que é do seu colo que eu preciso
Você vai ser a minha herança
De poesia em oração
Porque me sinto uma criança
Desejando a sua mão...







LUCIDEZ DOS ANJOS
Yula Jorge

Meu namorado é louco
Mas quem não é
Ele ama muito se entrega pouco
E não sabe o que quer
É que Deus estava muito inspirado
Quando ele foi criado
E desenhou com tanto gosto
Cada traço daquele rosto perfeito
Cada detalhe daquele corpo bem feito
Que quase fez um anjo
E ao notar a semelhança
Resolveu chama-lo de Ângelo...
E ao finalizar um de seus trabalhos mais belos
Deus ainda o iluminou com aquele sorriso
Mas de tão cansado Deus se esqueceu do elo
Que ligava Ângelo ao juízo
Tem dia que ele me ama
Me dá banho, me põe na cama
Me olha de um jeito tão delicado
E me toca com tanto cuidado
Que me sinto como algo sagrado
Mas tem dia que ele pira
Fica mudo, fica surdo e não tem pra ninguém
Só na arte que seu mundo gira
Na pintura ele se expressa bem
E diz que seu Deus é o sol
Sua mãe é a natureza
Que ele ama o mar
E eu digo que isso é muito bonito
Mas pra fazer sentido
A gente tem que ter profissão, trabalho
Dinheiro e o caralho!
E ele só sorri...
Acha que eu é que sou complicada
Que viver é muito simples
Pois nós já somos tudo e não precisamos de nada
Mas na sua loucura uma lucidez
Ele não mente, nem usa máscara social
Vai ver que é por isso que é louco
Quem vive for do sistema nunca é considerado normal
As vezes eu fico pensando
Se ele não é mesmo um anjo
E a pirada sou eu
Que fico tentando faze-lo absorver
Valores que são meus
Tentando faze-lo aprender normas sociais
E tentando faze-lo crer
Que nós é que somos os normais
Mas no amor... a gente se completa
Porque aí sou eu que enlouqueço
E ele é o poeta
Faz amor como faz poesia
Seu corpo é uma rima perfeita
De movimento e magia
E no meu corpo ele redige
Toda sua fantasia
Expressando vida, amor, alegria
E juntos, assinamos a autoria
Dos poemas cansados
Perfeitos e suados
Que Ângelo escreve em mim
Eu sou a sua inspiração
E a gente se traduz assim...


O OVO DA GELADEIRA
Yula Jorge

O ovo é um planeta
Coberto por um sistema social
Lá dentro, em segurança
Vivem clara e gema
Mas se romperem o sistema...
Hum... é mal...
A clara está sempre mais perto de romper a casca
Apesar de nem aparecer direito
E viver “às margens” da gema
Ela é transparente, não faz, nem mata
Enquanto a gema centraliza seu poder
É rica, e cheia dos esquemas
Quando o sistema se rompe
Tudo vira confusão
Libera-se do constume
Dessa livre vida na prisão
A clara logo se espalha com suas bandeirinhas de paz
Ficando enorme e branca
Enquanto a gema se concentra mais
Aí... o ovo é logo devorado
Por alguém que vive em outro ovo
Ovo esse que devia ser quebrado
Apenas para produzir um seu novo
Para criar vida de verdade
Mas prefere ir pra geladeira de novo
Do que romper com o paradigma
De deixar com que se viva
Com intensa liberdade
É um ovo estéril essa nossa sociedade

Estamos todos fritos!!!


BANQUETE QUENTE DE GENTE
Yula Jorge

Onde quer que você esteja
Que o mundo te sirva de bandeja
E que saibam te saborear...
Pois quando nossa hora chegar
O banquete será só da gente
Comida boa, temperada e quente
E quem não soube te digerir
Não repete nem a entrada
Pois eu vou te engolir
E não deixo sobrar nada!




Sábado, Dezembro 20, 2008



FELIZ NATAL, FELIZ ANO NOVO



EM 2009 PRETENDO:

( ) CUIDAR MAIS DE MIM

( ) CUIDAR MAIS DOS OUTROS

( ) MELHORAR MEUS HÁBITOS ALIMENTARES

( ) TER MAIS TEMPO PARA MEUS AMIGOS

( ) TER MAIS TEMPO PARA A MINHA FAMÍLIA

( ) PASSEAR MAIS

( ) COMEÇAR “AQUELE” PROJETO

( ) DANÇAR

( ) FAZER TEATRO

( ) LER MAIS

( ) RIR MAIS

( ) RECLAMAR MENOS

( ) SER MAIS OTIMISTA

( ) RELAXAR

( ) ..........................................


É O QUE DESEJO A TODOS VOCÊS PARA O ANO QUE VÊM!

BOAS FESTAS!


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Domingo, Dezembro 14, 2008


PARA QUE A TRISTEZA VÁ EMBORA


HAPPINESS


Quando estamos sofrendo, nossos queridos, nossos amigos, para aliviar nossa dor, ou para tentar que acordemos, nos aconselham: - Pense que você é saudável, bonita, tem lindas filhas....
Outros mais truculentos dizem:- Pense que você não tem que andar dentro de um ônibus lotado ás 6 horas da tarde na Avenida João Dias, ou que você não tem um pasto para roçar, seja feliz por ter suas duas pernas, ou seus olhos.

Sou agradecida a tudo que tenho, agradeço diariamente com muita sinceridade, isto faz parte de mim.

Agora, quando estou triste, não consigo me consolar por não ter um pasto para roçar ou por ter as duas pernas, etc. Esta é minha realidade e nasci com ela. E até acho que um pasto para roçar seria uma terapia ocupacional e tanto. Distrai a mente e “sara” o corpo, mas repito, não sei roçar. E conheço deficientes físicos que são muito felizes e de bem com a vida.

Então fico dividida, pois também acho que não deveria ou poderia estar triste.

O que muitos não entendem é que quando somos acometidos de uma dor muito forte estas comparações não adiantam, não nos tiram da dor.

A maioria de nós vive adormecida, não temos autoconhecimento, o que é bem difícil de se adquirir.
Temos que reunir coragem suficiente para sair da escuridão, sair fora dos velhos hábitos em nós arraigados, acordar de um longo sono.

E quando estamos despertos, a vida pode ser uma dança, uma canção, uma alegria.

“Mestre” Osho consegue sempre colocar palavras em meus, muitas vezes, atormentados pensamentos.


A CHAVE MÁGICA

“Primeiro seja um consigo mesmo. Esse é o primeiro passo da Unio Mystica: seja um consigo mesmo. E então o segundo, e último passo, é ser um com a existência. O segundo é fácil. O primeiro ficou difícil devido a tantos condicionamentos, a tanta educação, e tantos esforços para civilizar.
O primeiro passo ficou difícil.
Se você deu o primeiro passo de simplesmente aceitar e amar a si mesmo como você é, de momento a momento... Por exemplo, você está triste. Nesse momento você está triste. Todo o seu condicionamento lhe diz, “Você não deve ficar triste. Isso é ruim. Você não deve ser triste. Você tem que ser feliz”. Assim surge a divisão, agora surge o problema.

Você está triste: essa é a verdade desse momento. E seus condicionamentos, sua mente lhe dizem, “Você não deve ser assim, você tem que ser feliz. Sorria! O que as pessoas irão pensar de você?”
Sua mulher pode lhe deixar se você ficar tão triste, seus amigos podem fugir de você se você for tão triste, e seu negócio será destruído se você permanecer triste. Você tem que rir, você precisa sorrir, e você tem que pelo menos fingir que é feliz. Se você for um doutor seus pacientes não se sentirão bem se você for triste. Eles querem um doutor que seja feliz, alegre, saudável, e você parece tão triste. Sorria – mesmo que você não possa mostrar um sorriso verdadeiro, mostre um sorriso falso, mas sorria. Pelo menos finja, represente.
Esse é o problema: você finge, você representa. Você pode conseguir rir, mas assim você dividiu-se em dois. Você reprimiu a verdade, você se tornou falso.
E o falso é apreciado pela sociedade. O falso se torna o santo, o falso se torna o grande líder, e o falso se torna o Mahatma. E todo mundo começa a seguir o falso. O falso é o seu ideal.
Eis porque você é incapaz de conhecer a si mesmo. Como você pode conhecer a si mesmo se você não se aceita? Você está sempre reprimindo seu ser. O que pode ser feito então? Quando estiver triste, aceite a tristeza: ela é você. Não diga, “Estou triste”. Não diga que a tristeza é alguma coisa separada de você. Simplesmente diga, “Sou a tristeza. Nesse momento, sou a tristeza”.

Viva sua tristeza com total autenticidade. E você ficará surpreso ao ver que uma porta miraculosa se abre em seu ser. Se você puder viver sua tristeza sem nenhuma imagem de ser feliz, você fica feliz imediatamente, porque a divisão desaparece. Não há mais nenhuma divisão. “Sou a tristeza”. E não há nenhuma questão de algum ideal de ser algo mais. Assim não há nenhum esforço, nenhum conflito. “Sou simplesmente assim” e há um relaxamento. E esse relaxamento é graça, e esse relaxamento é alegria.
Todo sofrimento psicológico só existe porque você está dividido. Dor significa divisão e alegria significa nenhuma divisão. Isso pode parecer paradoxal a você: se a pessoa estiver triste, como é que ela pode ficar alegre aceitando sua tristeza? Irá parecer paradoxal, mas é assim. Experimente!
Não estou dizendo para tentar ser feliz; não estou dizendo isso, “Aceite sua tristeza para que você possa ser feliz”. – Não estou dizendo isso. Se essa for sua motivação então nada irá acontecer; você ainda estará lutando. Você estará olhando pelo canto de seu olho: “Tanto tempo já passou e eu aceitei até mesmo a tristeza, e estou dizendo ‘Sou a tristeza”, e ainda assim a alegria não está vindo”. Ela não virá desse jeito.

Alegria não é uma meta, é um subproduto. Ela é uma conseqüência natural da integridade, da unidade. Apenas seja um com essa tristeza, por nenhum motivo, por nenhum propósito particular. Não há nenhuma questão de qualquer propósito. É assim que você é nesse momento, essa é sua verdade nesse momento. E no próximo momento você pode ficar zangado: aceite isso também. E no próximo momento você pode ser algo mais: aceite isso também.
Viva de momento a momento, com tremenda aceitação, sem criar nenhuma divisão, e você está a caminho do autoconhecimento. Autoconhecimento não é uma questão de ler os Upanishads e sentar em silêncio e recitar, “Aham Brahmasmi, sou Deus”.

Esses são esforços inúteis. Ou você sabe que você é Deus, ou você não sabe. Você pode continuar repetindo por toda sua vida, “Aham Brahmasmi, sou Deus”. Você pode desperdiçar toda sua vida repetindo isso, mas você não irá conhecer isso.
Se você conhece-o, não há nenhum sentido em repeti-lo. Porque você está repetindo-o? Se você sabe, você sabe. Se você não sabe, como você pode vir a saber pela repetição? Apenas veja toda a estupidez disso.
Mas isso é o que está sendo feito nesse país e em outros países também, nos monastérios e Ashrams. O que as pessoas estão fazendo? Repetindo como papagaios.
Estou lhes dando uma abordagem totalmente diferente. Não é pela repetição da Bíblia ou dos Vedas que você irá se tornar um conhecedor, não. Você ficará apenas culto. Então como é que a pessoa conhece a si mesma?
Abandone a divisão: a divisão é todo o problema. Você está contra si mesmo. Abandone todos os ideais, os quais criam antagonismo em você.

Você é do jeito que você é: aceite isso com alegria, com gratidão. Subitamente uma harmonia será sentida. Os dois eus em você, o eu ideal e o eu verdadeiro, não estarão mais aí para lutar de maneira nenhuma. Eles irão se encontrar e se fundir numa unidade.
Não é a tristeza que realmente lhe causa sofrimento. É a interpretação de que a tristeza é errada que lhe causa sofrimento, e isso se torna um problema psicológico. Não é a raiva que é dolorosa; é a idéia de que a raiva é errada que cria ansiedade psicológica. É a interpretação, não o fato. O fato é sempre libertador.
Jesus diz, “A verdade liberta”. E isso é de tremenda importância. Sim, a verdade liberta, mas não é conhecer sobre a verdade. Seja a verdade, e ela liberta. Seja a verdade, e há libertação. Você não precisa trazê-la, você não precisa esperar por ela: ela acontece instantaneamente.

Como ser a verdade? Você já É a verdade. Você apenas está carregando falsos ideais; eles estão criando o problema. Abandone os ideais: por alguns dias seja um ser natural. Exatamente como as árvores, os animais e os pássaros, aceite seu ser como você é.
E surge um grande silêncio. Como pode ser de outra maneira? Não há nenhuma interpretação: assim a tristeza é bela, ela tem profundidade.
Assim a raiva também é bela, ela possui vida e vitalidade. Então o sexo também é bonito, porque tem criatividade.

Quando não há nenhuma interpretação, tudo é belo. Quando tudo for belo, você fica relaxado.
Nesse relaxamento você caiu na sua própria fonte, e isso traz autoconhecimento. Cair na nossa própria fonte é o que “Conhece a ti mesmo” significa.
Não é uma questão de adquirir conhecimento, é uma questão de transformação interior.
E de que transformação estou falando? Não estou lhe dando nenhum ideal que você tenha que seguir, não estou dizendo que você precisa transformar aquilo que você é e tornar-se outra coisa. Você precisa simplesmente relaxar no que você é, e apenas ver.

Vocês ouviram o que estou dizendo? Apenas vejam o ponto: é libertação. E uma grande harmonia, uma bela música é ouvida. Essa música é do autoconhecimento. E sua vida começa a mudar.

Assim você tem a chave mágica, a qual abre todas as fechaduras.
Se você aceitar a tristeza, ela irá desaparecer. Quanto tempo você pode ficar triste se você aceitar a tristeza? Se você for capaz de aceitar a tristeza você será capaz de absorvê-la em seu ser; tornar-se-á sua profundidade”.
OSHO





Quinta-feira, Dezembro 04, 2008



CHARLIE



Gabriel Aubry - Imagem


Ai... Charlie era charmoso! Charmoso hoje em dia, porque há alguns anos deve ter sido muito bonitão, insinuante e cafajestão... desculpe, mas a palavra é essa.
Bon vivant, sempre cantava a mulher da mesa ao lado. Mas, como todo o sábio cafajeste, era insinuante, cativante, tinha carisma. E assim, Charlie foi levando a vida, entendendo os bons vinhos, a boa cozinha e, sobretudo, as “boas” mulheres.
Levava alguns tapas na cara (isso faz parte), mas também quando dava certo... era muito bom!

Casou-se, teve dois lindos filhos e foi convidado a ir trabalhar em Milão. Lá foi ele com as crianças, a mudança toda, a esposa e no vôo seguinte... a amante.
Conseguiu manter as duas na Itália, sem que nenhuma soubesse da outra. Viveu assim alguns bons anos.

A única virtude de Charlie era ter filhos somente com a primeira mulher, senão teria sido um festival. A amante na Itália já desconfiava (era semi- debilóide). Na seqüência, já tinha outra. Era um tipo Binoche, sexy, peituda, linda.
Ele “transava” e enjoava. Não podia, como Henrique IIX, decapitá-las, mas esfriava. Acontece que era bom, tratava a todas bem, com igualdade, como reza as regras do corão.

E assim Charlie foi aproveitando a vida. Amando, sendo amado, fazendo algum (ou alguns) desaforo à saúde e seguindo em frente, sempre cercado de belas mulheres, boas bebidas. Inteligentíssimo passava o tempo seduzindo pessoas. Possuía uma biblioteca de fazer inveja a Saramago e não gostava que ninguém se ocupasse dela, deixava imunda mesmo. - Poeira e teias de aranha fazem parte da vida, da decoração, do dia a dia, dizia ele.

Só que o tempo passa para todos, porque a juventude é efêmera e a velhice permanente e para rimar um pouco, Charlie foi perdendo os dentes... mas, continuou charmoso, inteligente e sedutor.
Apaixonou-se aos 60 e muitos por uma mulher bonita e simpática de 45. Chamava-se Cláudia. E Cláudia não parava de elogiar o sorriso de Charlie, os dentes de Charlie, a brancura dos dentes de Charlie... e assim resolveram se casar. Ele estava agora na quinta esposa.

Cláudia, apesar de notar algumas rugas, algumas intempéries da idade no futuro marido, continuava apaixonada pelo cativante sorriso dele.
Quando ele sorria o mundo se iluminava, brilhava, e a vida seguia bela para Cláudia.
Resolveram se casar, afinal se amavam muito.

Na noite de núpcias, nosso herói não teve a menor dúvida: - Querida (com um par de dentaduras nas mãos), olha por qual sorriso você se apaixonou!!
Cláudia atônita olhava para o par de dentaduras, sem saber se gargalhava ou chorava.
O dito conseguia ser charmoso mesmo sem dentes, cá entre nós.
Arrematou dizendo: - Olha, beijar de boca mole é muito bom, você vai gostar!

Antes disso, ele já havia deixado claro que ninguém entraria na biblioteca para limpar e que ele próprio achava banhos diários algo muito impróprio. Tomava, portanto, um banho a cada 3 dias.

Apavorada Cláudia perguntou: - E os cabelos? Lava de quanto em quanto tempo?
Gaiato ele respondeu: Meus cabelos são fabulosos, lavo uma vez por semana.
- Dentaduras, meu bem, tenho quatro, que é para poder variar! Assim você não enjoa. Uma delas mandei até dar uma quebradinha na frente, pra dar um charminho.

E Cláudia continua apaixonada por Charlie, com os parcos banhos, os muitos dentes e a luz que ele irradia.


Segunda-feira, Novembro 24, 2008


SÓ O TEMPO


Imagem


Largo a paixão
Nas horas em que me atrevo
E abro mão de desejos
Botando meus pés no chão
É só eu estar feliz
Acende uma ilusão
Quando percebe em meu rosto
As dores que não me fez

Ah, meu pobre coração
O amor é um segredo
E sempre chega em silêncio
Como a luz no amanhecer
Por isso eu deixo em aberto
Meu saldo de sentimentos
Sabendo que só o tempo
Ensina a gente a viver

(Paulinho da Viola)



Não largue a paixão jamais, ou não se apaixone
Atreva-se sempre e com vontade de ser atrevido
De desejos não devemos abrir mão, senão vem Drummond, vem do além, e a bronca é certa
Cecília queria ficar no chão e no ar, Nureyev conseguia, conseguiria eu?

Meu rosto tem dores e marcas de amores
Meu coração, ah meu coração...
O amor já foi um segredo, hoje sinto que amar e ser amada é honraria
O amor chega em silêncio...
Como dobrar a esquina, olhar o relógio, ter um segundo pensamento

Quando estou feliz, há sempre uma ilusão
De amar e ser amada
Acariciar e ser acariciada
Beijar e ser beijada
Por isso deixo em aberto, meu saldo de sentimento
Amplo saldo
Sabendo claramente que só e apenas o tempo nos ensina a esquecer
Lembrar com carinho e simplesmente viver

(Mônica Alves)



Segunda-feira, Novembro 10, 2008



23 de ABRIL de 2007


Imagen



No dia 23 de abril de 2007, dia do último post, eu me preocupava com o tempo...
O tempo não me deu tempo de me despedir do meu marido que morreu em 27 de abril de 2007, quatro dias depois deste post abaixo.
Dia 28 de abril faríamos 28 anos de casados.

Se eu pudesse, colocaria aqui e agora a minha alma para descrever o que representa a morte súbita de um marido, pai, avô, patrão, amigo, filho, genro maravilhoso. Resisto ainda...

Depois da perda brutal que me acometeu, não pensei em escrever mais. Na época havia escrito um livro e estava gostando de trabalhar nele, parei também no segundo.

Não sei bem quem está aqui hoje. Talvez alguém mais madura, mais triste, mais sábia, tentando curar-se das perdas (não foram poucas) e ser feliz na marra!
Tentando aprender que fazer as coisas do mesmo jeito sempre e esperar resultados diferentes é pura insanidade (essa é do Einstein).

Só não quero esperar ser feliz dependendo do outro (já passei por essa também), porque amar não é depender, depender da presença do outro. Se fosse assim não continuaríamos a amar a pessoa querida após sua morte.

Não espero também encontrar a felicidade em livros ou CDs, viagens fabulosas, fama, dinheiro, prestígio.
Ou espero encontrá-la em qualquer dessas coisas, em qualquer esquina; é simples, desde que a ela esteja dentro da gente.

Vou instalar este programa em minha alma, faço o download e posto aqui pra todos nós.


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