Segunda-feira, Abril 23, 2007



TEMPO...


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Acho que poderia tratar de falar mal do tempo. Afinal ele nos engole, voa, urge e assim é. Passa rápido.
Acontece que aprendi que tempo a gente inventa, fabrica, dá jeito.
O que eu gostaria de saber é o seguinte: - o que foi que aconteceu aos blogueiros e seu blogs?
Aqueles blogs deliciosos que geralmente começaram suas "carreiras" por volta de 2002, 2003?
Perderam a vontade? O vigor, o frescor?
Andam cabisbaixos, tristonhos, amargos. Isto os que andam, pois muitos já se foram, encerraram suas carreiras assim: vupt!
E fomos ficando órfãos...

Ah, talvez não tenham mais tempo. Boa, essa!

Ah, que essa blogosfera era uma festa!
Não saía de casa sem antes passar em alguns blogs amigos, ler com cuidado e atenção e acima de tudo comentá-los.

Tinha os poéticos, os tristonhos, os muito deprimidos, os engraçados, os novidadeiros, os musicais.
A gente sabia quem estava em crise, se a pessoa teve bebê, se fez aniversário, se estava feliz, enfim.

Era um sentimento interiorano com gosto de café coado e bolo de fubá.

Parece que a cidadezinha cresceu, virou metrópole.

Bom, nem todos se foram e tem muita coisa boa por aí.

Amo meus amigos, mas não consigo evitar de sentir falta dos que não mais postam. Saudades dos antigos.

Não, não vou culpar o tempo.
Talvez volte para o interior, onde a vida passa mas devagar.

Não vou culpar o tempo
Vou dar um tempo...


Terça-feira, Fevereiro 27, 2007



ESCREVER



Máximas sobre o ato de escrever
Luiz Caversan - Folha On Line


*"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." (Pablo Neruda)

*"Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem que nos interrompam." (Sofocleto)

*"É preciso escrever o mais possível como se fala e não falar demais como se escreve." (Sainte-Beuve)

*"O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira." (Sinclair Lewis)

*"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)

*"Escrever é ter coisas para dizer." (Darcy Ribeiro)

*"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta." (Voltaire)

*"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de 'Adeus às Armas' antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)

*"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)

*"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)

*"Quem não lê não escreve." (Wander Soares)

*"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma." (Fabrício Carpinejar)

*"Escrever é um ato de liberdade." (Martin Amis)

*"Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa." (Margaret Atwood)

*"De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo." (Monteiro Lobato)

*"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)

*"Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas." (W. Somerset Maugham)

*"O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor." (Joseph Conrad)

*"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil." (Jorge Luis Borges)

*"Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível." (Camilo José Cela)

*"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra." (Margaret Atwood)

*"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)

*"Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e uma dificuldade adquirida." (Joseph Joubert)

*"Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo." (Gaëtan Picon)

*"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever." (Lêdo Ivo)

*"Escrever é sacudir o sentido do mundo." (Roland Barthes)

*"Escrever é uma ferramenta pontiaguda; um instrumento cirúrgico que dilacera e limpa."( Flávia Oliva - Mônica de Carvalho - Contradições)

SOU O QUE ESCREVO!


Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007



QUANDO O CARNAVAL CHEGAR


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E o Carnaval está chegando.
Nesse país, que já é uma farra, ele fica oficializado como que se passasse em cartório, reconhecesse firma.
Tem de tudo! Mulher pelada, homem vestido de mulher (eles adoram), por que será?

Não importa o que você faça, divirta-se. Se puder viaje, vá pra avenida, sambe, seja a rainha da bateria, vire rei, rasgue a fantasia.
Se preferir fique em casa, leia um bom livro, assista bons filmes, acompanhe o BBB, ou o desfile das escolas, veja o baile gay apresentado pela "gloriosa" Monique Evans.
Passeie pela cidade. Se mora em São Paulo, a cidade fica vazia e até agradável.
Não importa, divirtam-se.

Tenho uma prima, médica pediatra, que além de atender em vários hospitais particulares, atende também pelo SUS.
Com nomes diferentes não se espanta mais, são inúmeros. Poderia ficar a citá-los aqui por um bom tempo e, juro, juro por tudo que há de mais sagrado, na semana passada foi até a sala de espera e chamou:
- Próximo paciente: Létisgo Lima.
Entra a mãe com um olhar furioso de mulher arretada e diz:
- Tô admirada! Uma dotora, formada, médica e nem falar ingres fala. Afeeeeeeee.
- Por que a senhora diz isso?
- Oxê, num sabe falá o nome de meu filho, não? Ó paí!
O nome do minimo é Let's go Lyma. Disse "laima" mesmo.

Depois dessa só posso dizer: Let's go to Carnival. Let's have fun, let's be happy!
Aliás, Letisbirrépi seria um baita dum nome pro segundo filho da moça.

Vou dizer para a prima sugerir.


Quarta-feira, Dezembro 27, 2006



FELIZ ANO NOVO


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Quem me acode à cabeça e ao coração

neste fim de ano, entre alegria e dor?

Que sonho, que mistério, que oração?

AMOR.


Carlos Drummond de Andrade - Dezembro de 1985

ATÉ A VOLTA!




Segunda-feira, Dezembro 11, 2006



O WORKSHOP DE XAMANISMO

por Valdenir Benedetti

Continuação


EPÍLOGO



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Mr. Bocó chega em casa, um pouco cansado de um final de semana de atividades intensas e inéditas, além da viagem espremido dentro de uma Van.
Rosinha o recebe com um abraço e um beijinho, as crianças saltitantes e felizes com a volta do pai.
Chamou a atenção de Rosinha o novo modo de usar a gravata de seu marido, amarrada na testa. Ficou meio um neo-hippie, mas ela gostou.

Depois de um breve e resumido relato em volta de uma pizza new age que Rosinha fez especialmente para a volta do marido, ela lhe pergunta qual é afinal seu animal de poder.
"The Cockroach", ele responde.
Ela e as crianças perguntam o que é isso, que bicho é esse e ele diz : "é um poderoso animal de poder, e não encham mais o saco que não quero falar nisso, animal de poder é coisa meio secreta".
Percebem que é melhor não insistir, senão ele vai ter um de seus ataques de chatice e mau humor, afinal é um marido e os maridos são todos mais ou menos assim.

Todos se encaminham para a sala para assistir TV, e nesse momento Mr. Bocó se lembra de uma outra coisa.
Interrompe a família e fala com voz forte, anunciando algo bem importante, todos mais ou menos atentos, mas com um dos ouvidos já conectados na voz do Faustão apresentando suas pegadinhas na TV:"Tenho incorporado em mim o espírito de ISHNAYA!", diz com voz tonitruante.

O que se ouve então, quase gritado por três bocas, é um sonoro, simultâneo e espontâneo... "Saúde!"


Quinta-feira, Novembro 30, 2006



O WORKSHOP DE XAMANISMO

por Valdenir Benedetti

Continuação

Quinta Parte - O ENCERRAMENTO DO WORKSHOP



Depois de três dias e noites, inteiros, de muitas vivências e experimentações xamânicas com nossos animais de poder, e depois de muitas viagens ao túnel do inconsciente, quando descobri que algumas daquelas pessoas tinham em seus túneis verdadeiras "Disneyworld" e outras, um shopping center completo com floricultura, área de serviços e lazer e cinco salas de cinema e tudo mais que tinham direito, enquanto meu túnel era sempre pura e simplesmente um túnel, digno de uma simples e prosaica barata, chegou enfim o momento do grande encerramento do nosso workshop de xamanismo.

Até então, o grande momento do workshop, fora o primeiro e emocionante encontro com o animal de poder, foi a experiência de vivenciar a própria morte.
Ficamos todos mortos no caixão, imaginando nossos parentes e amigos se despedindo da gente. Foi muito emocionante. Pena que depois de uns 10 minutinhos de vivência, ou de mortência, Mr. Hi interrompeu as batidas do tambor e conseqüentemente nosso exercício. Tivemos que ressuscitar, todos, rapidinho, porque senão não daria tempo de seguir o programa completo, e ainda estávamos perto da hora do almoço. Uma pena.

Mas voltemos ao "grand finale".


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Faríamos a dança circular sagrada no estilo escocês, coisa que achei meio estranha pra um curso de xamanismo, mas parece que Mr. Hi tinha um convênio com não sei que instituição da Escócia, e daí era assim que tinha que ser. Ele dançou alguns passos girando e mostrou pra gente como deveríamos dançar.

A dança circular sagrada seria feita em torno da fogueira sagrada, de acordo com o modelo de dança dos pagés e morubixabas de algumas tribos, também comuns em workshops urbanos, segundo ouvi dizer, e que rendem uma boa grana para alguns índios de plantão.

A "dança circular sagrada escocesa em volta da fogueira sagrada kaiakangue" seria feita com a incorporação dos animais sagrados de cada um de nós. Haja sagrado!

Mr. Hi jogou algumas ervas sagradas e alguns pozinhos sagrados para consagrar a fogueira sagrada (ai!) e começou a dança.
Tamborzinho batendo cada vez mais rápido e furioso, conduzindo todos nós para o êxtase apoteótico, como convém a um workshop desse nível.

Dancei até! Cada um fazia o barulho do seu animal de poder. Ouviam-se urros, trinados, estrilos, grunhidos e eu, com minha baratinha, só podia fazer "tlec, tlec, tlec" que é o único barulho que conheço da barata.

Me chamou atenção a dança da Fada Sussurrante, uma mulher pernambucana, esposa de um deputado, que vivia de fazer vivências e workshops por todo país às custas da grana do contribuinte.
Ela era bastante presunçosa e autoritária, não tinha nada de fada e muito menos de sussurrante. Tratava os funcionários da pousada, inclusive Shandranua, como escravos, aos berros, só faltava bater neles.
Foi a que mais reclamou, aliás, reclamou o tempo todo de tudo, do tempo, das instalações, do banheiro, da água, da comida e principalmente do fato do celular não pegar na pousada.
Seu animal de poder era uma serpente que fazia "fizzzzz, fizzzzz, fizzzz" o tempo todo, e ela ficava fazendo com a mãozinha como se fosse uma Cleópatra, ao mesmo tempo em que empurrava as pessoas para longe dela, pois precisava de todo espaço do mundo e dizia "sssai , sssssai, sssai de perto" com sua voz sibilante de jararaca.

Depois de dançarmos um bocado e estarmos todos suados e bem fedidos, teve o tal do abraço ritualístico sagrado final.
Tínhamos que nos abraçar um por um, para consagrar (de novo) o momento, a coisa era mais ou menos assim: cada um ficava parado em frente ao outro, olhava com um olhar bem new age, meio olhar de golfinho misturado com olhar de vaca tonta, daí se aproximavam em câmera lenta um do outro, com um sorriso também new age nos lábios, meio estilo vegetariano, e se abraçavam. Daí um deitava a cabeça no ombro do outro e dava uns dois ou três tapinhas nas costas para consagrar o abraço, quase igual advogado faz quando cumprimenta de algum parente de cliente importante em velório da família. Claro que advogado não deita a cabeça no ombro do colega.


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O pior é que estávamos todos muito suados e grudentos de tanto dançar a "dança circular sagrada escocesa em volta da fogueira sagrada kaiakangue", e alguns com um cheiro um tanto intenso, talvez por causa do animal de poder. Achei que essa foi a pior parte do workshop, a mais melequenta pelo menos.
Depois de um banho e o inevitável amasso de despedida com a Shandranua, que é da Silva, viemos todos embora.

Enfim, termino aqui o meu relato, o depoimento do momento que transformou minha vida, me incluiu na nova era e me tornou um verdadeiro xamã.
O pessoal lá da firma vai se morder de inveja.

Serei o primeiro auxiliar de contas a pagar xamã do mundo!
E finalmente Rosinha irá me olhar com mais respeito e admiração.
O que a gente não faz pela mulher que ama, hein?

continua...


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