Terça-feira, Abril 29, 2003




SÃO PAULO MEU AMOR


Gosto do caos e, sobretudo da energia que é preciso desenvolver para enfrenta-lo.

Gosto do vigor que emana das cidades, da luta e do trabalho que elas representam. Tenho, portanto, um amor enorme por São Paulo. Amor bandido? Não sei dizer...

São Paulo é linda, feia, generosa, violenta, absoluta. Custa a dar conta do recado.

Muito grande, é como um filho que cresceu demais, antes da hora, perdeu roupas, personalidade, mudou...

Bizarra é a forma dos antigos descreverem o Rio Tietê, sua beleza, clareza e limpeza.
Rio genuinamente paulista corria com soberania e altivez pelo interior. Hoje é irracionalmente cruel e imundo! De qualquer forma, faz parte da cidade, faz parte de nós paulistanos, que contemplamos tristes sua triste decadência.

São Paulo pecou, cometeu pecado grave!
Amou, demais, se entregou demais, recebeu demais, se doou, foi muito generoso!
Coração bom, não avisava que não havia mais espaço. A casa não era tão grande como todos pensavam, os convidados e os que se convidavam, não caberiam, ficariam mal acomodados.
A cidade não dizia nada. Ia ajeitando como podia. Um canto ali, um espaço acolá, bastava chegar: "Pode entrar, que a casa é sua!".

Como exagero tem preço, hoje paga caro.

Ao amar, não tinha consciência de receber alguma recompensa. Os generosos nunca têm. Mas ela veio... Chegou rapidamente, sem fazer cerimônia, sem pedir licença.

São Paulo assim, foi erguida por imigrantes vindos do interior paulista, nordestino, do mundo todo.
Árabes, judeus, italianos, armênios, japoneses, incontáveis raças, incontáveis nacionalidades. Todos trabalharam duro, construíram e no afã da labuta, esqueceram de organizar a "Torre da Babel".

O país de todo ser humano é sem dúvida, aquele que os acolhe.
E a "Paulicéia Desvairada" aqui de braços abertos, sempre generosa!
Escolhendo São Paulo sua terra, os muitos que aqui chegaram, fizeram desta metrópole um caos divino, agitado, inquieto, irresistível...
Obras primas, reminiscências... ora imperiais, ora falidas, interessantes e devastadas, não perdem a majestade!
E a favela, no meio desse caos absoluto e pitoresco, é cheia de vitalidade.

São Paulo que amanhece trabalhando...abraça artistas, escultores, pintores, cantores, os incentiva, sempre generosa!

"Bandeira da minha terra,
Bandeira das treze listas.
São treze lanças de guerra
cercando o chão dos paulistas".
As listas não são mais treze, há muito são infinitas. E os que aqui ficam são guerreiros, são verdadeiros paulistas!

Vejo-te linda! Diva, morena, brejeira, viciada, mal amada, ansiosa, cheia de feridas. Precisam ser tratadas.
Mesmo doente, vale a pena ficar perto de você, viver a seu lado.

Se cuide minha amada, precisamos de você. O mundo precisa!!!



Segunda-feira, Abril 28, 2003




RIO, NAS MINHAS ENTRANHAS


Penso no Rio

Como uma filha adolescente

Que sai de nossas entranhas

E permanece nelas. Sempre...

Preocupação, violência, beleza.

Filhos são assim

O Rio é assim

Filho feio não tem pai!

O Rio tem tantos amantes...

Filhas lindas, loiras

O Rio é uma loira linda, Vênus Platinada

Atira em nossa cara sua beleza e violência.

É forte, soberbo,

Jorra, goteja, cospe, ejacula

Bate em nossa cara

E a gente, que é fraca, se rende

Sucumbe à paixão... Ama!







O PAGADOR DE PROMESSAS


Se Leonardo Villar reclamou de perambular dias com aquela cruz enorme nas costas durantes as filmagens de "O Pagador de Promessas", foi porque ele jamais teve noção de como foi o fim de semana de minha irmã.

Já andei falando sobre ela, mas falei pouco.

Acabo de ler uma crônica do Veríssimo, chamada "Quase".
Ele detesta esta palavra! Quem quase ama, não ama; quem quase consegue, não consegue e assim por diante.
A tal crônica por sinal, é como sempre, impecável.

Roubo então dele este "quase", para mais uma vez descrever minha irmã: ela não é "quase" nada, pois é "muito" tudo.
Muito sagaz, muito inteligente, muito preguiçosa, muito amorosa, muito franca (Rô desculpe, "sempre fico meio cheia de dedos para falar de seu peso", mas agora não dá pra disfarçar porque você não é "quase" gorda. É bem gorda).

O peso em si não saberia precisar, ela mesma não sabe. Há anos não pisa numa balança, para quê? Ficar puta!?!
Só no quesito exercício, poderia dizer que ela "quase" os faz, isso se o leitor considerar que levantar copos de cerveja, cigarros, dirigir (às vezes) e teclar, teclar muito no computador são exercícios.
Mas como ninguém em sã consciência diria que tudo isto é exercício, ela não faz nada, nada vezes nada.
Costuma dizer que se alguma vez sentir vontade de se exercitar, senta, respira fundo e espera a vontade passar.

Ninguém é melhor do que ela num computador. É perfeita, então esqueçamos o "quase", porque esta palavra não faz parte de seu repertório.
Se bem que posso dizer sem mentir, que no fim de semana passado ela "quase" morreu!

Mãe maravilhosa que é, vive em função da filha, seu orgulho.
Psicóloga formada, já com consultório próprio, conseguiu um trabalho importantíssimo, em uma firma não menos importante por meio período.
Nossa gordinha, que já havia feito uma promessa, caso a filhota conseguisse o tal trabalho, tinha agora de paga-la, indo até a igreja de Sto. Expedito.
Até aí nenhum problema: acordar cedo, pegar o carro, xingar o trânsito, ir até a igreja (que o Santo me perdoe, é na puta que pariu), agradecer e voltar.
Tem um detalhe: mãezona que faz promessas, não as faz sozinha. Obviamente incluiu a filha em tal romaria.
Enquanto se preparava para o banho ligou a TV e ouviu o Padre Marcelo dizendo que aquela era a semana de Santo Expedito. Pronto...Resolveu rapidamente barganhar com o Santo e deixar a promessa para a semana seguinte, afinal a igreja deveria estar lotada!
Só que a filha não permitiu tal heresia e disse um bom "Promessa é dívida!", e lá foram as duas.
Aturdida com o volume de carros e a falta de lugar para estacionar... Começaram as reclamações.
Ao entrar na igreja ficou pasma! As pessoas todas tinham um ramo nas mãos! (Vai aí um recado: - Oh boba, não era só a semana de Santo Expedito. Era Domingo de Ramos! Sua Católica Apostólica Romana Ignorante, olha aí um "quase": Você quase entende de religião).

Dei este fora uma ocasião em Paris, perguntei a uma vendedora por que todo mundo estava andando com "uma planta". A francesa arregalou os olhos e respondeu: - Mais Madame! C'est le dimanche de rameaux !!!

Rosana assistiu a missa, ajoelhou por uns vinte minutos; quando levantou, o joelho fez um barulho estrondoso... a igreja toda olhou! Pudera, todo aquele peso no genuflexório, o artefato ficou rendido, envergado.
Cansada pensou que deveria fazer um regime ou nunca mais ajoelhar-se na vida. Claro, optou pela segunda hipótese, muito mais prática.

Fez uma fila quilométrica para tocar os pés do Santo.
Perfeccionista e gastadora, tinha que ir comprar santinhos, anjos, arcanjos e velas de sete dias.
Os anjos não valem sem os arcanjos!!!

Mais uma hora de fila, sem contar que se encantou com a imagem de São Longuinho (São Longuinho que me perdoe, mas que imagem horrorosa! Desculpe, logo o senhor, que já me ajudou a achar coisas desaparecidas tantas vezes).
Quem quiser acreditar, acredite: Vendem a imagem do tal santinho.

E a Romaria continuou, porque precisavam agora benzer os santos e as plantinhas (os ramos).
Outra hora de fila, em pé, e a gorda já estava "quase" morta.
Nunca, nunca na vida andou tanto.

Cabe um adendo: a colega anda sem parar, coisa de 10 km ou mais em New York: Park, 5ª Av. e Soho, com grana no bolso, aí anda sem sentir...E é só. Só, somente só!

A promessa estava cumprida! Os santos comprados e bentos! A gordinha exaurida!

Como depois da obrigação vem a devoção, que delícia!!! Resolveram conhecer um restaurante recém inaugurado de uma amiga da filha. Longe o lugar, mas de carro tudo bem...

Acontece que a coisa não foi tão simples como sentar pedir um chope e pensar que a vida é bela. Ah não foi assim, não!!!
A família italiana, simpaticíssima, encantada com tão distinta visita, resolveu mostrar o restaurante que por sinal é enorme, e para desespero de Ró (como é chamada em Salvador - Bahia), já mancando, que notou que o estabelecimento possuía dois andares.
Os italianos alegríssimos mostraram cozinha, "as mesa", "os toalete", enfim "tutti molto bello, tutti buona gente"!!

Exausta, Ró só pensava num chope gelado.
Foi quando a Mama sugeriu que no segundo andar era muito mais agradável, e com os joelhos roxos, os pés em brasa e um humor de cão, Rô ruma ao segundo andar, já puxando a perna e ajudando com a mão, tipo aleijado pedindo esmola.
Comeu muito bem, bebeu quantos chopes quis e São Longuinho ou Expedito que não falham, ajudaram: a família simpática se recusou a receber. Foi tudo por conta da casa.
Êta coisa boa, depois de um dia daqueles, terminar assim tão bem e "de grátis".
Todos se beijaram e Rô agradeceu a Sto. Expedito mais esta graça recebida.

Só que o Santo que às vezes é gaiato, resolveu lhe pregar uma peça.

Ao chegar em casa, feliz da vida, gorrrda se deparou com o porteiro, que é a coisa mais lindinha do mundo.
Um dente só, no meio da boca e sempre sorridente. E foi com um sorriso que ele a recebeu explicando que estavam sem energia.
"Como assim"? Ela perguntou.
A previsão é pras dez da noite!
Ele parecia feliz com a notícia, ela semi, ou "quase' morta, sentou na escada, ligou para Eletropaulo que confirmou a previsão do porteiro.
Mandou a filha subir e não chorou porque não somos desse tipo, só entrou em desespero, praticamente "delirum tremis".
- Eu não agüento subir 12 lances de escada, eu não vou subir!!!
Chamou Santo Expedito, São Longuinho, afinal havia feito um investimento razoável de escapulários, anjos, arcanjos e velas de 7 dias (prática como é, comprou para 15 dias).

Nada! A luz não voltou.
Ela então, resolveu se armar de coragem e subir. Mas não é que no 10º andar, chegou a energia?
Olha aí: Santo Expedito, desta vez foi meio lerdinho, mas cumpriu a obrigação.

"Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem "quase" morre esteja vivo, quem "quase" vive já morreu". Essa é do Veríssimo.

Você que nunca é quase, é sempre tudo (e eu já ia começar a dizer; comece a andar fazer exercícios), não vou dizer nada disso, esqueça...Continue sendo como você é, viva como gostar, é aí que mora sua beleza!

Eu te amo! Você é TUDO! Ou "quase" tudo.



Sexta-feira, Abril 25, 2003




VIAGENS

Ando meio sem inspiração...
Meu amigo escritor me deu a sugestão mais óbvia e eficiente: - Abra o computador vá até o "Word" e comece a escrever!
Como se fosse fácil!!!

Hemingway dizia a mesma coisa, mas de uma forma menos moderna: - Pegue o papel e o lápis, olhe o papel em branco e comece! Só que ele, gênio que era, fazia isto com muita facilidade.

Para se esconder do frio de Paris, onde morou alguns anos numa penúria de dar gosto, entrava num café, pedia um petit-noir (cafezinho) e escrevia a metade de um livro, fumando vários cigarros enquanto seu lápis percorria a folha de papel, com dizeres simplesmente impecáveis.
À tarde pedia um "petit blanc" (vinho branco da casa servido em copo) ou alguns, já que era bom bebedor e ali escrevia a tarde toda, sem ser incomodado.

Você pode fazer isto até hoje em Paris, pode pedir um só, que ninguém te aborrece, muito menos o garçom.

Fico imaginando se fosse nos Estados Unidos, tanto em 1940 como nos dias de hoje. O garçom traz o copo de vinho, a conta, olha com cara de "não vai desinfetar". E ai de você se não deixar uma boa gorjeta ou se acender um cigarro!!! Tá frito.

São defeitos e qualidades que encontramos pelos lugares por onde andamos.

Voltei recentemente de uma viagem à Nova Zelândia e Austrália.

Nunca conheci povo mais simpático do que o Neo-Zeolandês e, nas devidas proporções, o Australiano.
Amáveis, cordiais, viciados em meio-ambiente e reciclagem, sem aquela forma neurótica do americano, tomam mesmo conta da terra deles, no que fazem muito bem! É tudo maravilhoso e bem tratado.

A Austrália é linda também e foi lá que resolvemos, meu marido e eu, conhecer uma praia em Ana Bay, Port Stephen. 32 Km. de areia e dunas enormes, não saberia precisar a altura, mas são grandes de dar medo.

Lá foram feitas as filmagens de "Mad Max".
Para quem assistiu, aquelas casas de lata que aparecem no filme, existem desde o tempo da guerra. Não podem ser destruídas ou reformadas, quem mora ali pode ficar até a casa cair, sem pagar nenhum imposto, mas também não podem reforma-las. As casas são estranhas, tórridas no verão e congeladas no inverno.

Esta praia é considerada um deserto com alguma vegetação. A impressão é de se estar realmente no deserto.
O esporte radical local é andar de moto ou jeep e descer as dunas de prancha "Sand Boarding".

Desci de prancha as tais dunas e adorei, é emocionante!
Contratamos um guia, que dirigia o jeep e era simpaticíssimo, conversador, mais até para falastrão, um jeitão de quem apreciava uma boa mesa, fortão e todo tatuado (todos por lá, são).
O simpático motorista avisava o tempo todo que os "pipis" não poderiam ser recolhidos ou feitos na areia, e ele repetia isto o tempo todo.
Devo confessar que meu inglês é muito bom, avançado mesmo, porque entende-los é um parto!
Sentia-me conversando com um cearense do interior (já conversaram com algum, especialmente quando estão agitados? Não é fácil).

Sotaque tem a ver com charme, se a pessoa tem charme o sotaque pode se tornar irresistível, mas que às vezes é difícil de entender, ah... lá isto é!

Entender a criatura não foi fácil no começo, mas com o passar do tempo foi melhorando.
A figura era no mínimo muito interessante, fumava sem parar, porém guardava as "bitucas" numa bolsinha na cintura, para não poluir sua linda praia. "Politicamente correto".

E continuava a falar dos "pipis". Comecei a me encher: "Será que este cidadão esta achando que uma senhora, finamente educada como eu, vai urinar na praia dele?", pensei.
Só me dei conta do que ele queria dizer quando li um aviso no carro, igual aos avisos de avião, que recolher "pipis" acarretaria uma multa de 2.200 dólares.

Pipis são conchas, que protegem as areias e as dunas. "Politicamente MUITO correto".
Conchinhas pequenas, daquelas fechadinhas, que nós brasileiros nem damos muita bola, a não ser gente que adora artesanato com conchas, caixinhas, porta-retratos, tudo de gosto duvidoso!

Fiquei de bem com o guia, ele estava só avisando que as conchinhas não poderiam ser tocadas.

Então o rapagão pára o jeep na duna mais espetacular e enorme, pega as pranchas e começa a passar cera.
Eu já andava preocupada, qualquer erro poderia acabar com minha coluna que já é bastante comprometida.
Aquela cera ia acabar com uma linda "saída de praia preta", e eu não estava a fim de ficar manchada.
Ele me avisou que não manchava, e disse que se eu já tinha pulado de "bungy jumping", a descida seria fichinha, aproveitando para explicar que o breque seria nossas mãos. "Qualquer problema, enterre as mãos na areia". "Vá! disse ele, isto é melhor que sexo"!Meu Deus, pensei... este cara, com jeito de lutador de vale-tudo, está me paquerando?!?!
Fui e adorei! O problema foi voltar, lá em baixo, no final da duna a areia é tórrida e fiz algumas bolhas nos pés, colocava a prancha, pisava em cima e andava mais um pouco.

Para mim uma vez estava ótimo, meu marido, porém, desceu umas 5 vezes e enquanto isto me restava conversar com o instrutor, que no meio do papo me solta um arroto FENOMENAL, aqueles com eco e direito a cheiro de salame.
Socorro pensei, são 11 hrs da manhã, o que será que este homem comeu? O arroto foi chocante, mas já havia sido prevenida de que eles arrotam mesmo sem a menor cerimônia, o tempo todo.

Nisso meu marido subia a pé pela terceira vez, já que eu estava prevendo mais algumas descidas, continuei a conversar. Não é que o fofo arrota de novo com mais potência!!! Ele diz "sorry", eu respondi:- "it's OK".
Foi então que não contente com os próprios arrotos, solta um pum daqueles, mais alto que os mencionados arrotos e aí a coisa foi pior que salame amanhecido!
Sentindo-se na obrigação de uma explicação mais detalhada, ele diz com uma simplicidade fina, corretíssima: -
"Onions make me fart and burp" (cebolas me fazem arrotar e - desculpem a má palavra - peidar).

O leitor nesta altura do campeonato sabe que falo muita bobagem, mas esta palavra me recuso.
A vontade que tive foi de manda-lo pegar as "bitucas" tão "politicamente corretas" que estavam na bolsinha, enfia-las no cu.

Obviamente minha intenção era "matar 2 coelhos com uma cajadada só", manteria sua praia imaculadamente limpa e fariam a função de uma rolha, fazendo-o parar de peidar na minha cara! Coisa mais "incorreta"!

É... cada país com sua originalidade e peculiaridade!



Quinta-feira, Abril 24, 2003




SAUDADES DA BAHIA


Bahia cantada em prosa e verso; decantada em cerveja gelada!
Sol o ano todo, bom humor, gargalhadas! Que povo hospitaleiro, musical!

Lá morei 4 anos, me tornei cidadã de carteirinha e PHD.

Jorge Amado, chamava de Jorge, Gilberto Gil de Gil, Caetano e assim por diante.
Só não peguei o sotaque, que é bem sutil.
Não é o que o paulista pensa e as novelas globais mostram. Isto é Pernambuco, Ceará e adjacências.

Saudades do rapaz!
A Bahia é o único estado que tem "o rapaz", ou melhor, não tem o rapaz.
Nada funciona! Claro o rapaz não veio, o rapaz esta adoentado e assim você fica sem fogão, sem geladeira, sem TV a cabo...Tudo por culpa do rapaz, dessa vez ele está de licença (maternidade).

Segundo meu marido, a Bahia só tem 3 defeitos: o rapaz, o coentro (colocam em tudo),e a Q.boa ( andaram manchando umas camisas dele).

Saudades da amiga chiquérrima, morena e linda.
Fora do peso, me avisa que está de dieta, por isso está tomando somente refrigerante aidético...
"Pistola de vison" também cheguei a ouvir.
Não é privilégio de Rosane Collor não, a fulana que tomava refrigerante aidético, queria uma "pistola de vison" pois ia para Niorque (traduzindo: New York).

Saudades da amiga (tinha a língua "prresa") que certa vez me convidou para uma festa!
Festa boa na Bahia não falta.
Esta festa ela oferecia anualmente "parra" Gósminho.
Meu marido viajando, eu entre uma cerimônia paulista e um pouco de preguiça liguei para outra amiga dizendo que não iria a tal festa. "Afinal nem conheço o tal homem que será homenageado".
Ela me pergunta: - Quem é?
E eu respondo: - Um tal de Gósminho.
Com palavras entrecortadas pelo riso ela me responde: É Cosminho, de Cosme e Damião!

Ah, vá merda!! Que intimidade é essa com o santo, oh xenteeeeeeeeeeee! Como é que eu ia saber?

No elevador do prédio o comentário era geral! Doloroso, condoído.
Fulano morreu!! Tão moderno...o porteiro me conta também:- Seu Erasto (eles nunca chamam Erasmo, os nomes são sempre muito mais elaborados do que aqui no sul ) então, seu Erasto morreu...tão moderno!
Eu já me encontrava num estado de nervos deplorável. "Puta da vida" para ser mais precisa!
Afinal há tanto tempo morando nesse prédio e não cheguei a conhecer a tal figura moderna... devia ser cantor, ator, escultor e super moderno ! Adoro gente moderna!
Demorei um pouquinho para me dar conta de que moderno significa moço...o tal dicionário de baianês até que ajuda, mas na época não existia!

Foi na Bahia, que vi num almoço de domingo, casa de gente famosa devo dizer, cerveja geladíssima e de repente um copeiro passando uma bandeja cheia de copinhos com um liquido marrom.
Na mesma hora pensei, "baiano é mesmo louco"...imaginem tomar "meia de seda" ( pra quem não conhece, um cocktail pra lá de fora de moda, fortíssimo).
Vão ficar de fogo, todos!! E não é que aprendi a tomar caldinho de feijão no copinho? Uma delícia!

Saudades de Rógerio, professor de hipismo de minhas filhas.
Na hora de trocar ou comprar cavalos (quem conhece hipismo sabe), tudo é muito complicado, os cavalos são filhos de fulano de tal, levam nome e sobrenome, netos de sicrano.
Isto significa que sendo filho de fulano (algum cavalo famoso) tende a herdar as características do pai.
Só que "Roger" não concordava muito e dizia:- "Isso não quer dizer coisa nenhuma... Cavalo que vai ser bom e mulher que já foi boa, não vale nada".

Saudades do marido morto de minha amiga. Morte súbita!
Baiano, um tantinho fofoqueiro, começa a especular: - Matou-se o pobre; pegou a mulher na cama com "outra"... ai, meu Senhor do Bonfim!!
Vamos todos ao enterro. Enterro na Bahia é coisa demorada (como tudo), me senti dentro de um livro de Jorge (o Amado).
Cemitério da Saudade ou da Saúde, não lembro (se for da saúde é ótimo), gramado verdinho, a viúva colocada em uma tenda, sentada numa poltrona, recebia as condolências, também demoradas, afinal não deve ser "bem" falar somente meus sentimentos ou meus pêsames, tem que ter um palavrório.
Eloqüentes e discursivos, falam bem, e quem quiser que espere na fila, 40° à sombra, para discurso próprio.
O que mais me chamou atenção foi o de uma senhora à minha frente... "Amiga"... disse ela... "perder um homem bom desses, um homem que nunca fez mal a ninguém, pessoa tão distinta!! E eu com aquele corno, filho da puta lá em casa, que não vale nada e não morre!!!"

Saudades de Lu e Hideo, grandes e queridos amigos.
Saudades também da casa deles na praia de Buraquinho. Sem mentir posso dizer que é um dos lugares mais lindos que já vi.
É onde o Rio Joanes se encontra com o mar.
Acredite quem quiser, mas a paisagem se modifica 24 horas todos os dias.
O mar escoa ficam a areias e logo vem o rio namorar o mar, e quando se encontram, um verdadeiro espetáculo para os olhos se apresenta.
Espetáculo incansável, pois o namoro acaba, a maré baixa, vem a areia, a maré começa a encher e o namoro recomeça.

A maré estava baixa, numa ocasião.
Hideo, Lu, Luiz e eu estavamos na varanda comendo aqueles acarajés pequenininhos, deliciosos regados a cerveja, quando avisto um negão enorme se aproximando pela areia, com a boca cheia de dentes, sorrindo.
- Dr. Hideo, meu Rei, diga aí!
- Oi, Picasso, tudo bem? respondeu Hideo que é paulista.
- Mais tarde venho trazer uns peixes pro senhor...
- Venha sim Picasso, vou estar por aqui.
- Até mais tarde Dr. Hideo.
- Até... mande um abraço pra Bucetilde (Bucetilde é a irmã de Picasso)!!!

Este outro, me foi contado por um amigo gozadíssimo... baiano, é lógico.

É sobre Zé Pedro, do interiorzão da Bahia, quase divisa com Minas.

Zé Pedro era apaixonado por nada menos que John F. Kennedy.
Sua esposa Maria do Socorro, também admirava o Presidente americano.
Lá pelos idos de 1963, Maria ficou grávida e Zé Pedro não teve a menor dúvida. Não só o garoto levaria o nome tão ilustre, mas também JFK seria o padrinho! Mais do que depressa escreveu para Casa Branca convidando o Presidente para batizar o garoto. Um assessor qualquer da "White House", respondeu!!!
A carta dizia que o Presidente não tinha a mínima intenção de vir ao Brasil, mas se aqui viesse ficaria muito honrado em apadrinhar o menino.
Zé e Maria da Conceição, deram o Presidente como membro da família.
Dia 22 de novembro de 1963 chegou.
José chega em casa desassisado, quase louco.
"Maria, minha filha, Presidente John Kennedy acaba de morrer assassinado em Dallas - Texas, nos Estados Unidos!"
Maria faz cara de horror e responde:- E como estará "cumadre Jaquéline" numa hora tão difícil como essa???

Como não amar este povo que é acima de tudo é inteligente e sagaz, canta, dança, interpreta, te recebe como Rei e até lhe chama de Meu Rei, a mesa farta deles é sua, os "causos" compartilhados com você?

Me perdoem as brincadeiras divertidas. Vocês realmente não nascem... estréiam... e eu tive o privilégio de estrear aí com vocês por uns anos. Foi mágico!

E reparem, Deus quando criou a Bahia, devia estar de ótimo humor!!!





RIO DE JANEIRO

Ah! Rio de Janeiro!!!
Lá morei quando criança e depois de casada. Quatro anos. Quanta saudade!
Não consigo nem enxergar os defeitos do Rio, a beleza é tamanha, e eu parcial como sou, defendo e amo.
Rixa de paulista e carioca pra mim nunca existiu.
Se para outros já, hoje considero fora de moda.
Paulista adora ir ao Rio e carioca vir a São Paulo, pra jantar fora principalmente e dar uma xingada no trânsito, que é mesmo insuportável.

Quando o avião vai descendo..."Cristo redentor braços abertos sobre a Guanabara"...
Meu coração dispara.

Aliás, nunca existiu nada mais carioca que Tom. Quantas vezes o vi no Plataforma tomando um ou alguns choppinhos...
Fiz "a fina" e nunca me aproximei, hoje me arrependo, poderia ter falado com ele como já fiz com Gil e foi memorável!
(Eu mesma não estou acreditando na intimidade Gil, Tom... Afinal somos unilateralmente íntimos, já que, fizeram parte de minha criação e juventude).

O Rio deixa saudades, sempre. O carioca também.
Ser carioca é realmente um estado de espírito.
Menos festeiros que os baianos, mais que os paulistas, encontram um bom equilíbrio.

Peço um aparte, meu povo carioca: Vocês que elegeram, com votação mais do que expressiva nosso atual presidente, têm por obrigação ensina-lo a falar o plural. A crítica é construtiva, torço por ele, mas a omissão dos "esses" incomoda demais, e vocesss são especialistassss no assunto, portanto, mãosssssss à obra...

No Rio deixei amigos queridos e até um afilhado que está pintando ser sensível, musical e inteligente.
É sobre a mãe dele, minha querida amiga Ilka, que vou contar esta passagem, quase que "passagem desta para melhor".
Era fevereiro, a praia do Leblon (onde morávamos), fervia, 40° à sombra.

Minha primeira filha tinha pouco mais de um mês, e mesmo em tão tenra idade não dormia depois do almoço.
Neste dia ela resolveu dar um "brake" e dormiu profundamente.
Liguei pra minha amiga, para darmos um mergulho.
Ela não parecia ter tido recentemente gêmeos e eu que saio da maternidade com meu peso normal não demonstrava, tampouco ter um bebê de um mês.

Saímos "nos achando". Biquínis minúsculos, uma sensação incrível de liberdade, já que os gêmeos não davam sossego e minha linda filha não dormia.

Cangas ao sol, bronzeador, pente, batom, tudo que tínhamos direito pra uma horinha de sol.

Lá pelas tantas ela resolve mergulharrr.
Eu, gata que sou, morro de medo de água gelada, resolvi esperar mais um pouquinho, mas estava realmente muito quente.
Nadava bem minha querida amiga! A danada passou a arrebentação, nadou até alto mar e veio nadando de volta, quando resolvi que já estava mais que na hora de mergulhar também.

Entrei no mar, ela vinha voltando, passei a arrebentação (nado bastante bem, sem falsa modéstia) e pensei então que já era hora de voltar.

"Then, the shit was in the fan", traduzindo:-"Aí, foi merda no ventilador".

Não conseguia voltar. Por mais que tentasse, as ondas me levavam de volta e numa tentativa desesperada comecei a acenar e gritar por socorro.

A gata entretida, penteando os longos cabelos lisos, me respondia com tchauzinhos!

Puta merda! Será que a idiota pensa que sou mineira e estou vendo o mar pela primeira vez, dando tchau de alegria e prazer?

Devo dizer que adoro Minas, sou apaixonada pelos mineiros e o sotaque não tem nada melhor no mundo. Aliás, imito com maestria!
Mas, convenhamos... Mineiro quando se depara com um "marzão besta" na frente, fica atônito; agacha, toma "banho tcheco", ou seja; lava o pinto ou a tcheca (a tcheca sendo minha, ou de alguma amiga mineira, chamo como quiser), jogam água em quem estiver ao lado, dão corrupios de pura felicidade e excitação.

Ela, realmente estava pensando que eu era paulista tipo mineirinha.
E olha que eu já morava no Rio há dois anos, sem contar os cinco na infância.
Continuava a acenar sorrindo e eu... Morrendo!

Só quem já viu a morte de perto sabe do que estou falando.
Um filme de nossa vida passa pela cabeça e eu só conseguia pensar que ia morrer.
Meu marido se casaria de novo? E será que a futura noivinha gostaria de minha filha? Iria pelo menos tratá-la bem?!

Eu já havia entregado a alma a Deus.
Decidi deixar de lutar contra a corrente e pensei que se conseguisse me manter calma talvez fosse parar em Niterói.
Não é que vislumbro a vaca me dando tchauzinho de novo? Cacete!!!

Foi quando senti uma mão forte me pegar
Grudei no homem de tal sorte, que quando ele disse: - Já estamos na areia!... não conseguia solta-lo.
O salva-vidas contou que eu havia pego uma "vala" (foi a primeira vez que ouvi esta palavra neste sentido; eu chamo de rodamoinho) e que sozinha não voltaria nunca.
Eu ainda agarrada ao fulano, não porque ele fosse um tipo Gianechini (será que se escreve assim?); e ele era... Era de pavor, mesmo.

Hoje, já escolada, talvez simulasse um semi-afogamento pra fazer uma respiração boca a boca, sei lá.

Minha amiga me olhou com os olhos esbugalhados e disse:- Nossa, pensei que você estivesse se divertindo "a beça"!
- Não! Estava pedindo socorro!
Na verdade, ninguém me convence que ela deve ter pensado que eu era dona de um espírito "minerin".

Olha aqui menina, sou carioca! De coração!!!



Sexta-feira, Abril 18, 2003




PEZINHOS DE ANJO

Amigos a gente escolhe, parente não.
Tenho, porém, uma prima que é muito mais que uma grande amiga.

Calculo que todo mundo tem na vida alguém que ame, confie, aquela pessoa com a qual não se faz a menor cerimônia por puro amor e cumplicidade e o melhor de tudo: a plena certeza de ser correspondido incondicionalmente. Tenho isto com minha prima Fernanda, ela é um amor!

Tentei fazer dela uma "perua" em algum lugar no passado, mas o tempo passa e as pessoas encontram o estilo próprio e ela é hoje "casual".

Segundo um tio nosso, ela é a única alfabetizada da família, médica nefrologista, realiza transplantes renais com grande sucesso.

Mas quero mesmo é falar dos pés de Fernanda.
Que par de pés! Brancos como a neve, lindos, delicados e... sensíveis.

Estes pés já foram quebrados, luxados, ambos já tiveram os ligamentos rompidos e torcidos inúmeras vezes.
Algumas vezes engessados, outras não. Como boa médica não dá muita bola.
Eu mesma já os imobilizei numas férias, não tínhamos tempo a perder com consultas e médicos. Ela então entregou de bom grado seus pés aos meus cuidados, descuidados.
Imobilizei-os de tal maneira que, acordo de madrugada com a criatura chorando, sonhando que estavam lhe cortando os pés!

Quando olhei, pensei... vão gangrenar... tão inchados e roxos que estavam.

Sem contar o dia que resolvi leva-la ao Dr. Scholl. Quando passaram aquela lixa... Senhor!!! Ela voltou em bolhas. Seus pés são do mais puro cristal!

Paro um pouco de falar em pés, pois estou me tornando maçante.
Até porque me refiro a eles sempre no plural. Como não faze-lo? Ela sempre machucou os dois!

Minha prima ficou viúva há pouco tempo.
Ficamos uns poucos dias juntas.
Celebramos a vida e ela começou a superar este trauma absurdo que é a perda de alguém muito amado.

Resolveu então pegar a filhinha de onze anos, que por sinal é uma graça, inteligente e amorosa e foram passar umas férias em um resort na Bahia.

Tudo estava correndo às mil maravilhas, céu azul, mar, peixe frito, e Lelê (a filhinha) se divertindo como nunca!

Fernanda, observando a menina brincar na piscina, tomando uma cerveja gelada, resolve que precisa ir ao banheiro.

Quem gosta de cerveja vai entender bem a preguiça que dá levantar para o 1° xixi, mas tudo tem seu preço e ela foi.

Achou interessante a arquitetura local, ao invés de escadas havia uma rampa íngreme... Felizmente, ela só caiu na volta, se não teria urinado in loco.

O tombo foi lindo!

Lá vem pé de novo!!!

O esquerdo ficou com a unha do dedão pendurada e o direito foi torcido.

Ela correu para enfermaria e ficou encantada com a "expertise" do rapaz!
"Aquele" rapaz baiano que nunca aparece... Naquele dia (felizmente), estava de plantão.

Terminou de arrancar-lhe a unha, fez um curativo, um tanto exagerado devo acrescentar, e imobilizou o outro, o torcido.

A pobrezinha passou assim quase 20 dias.

Leu todos os livros que pôde, na falta do que fazer comeu mais do que devia e segundo ela estava ficando obesa (coisa de mulher histérica, pois deve ter sido dois ou três quilos).

Irritada, cheia, um belo dia acha que já esta bem e resolve caminhar, queimar calorias.
Andou aproximadamente 4km.

Percebeu então que não somente os pés estão doendo muito, como também a praia era totalmente deserta!
Apavorada, com dor, avistou um automóvel ao longe.
Um Simca Chambord - 66, pra ser mais precisa.

Foi de encontro ao carro, no intuito de pedir carona e ao chegar...

Viu um rapaz moreno que estava dentro do veículo bastante sorridente.

Moreno para os moldes da Bahia, e afro-brasileiro bem dotado, para os moldes do Sul.

Digo bem dotado porque sei!

Ao se aproximar ela percebeu que além de estar sorrindo com cara de canastrão tipo "cigano Igor", estava com os documentos de fora se masturbando!!!

Esquecida da dor, saiu correndo, imaginando ser estuprada ali mesmo.
Mas também àquela altura, uma dor a mais uma a menos...

Vai aí meu recadinho:- Te imagino fora do peso, sem uma unha, um pé torcido, mancando e ainda deixando um cara louco de tesão!?

Ah! Vá ser gostosa assim..........Lá longe!






CARTA PARA MEU IRMÃO


Querido Gabriel,

Adorei e acatei seu e-mail sobre a guerra sem violência!
Não vou tomar Coca-Cola, vou avisar as meninas para não irem ao MC Donald's. Gostei da parte que você cita Ghandi, figura linda!!!!!!

"Me conta" um pouquinho: Audi é americano? Se for, já fiz a cagada!

O caso é que o Luizinho trocou a Cherokee por um Audi A3. Bonitinho o bichinho. Compacto, confortável, bom de dirigir, enfim... eu fiquei feliz da vida.

Resolvi então perguntar a opinião do nosso motorista, afinal foi o 1º a dirigir para levar Paula ao colégio às 6h da manhã.
Coisa impossível de ser feita por mim, por razões óbvias.

Quem diz que acorda às 5 horas da manhã está mentindo (na minha cabeça).
É como gente que diz saber tocar violino. Eu acho que tem uma gravação atrás, de um ou dois loucos no mundo que sabem ou já souberam tocar, e o concertista dubla, finge que toca (na minha cabeça, sempre cheia de elucubrações insanas e insones).

Voltemos ao assunto principal: o carro.
Perguntei então a opinião do Valtinho, o motorista, que me respondeu um lacônico... Gostei! (primeiro tapa, esperava uma resposta mais efusiva).
Já as meninas foram bárbaras: - Puta carro metido a besta, coisa de perua emergente, A3! Com duas portas! Credo! (segundo tapa).
Fui então levar a mamãe a uma de suas costumeiras e rotineiras consultas ao médico.
Rosana, nossa irmã, por obra do espírito santo, resolveu ir junto.
Convidei então as duas para almoçar aqui em casa e chegou a hora da consulta.

Cabe aqui lembrar que Rô atualmente é membro honorário e "patronesse d'honneur" de uma favela, está toda prosa.

Como manda a etiqueta e mamãe sendo mais velha com inúmeros problemas de coluna, patronesse se acomodou atrás.
Mamãe demorou um pouco e sentou-se na frente, já com a 1ª reclamação: a Cherokee era muito alta para alguém "colunável" se sentar, o Audi muito baixo.
Provavelmente, minha filhinha Paula tenha abaixado o banco para repousar, pois quando mamãe se sentou esmagou Ró (como é chamada pelos nossos amigos baianos), que continua ligeiramente fora de peso, de tal maneira que a dita cuja me solta um pum e começa a gritar por socorro.

Ao invés de se sentar atrás do motorista (no caso euzinha, que com toda esta estatura que Deus me deu, uso o banco quase nada pra frente), se aboleta onde é mais fácil, atrás do passageiro e é literalmente esmagada.
Em meio aos gritos eu olho pra trás e me lembro do Reizinho (quadro do Jô lá pelo fim dos anos 80... Sois rei, sois rei).
Mamãe nervosa tentou sair do carro, operação que levou uns 3 minutos enquanto Rô começou a desfiar todos os impropérios sobre meu carro novo: - Merda de carro, não cabe uma pessoa normal atrás, caralho!!!
Tirei nossa progenitora, puxei o banco pra frente e patronesse se acomodou, sem deixar de xingar, obviamente.
Resolveu então depois do sufoco fumar e carro de duas portas tem uma janelinha traseira de merda (comentário da fumante)!

A consulta da mamãe transcorreu sem maiores problemas, até que o cardiologista resolveu elogiar o coração da paciente.
Ela respondeu que ficava admirada de ter o coração em perfeito estado depois de tudo que passou na vida.
Fui obrigada a pedir: - Omita os detalhes, pois já estava antevendo uma consulta de 2 horas, se ela resolvesse contar a vida.

Terminada a sessão, sem antes dizer que o médico era lindo, na frente dele, coisa que o doutor adorou, nos preparamos para a volta.

Mamãe você conhece, com sua generosidade habitual, já se sentou atrás para que nossa querida gordinha viajasse mais confortavelmente.
Sua coxa esquerda batia no câmbio, ela levantou a lateral, sempre comentando que carro pequeno é uma merda.

Chegamos enfim em sua casa, ela desceu e aí foi que a coisa ferrou de vez.

Mama não conseguia sair do banco de trás, falava que o carro era baixo, as costas doíam.

Levantei-me e juntamente com patronesse, resolvemos puxar a mamãe: Missão Impossível!!!
Com paciência resolvi dizer: - Venha com o bumbum bem pra frente, depois firme o pé direito no chão que está perto!
Maldita idéia! A "operação bunda pra frente" fez ela escorregar para o chão do carro e ficar entalada, balançando as pernas e evocando "São Judas Tadeu" seu preferido, com uma cara de quem ia chorar, porém o ataque de risos meu e da nossa querida benemérita foi tão grande, que a Mama resolveu rir também.

Assim a coisa piorou bem. Quando a gente ri solta o corpo, aí era só entregando pra Deus ou para o próprio São Judas, porque dali não saía tão cedo!!!

Saiu finalmente, não podendo evitar de tecer alguns comentários: - Imaginem carro que não se pode sair de dentro (sem palavrões, estudante do Colégio do Patrocínio de Itu e do Sttaford, não diz palavrões).
De quem será que puxamos?
Na verdade não é característica sua, eu e Rô que gostamos e o carro novo que o diga, "Se meu Audi falasse!"

Escrevi tudo isto para ver se de você recebo algum apoio, senão vou entrar em depressão já que o referido automóvel é "persona non grata" na família e só tem a mim para defende-lo!
Sabe Biel, é bonitinho, azul-marinho, "chic" (olha eu fazendo o marketing pessoal em nome do automóvel).
Conto com seu apoio, você que tem o espírito tão elevado, religioso, sempre ponderado e amigo, nem palavrão fala, não bebe, parou até de fumar, quantas qualidades!

Ah! Coisa melhor acabo de descobrir: Audi é marca Alemã!!! Wunderbar!!!







LADRÃO DE LIVRO


Todo mundo tem afinidade com certos nomes.
Eu tenho e faço associações, por exemplo: todos os Marcelos são levados, Paulos são meio retraídos e vai por aí a fora.
Isto se chama "old wife's tale". Estórias de nossas avós, do tipo manga com leite faz mal.

Coincidência ou não, adoro Márcias!

Márcia Clay (que a ordem dos adjetivos não altere o produto), bonita, simpática, educadíssima, inteligente, é sempre um prazer estar com ela.

Márcia Jaf, não menos bonita que a primeira é também adorável, inteligente, simpática e ainda quebra uns galhos do tipo, se você tiver uma visita pouco conhecida e quietinha, a Márcia consegue ir até a pessoa, conversar sobre qualquer assunto e no final, a criatura já lhe contou a vida e Márcia a manteve entretida!

Márcia Cec... ooops... aqui é Márcio, é homem, homem com H, tão querido quanto as mulheres, não tem nada de bicha, mas...que lado feminino.

Lado femininio é coisa de Pepeu Gomes??!!

Não acho, meu amigo Márcio adora estar perto das mulheres, conversar, saber o que lhes vai à alma. Inteligente, engenheiro, e...escritor.
Faz parte de um grupo de escritores e trocam contos, estórias, crônicas, fazendo críticas uns aos outros, acrescentando coisas.
Márcio é simpático, perfil aquilino, olhos sagazes e uma boca, ai que bocão...
Digamos que você queira espalhar uma fofoca bem apimentada; aí vai a receita:- Ligar para o Márcio (aqui deveria constar seu número de telefone), contar a fofoca e pedir que não conte a ninguém. Em 24 horas, São Paulo sabe a estória toda, por isso digo que tem um lado feminino. Mas é um amor! Adoro ficar perto dele.

Ele é também a balança da turma toda. Como sua mulher é magrinha, do tipo que não tem a menor tendência a engordar, ele se aproveita disto e avisa quantos gramas as mulheres alheias engordaram nos últimos meses.
Tudo com muita delicadeza e sutileza...

Ele registra no computador de sua mente lógica, e quando encontra a pessoa mais magra diz:- Agora sim, você emagreceu... está gostosa, você estava imensa!!

Isto tudo são detalhes, o Márcio é o Márcio!


Venho eu, de uns tempos pra cá, tendo a pretensão de escrever algumas crônicas, e já tendo escrito umas sete (sem reler ou corrigir, a não ser as correções óbvias do computador), tive a coragem de entrega-las ao Márcio para ouvir sua devida apreciação (foi mesmo um ato de coragem!).
A única coisa que pedi foi: "Leia todas e depois me diga o que achou".
Particularmente acho-as engraçadas.

Ele leu todas, seriíssimo... Eu já estava mais que preparada para ouvir: "Moniquinha, vá dançar balé como você fazia há uns anos atrás!

Ao contrário, ele adorou, nas devidas proporções (erros de concordância, pontuação). "Mas são ótimos", disse ele.
Ai, eu fui crescendo pois me comparou a Danusa Leão (amei), disse que sou politicamente incorreta (amei mais ainda), e que poderia ser processada ( ai... delírio total). "Mission accompli". Imaginem um tipo Paulo Francis!!!
Adorei ouvir tudo isso e para meu prazer, disse que adoraria escrever a contracapa!
- Valeu amor, você vai escrever!

(Como amigo é pra essas coisas, tomo emprestada aqui uma estória verídica sua, permite? Ah! já roubei!)

Márcio tem uma casa na praia, que adora. Sem ser fã de peças "começo de século", "deco", "nouveau" e nem tampouco algo modernoso como um Philip Stark, a casa é bem simpática.

Uma ocasião foi assaltada. Levaram tudo que puderam, de eletrodomésticos a um computador de dar inveja a qualquer internauta, um tufão!
No computador, Márcio como bom escritor, tinha arquivado alguns contos e um livro inteiro (começo, meio e fim, sem fazer nenhuma cópia).

Livro bom, desses que a gente começa e não pára de ler.
Pois a tristeza foi esta, no tufão estava o livro, agora perdido. Um "thriller", maravilhoso!

Márcio mais que depressa, vai pra praia e faz as perguntas costumeiras ao caseiro, fofoqueiros em geral, explica com riqueza de detalhes:- O vizinho do lado, alugou a casa para umas pessoas meio suspeitas, este tipo de gente que "queima fumo", sabe? disse o caseiro.

Meu amigo escritor foi à polícia, fez boletim de ocorrência, e injuriado deu o precioso livro por perdido.

Nada como o tempo para curar as feridas! Márcio já estava escrevendo outros livros, nem pensava mais no roubado dentro do computador.

Um dia caminhando pela praia com a mulher e o cachorro foi abordado por uma adolescente, com papel e caneta na mão, lindinha por sinal!
- Seu Márcio, o senhor pode me dar um autógrafo? O senhor não é aquele escritor famoso? perguntou a garota.

O sucesso é mesmo inebriante...

Márcio deu o autógrafo, sorriu e demorou um tempo para deixar cair a ficha: o tal livro não havia sido publicado! Como então ser chamado de escritor famoso?

A garota que fazia parte da gang que roubou o computador, gostou do livro "Hitchcockiano" do Márcio!

Como a primeira transa, o primeiro porre e o primeiro sutiã, acho que a gente nunca esquece o primeiro fã!





Dr. IRAN

Ivon é seu nome.
Amigo querido, daqueles que quando somem, e de vez em quando some, a gente sente saudades.
Saudade da companhia, do bom papo, de seu gosto por uma cerveja gelada, de sua musicalidade...(entende do assunto, sabe tudo).

Ivan é bom coração, gente boa mesmo (cabe aqui uma explicação: esse personagem muda de nome algumas vezes).

Fazia um frio de lascar e Ivan terminara de fazer uma sopa de mandioquinha-salsa, daquelas cheirosas de dar água na boca, cozinha bem meu amigo! Toma a sopa pensando no pobre do segurança..."Que frio deve estar sentindo o guarda dentro daquela guarita gelada"! Não pensa duas vezes, prepara uma bandeja, prato fundo, sopa fumegando, colher, guardanapo, generosidade tem de ser completa... E leva para o segurança.

Fica, porém, meio confuso: era outro guarda.

"Como sou desligado, recebi uma circular que iam mudar a segurança da rua, achei que seria a semana que vem, devo ter confundido as datas", pensa ele, já se apresentando: "Boa noite, sou Ivon do 202, achei que uma sopa quente cairia bem com esse frio todo!"
O guarda arregala os olhos como se tivesse visto um ET, aceita a sopa e Ivon ainda diz para o segurança não se incomodar, amanhã devolve a bandeja!

O guarda? Não! Este estava amarrado, amordaçado e deitado no chão da guarita. Quem recebeu e, diga-se de passagem, adorou a sopa, foi um bandido, ex-detento, que tomava conta do local, enquanto o resto da gangue ia assaltando, a mão armada, toda a vizinhança.

Ivon Carlos volta pensando em assistir um filme que alugara, um misto de ação, romance e comédia. Ouve um barulho e pensa: "Coitado do guarda veio devolver a bandeja."
Não era o guarda, era a quadrilha que adentrava. Todos armados, mandando todo mundo calar a boca senão passavam fogo.

O da guarita, felizmente (ou não) estava junto.
-Hei, calma aí gente, esse é o Dr. Iran, o cara da sopa que eu falei. Pega leve, é gente boa! Sem coronhada, sem socos, disse o Dedinho.

Dedinho era a alcunha do da guarita. Não tinha o mindinho e de raiva, às vezes, cortava dedos de quem assaltava.

A quadrilha era distinta!
Dr. Iran não deixou transparecer o pânico.
Artista que é, disse para patroa: - Prepara um prato de sopa pra eles! Vamos tomar um whisky enquanto isso, tá tão frio!

Um deles disse: - Pera aí, a dona vai chamar é a polícia!
- Não! Disse Dr. Iran. Vá ver, nem tem extensão na cozinha, ela vai fazer mais sopa, vamos tomar um whiskinho enquanto isso.

Lá pelo 3°, Dr. Iran já fazia parte da quadrilha. Dizia que não tinha dólares, nem jóias: - A patroa não gosta.
Mas tinha a aliança de casamento, DVD, TV, Som, eletrodomésticos. Ah! Isso tinha de monte!
- Devo ter algum na maleta, sempre retiro um pouco de dinheiro do banco para o fim de semana, prosseguia dando idéias aos bandidos.
Nesta altura, a conversa rolava solta e cada um deles contava a passagem pela penitenciária, quantos já tinham matado, parecia competição, o mais mansinho havia matado só três.
Dr. Iran, super interessado, escutava atento.

Regalaram-se com a sopa, aquecidos pela bebida e o bom papo do Dr. Iran, Dedinho se desculpa, mas já é hora de partir: - Ainda temos umas casas pra entrar; daqui não levamos nada. Dr. Iran, o senhor é gente boa, sangue bom, a mulher também é legal!
Dizendo isto Dedinho dá a voz de comando e ainda dois beijinhos na patroa.

Aliviados e trêmulos, mal conseguem dormir aquela noite.
- Poderíamos estar mortos a essa hora!
- Não, pensava Dr. Iran, que já defendia os amigos, são boas pessoas, só não tiveram oportunidade na vida.

Uma semana se passa, a família já havia esquecido o incidente, quando toca a campainha, quem vem de visita?

Dedinho!
Dois beijinhos na patroa, foi entrado na cozinha.
Lavou a louça, colocou o pano de prato no ombro e disse: - Dr. Iran, me agradei de sua pessoa. O senhor é um amigo de verdade. Faço o que o senhor mandar e se tiver algum desafeto é só me avisar, apago!

Assim termina a estória do Dr. Iran, que pôs a casa à venda imediatamente, mandou as crianças pra casa da sogra (pra isso é que elas servem, afinal) e mudou-se para um bairro distante, onde mora até hoje.

Evito aqui, querido leitor, mencionar o bairro, o que é uma pena, pois privo vocês de conhecer o Dr. Iran.
Por outro lado... Vai que esses contos que venho escrevendo, façam sucesso e caiam nas mãos do Dedinho!

E para falar a verdade não quero dividir meu amigo, Dr. Ivo, com mais ninguém!!!



Quinta-feira, Abril 17, 2003




MEU MARIDO


Ah! Que marido!
Ele é inteligente, bonitão, charmoso, "se acha um pouco", mas neste mundo de hoje onde 30% dos homens são bichas, 28% bissexuais e 27% impotentes, tem mais é que se achar mesmo!
Ouvi esta estatística caminhando numa praça perto de casa, três senhoras, pra lá de repuxadas comentavam isto, enquanto andavam depressinha para manter a silhueta e tentar pescar alguém disponível à noite.

Ele possui um raciocínio lógico incrível, é um homem bem sucedido e pra falar a verdade não o trocaria por 2 de 25.
Acabou de fazer 50 anos e está adorando... não sei como pode, quando eu fizer, e estou meio perto, devo ficar 2 dias na cama, deprimida!
Ele não, está mesmo adorando....
Devo aqui colocar alguns defeitos? Acho que não...
É claro que ele usa minha toalha de banho... até que a bobinha aqui resolveu colocar 3 toalhas no banheiro o que não adiantou, ele usa as três.
Joga cueca, meias, calça, tudo no chão.
É crítico como uma tia velha solteirona, mas nada disso é problema.
Quando ele levanta de manhã, acordo em seguida, sinto falta do calor de seu corpo.

Fiz uma festa de 50 anos, escancarando meu amor por ele.
Quando gosto, sou assim!!! Falo mesmo!
Fiz uma retrospectiva de sua vida e acho, acho pois nunca vou saber ao certo, que ele adorou!
É meio retraído, não comenta muito os próprios sentimentos, mas acho que gostou, e não gostou só disto, aprecia ter 50 anos e... decidiu adotar um filho!!!!!!
Temos duas filhas 20 e 16 anos, e não é que ele adotou um menino!!!
É o Júnior!
Na verdade ele sempre quis este menino, mas agora ele foi mesmo adotado.
O Júnior é um membro, não da família, do seu corpo...
Ele olha com adoração, acha uma bela peça!
Sabem aquele olhar de satisfação, tipo você nunca me faltou, nunca me deixou na mão? Um olhar de Kirk Douglas para sua amada Farinia em Spartacus!
Eu pensava que com o passar do tempo, a coisa iria acalmar...ledo engano! Piorou! Agora cinqüentão, ele está mais orgulhoso do que nunca, e o pobre do Júnior que agüente! Pobre de mim!
Na verdade, não posso reclamar, ele sempre foi assim, ele e o Júnior!
Nunca deram muito sossego a não ser numa ocasião... até porque eu me recusei a olhar na cara do Júnior, não que ele não quisesse fazer festa.
Talvez quisesse, mas fui firme, recusei terminantemente!

O caso é que meu marido viajou para África do Sul a trabalho por 15 dias ou mais, não me recordo. Quando chegou foi um acontecimento! Cheio de saudade, beijos abraços, presentes e, ETC...
O ETC foi muito interessante porque ele me confessou que estava sentindo algo estranho, alguma coisa que parecia estar saindo dele pelo cu ( devo dizer que eu e minha amiga Flávia há muito, desistimos de chamar cu de ânus, desde que o marido dela teve um probleminha, tipo uma inflamação lá mesmo e a gente fazendo cerimônia, dizia ânus e ficou tão ridículo, que a gente combinou que cu é cu, esta estória de anus é coisa de médico velho e careta. Aliás , gostaria de ouvir um médico falando cu, haveria de ser divertido).

Voltando ao marido, ele estava reclamando que tinha alguma coisa diferente nele, ele não conseguia explicar o que era!

Neste ínterim, uma amiga minha resolve se casar, depois de morar 15 anos com o cara e ter 3 filhos, no Rio de Janeiro, e eu não poderia deixar de ir! Afinal éramos e somos íntimas! O casamento seria no dia seguinte da chegado de Júnior e meu marido.

Fomos ao Rio, "Cidade Maravilhosa"! Graças ao bom Deus ficamos num desses hotéis 20 estrelas com cama King Size Master!
O marido bonitão resolve se dar conta e me mostrar o que estava acontecendo... coisas brancas, pequenas, até com um ar de limpinhas estavam saindo na cueca (Dá pra falar ânus numa hora como esta? Se der me corrijam, sou aberta a críticas), mas acho mesmo muito pomposo o tal de ânus, parece que estou falando latim !
Os ditos bichinhos saíam de vez em quando, andavam, e eram tão branquinhos!!!

Não é preciso dizer que fiquei em pânico, dormia na tal cama King Size Master bem no cantinho, quase caindo pra fora, morta de medo , e sonhando que os bichos subiriam pelas minhas pernas.
Obviamente, ordenei ao Júnior que se comportasse, ficasse quieto! Foi um pesadelo!
No dia seguinte voltamos para São Paulo e felizmente tenho uma amiga que é uma das donas de um laboratório muito famoso.
Mandei-o direto pra lá, só que a figura, decide colocar os bichos num vidrinho, por conta e risco próprios.

Minha amiga médica, nem exame fez. Perguntou onde ele havia estado. Imediatamente respondeu "África do Sul", então ela disse:- E você adora "steak tartar"? Ele respondeu: "Adoro, comi várias vezes!"

Então meu amigo, você está com tênias, são típicas em quem adora carne (ééca) crua. Eu também adoro disse ela, só que tomo Cestox! As tênias morrem dentro da gente e a gente nem se dá conta!

Já é difícil imaginar meu marido com tênias... mas uma médica chiquérrima como ela, que usa sapatos e bolsas "Prada" invariavelmente, conjuntinhos básicos Dior ou Channel! Ah, só pode ter tênias usando golinhas de vison!






MINHA ADORÁVEL IRMÃ


Ela é mesmo adorável!
Inteligente, culta, ponderada, linda! Estando uns 20 quilos acima do peso e cansada de brigar com a balança, há muito assumiu o corpão e não está nem aí pra torcida.
Quinze minutos de papo e poucos se lembram que ela está fora do peso. Culta como poucos, carismática, é uma das pessoas mais populares que conheço.
Seu telefone não pára e sua caixa de entrada deve viver lotada; deve não, vive.

Ela me abastece. Com ela me abro, me aconselho, rio, choro... enfim, ela é a irmã que qualquer um adoraria ter... desde que não esteja com fome, sono, não seja acordada e principalmente não lhe peçam nada que requeira muito exercício físico, tipo um copo d'água. Vá lá e pegue, será a resposta.

Não hesita em mandar ninguém praquele lugar. Gente muito importante até, e como recompensa, recebe uma "lembrancinha" da H.Stern.

Ela é ótima; poderia eu passar horas contando casos, mas me ocorre um em especial.

Temos uma amiga em comum cujo pai morreu cedo, a mãe casou-se novamente e depois de uns 20 anos se separou.
Lógico, o padrasto de minha amiga arranjou uma francesinha de 22 anos. Na época eu tinha 23.
A boneca importada era portanto, mais nova que a enteada e suas amigas...
Boneca importada é modo de dizer, a mulher era ESPETACULAR, 1.80 de altura, morena, olhos azuis, capa de Elle francesa!

Era aniversário do padrasto e ele, talvez para exibir o troféu, convida a enteada e suas amigas para jantar num restaurante da moda.

"La belle Nicolle", além de ostentar a beleza desenhada por Deus, usava um vestido preto justíssimo e um decote até o umbigo.
Lembro-me bem que conforme ela se mexia, os peitos apareciam. Achei aquilo o máximo! Depois viemos a saber alguns detalhes da francesinha, mas isso não vem ao caso. Neste dia seu único pecado foi ter levado o papai a tiracolo...
Um velho horroroso usando meias Kendal, inchadão, empapuçado de vinho, como bom francês.
E olha que eu gosto de um francês; até Charles Aznavour acho um charme.

"Le papa de Nicolle" era péssimo e pra piorar as coisas, o pobre não tinha um dos braços.
Não entrei em detalhes, não sei se perdeu na guerra, se foi acidente automobilístico ou se outrora, fora metalúrgico na França.

Como eu era a única que falava seu idioma, fui colocada ao lado do velho. Rasguei "o francês": Nice, Toulon, Menton, Toulouse, Perpignan, e o papo corria solto.

Subitamente senti algo no meio das minhas pernas, com os olhos totalmente esbugalhados descubro que é a mão do velho...
Aperto a mão de minha irmã e sussurro, pedindo socorro: este velho louco está passando a mão na minha coxa!
Sem hesitar ela responde: - AH! DEIXA VÁ, O POBREZINHO SÓ TEM UMA!!!!!!!!!!!!

Esta é minha irmã... Ela não é adorável???






MEU FINADO CUNHADO

Ele era ótimo! Às vezes...

Era tudo! Exuberante, alegre, amava a vida e desfrutava dela como se não houvesse amanhã.
Quando abusava das biritas era duro de agüentar, mas tenho que admitir monótono nunca foi. Um verdadeiro carrossel de emoções isto sim, com um coração que não cabia dentro do peito...Como toda pessoa especial, partiu pro andar de cima cedo! Mas viveu intensamente!

Uma ocasião, descasado, deprimido, sentindo falta dos filhos que haviam ido morar fora do Brasil, resolveu sair "à captura".

No primeiro bar que entrou viu uma loura cabeluda e bunduda, e entre um whisky e outro, resolveu aborda-la.

Ela, ultra-simpática, convidou-o a sentar-se, ele apesar de bonitão pensou..."estou com sorte, isso é muita areia para o meu caminhãozinho".

E a conversa rolando e os whiskys entrando goela abaixo.

Como diz o povo (e o povo raramente se engana) a bebida ajuda. As mulheres ficam cada vez mais bonitas, as contas mais baratas e o tempo não passa... e a conversa rolando.

Convidou-a para dançar e umas mil vezes repetiu:- "Você é uma tesão!". Falava assim no feminino e eu sempre achei engraçado aquilo, meio cafona.

Entre uma conversa e outra, combinaram um encontro para o dia seguinte. Trocaram endereço, telefone, tudo que é de praxe.

No dia seguinte vai busca-la para sair, trajetória que dura umas horas pois o endereço era meio estranho... coisa como Vila Uberabinha.
Perdeu-se, deu voltas e encontrou finalmente um conjugado, 8 apartamentos por andar, mas nada era problema já que ele estava antevendo uma noite quente de amor e muita sacanagem!

Chegando ao 7° andar, tocou a campainha e... só não enfartou ali mesmo por que Deus lhe reservara mais um ano e meio ou dois.

A mulher era cinqüentona, acabadona, dava a impressão de ter vivido em festa, aparentava 60.

A bundona, não era tão boa assim, larga demais, para ser sincera, despencada.
O que ajudava ou atrapalhava, ele já não sabia mais, era aquela cabeleira loira que agora ao vivo e a cores dava pra perceber 2 dedos de cabelo preto e o resto oxigenado.

A indumentária um show, vestido mini de crochê branco, um aplique de flores coloridas perto dos peitos, claro que caidassos , e outro aplique floral perto da barra.

Crítico como era, já estava perturbado, foi quando a loiruda virou e gritou bem alto: "Filhoooooooooooo,!!! Cuida da nenê que a mãe vai sair"!

O cunhado garanhão se deu conta de que a criatura (sapatos brancos combinando, detalhe imperdível, havia esquecido de mencionar) pois bem, a loura, possuía um dos caninos que se mexia quando ela falava.
Ia pra frente e pra trás.
Ela parecia não estar nem aí... conversava , sorria e falava... como falava, tirava até partido do dentinho que se recusava a ficar parado, fazendo um certo charme com a lingüinha!
Ele, hipnotizado com aquele dente balançando, o vestido de crochê, o cabelo preto-loiro rapidamente teve a idéia de convida-la pra comer uma pizza, outra coisa não dava!

Na pizzaria, fez cara de deprimido, contou que não andava dando no couro ultimamente, para desestimular algum pensamento mais audacioso, comeram a pizza enquanto ele rezou...

E rezou muito para que ela não engolisse o dente!






A PRAIA


Paulista é doido por mar! Branco escritório desce... (descer para muitos significa ir à praia), que apesar de ser a 1 hora e pouco de São Paulo parecem 5, tamanho o trânsito, a fila, o ferry, etc. Alguns vão de ônibus, outros de Expresso Zefir (será que ainda existe?)... Já fui pra Santos de expresso Zefir, era um carro de aluguel, tipo táxi, que dava um pouco de vergonha, pois vinha escrito em letras garrafais EXPRESSO ZEFIR. Outros vão de carro, claro que lotado.

Gente simples tem uma concepção de família diferente; família é todo mundo; cunhado, sobrinhos, agregados, tios, tias velhas...A mais bonitinha tem 78 anos e os peitos batem na cintura.

Chegam à praia!!! Que delícia!! Sol, mar, calor, água de coco, garapa (socorro), pastel ou pastéis como bem diz o paulista e isto é o que compram, pois o que levam...Ai! É muito mais lindo...O famoso frango, farofa e outros acompanhamentos e guarnições. O refrigerante é um tipo Tubaína ou coisa assim, adoram também chupar laranja. Suco de laranja não serve, tem que "cascar", chupar e comer o bagaço...Hummm! Como é bom. Deus sabe onde vão parar as cascas, e eles adoram... A farofada acontece, se divertem, se fritam, jogam frescobol, olham as bundas do mulherio e vão pra casa que ninguém é de ferro! Casa minúscula, diga-se de passagem, porém limpinha e acolhedora, cheia de beliches e bibelôs, as tias velhas se misturam às crianças e é claro, não pode faltar a cunhada reclamenta e o cunhado mulherengo e beberrão. Aquele que se entope de cerveja e então acha que bebida fermentada empapuça e não dá barato. Sendo assim parte para caipirinha e termina mesmo no Dreher ou numa boa 51.

Conclusão da estória, acaba capotado no sofá de curvim (aliás, o único da casa), impedindo que as crianças vejam a delícia do Zorra Total ou qualquer cretinice no gênero.
O mencionado cunhado baba, ronca, fala dormindo e que ninguém encoste nele, o bicho dá coices! Acaba acordando com a voz estridente da mulher ou da sogra dizendo... "Nenoooooooo!!!!!!! vá comprar "pão e uns frio", tá na hora do lanche das criança ( paulista consegue por o plural na primeira palavra e engolir o da segunda).
O Neno de ressaca, mau humor, tenta levantar mas está todo grudado no sofá de curvim. Lógico dormiu, sonhou, roncou e com o calorão e o suor, grudou no sofá. Detalhe, Neno passou 5 horas debaixo de um sol de 40 graus e acha que protetor solar é coisa de bicha velha.

Como diz o chato do Faustão, o Neno está um camarão, todo grudado e ouvindo a voz da sogra ou da mulher que parece uma banda de coreto de interior em seus ouvidos.

Para não criar caso Neno resolve ir comprar os pão (um) pro lanche das criança, (todo descendente de italiano fala assim; pra que plural, na Itália basta colocar um i e o problema está resolvido. E quem em Sampa não tiver uma gota de sangue italiano que atire a primeira pedra!

O problema é levantar do sofá! O corpo grudou, a banha colou e o camarão grudado faz creck, creck, creck, (arrancando metade do couro (da pele), porque o sofá é de plástico mesmo).
A pele do Neno é branca, descendente de italiano do Norte, não da Baixa Calábria, se considera chique.
A essa altura ele se dá conta de que está em bolhas, mas vai comprar os pão e os frio.

Sai de casa, e dá com a visão do inferno... As tias, aquelas se lembram, que a mais bobinha tem 78 e os peitos vão até a cintura? Estão, neste momento, por causa do calorão, tomando banho de esguicho. Tirando as areias de Santos, Boqueirão, Praia Grande e São Vicente.

O nome da praia e da cidade mudam, mas as areias são iguais, grudam... Aquela mais bobinha (a mais nova) esta lavando a xoxota, precisa tirar a areia dos "peito" também e Neno se depara com esta cena! Logo ele que é fã da Gretchen, Eliana, até da Sheila Carvalho.
A tia mais idosa (92) se ocupa da mesma função, chiquérrima lava a perereca e para tal, puxa o maiô de ladinho e com a mão vai tentando tirar a areia, check, check, distinta a tal senhora.

Neno entra em depressão, consumido de tristeza e uma certa ressaca, ruma em direção da padaria, mas algo lhe vem a mente, talvez a visão das tias, quem sabe?

Só Nelson Rodrigues poderia explicar, mas o fato é que Neno vai até o cais, pega uma puta, pede uma 51, ótima idéia e só volta na segunda à tarde!



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