Quinta-feira, Julho 31, 2003
BLOGS OF NOTE
- Quality! O Blogs of Note selecionou um blog de qualidade e...
"Nossa! Que comentário simpático, o que será que essa pessoa quis dizer? Parece estar me cumprimentando!"
- Alô, Rô? Tá ocupada?
- Tô trabalhando! O que é que você quer?
- Saber o que é Blogs of Note.
- Ah! O Blogger escolhe os 10 melhores blogs da semana e indica.
- Sei, é que tem gente me dando parabéns...
- Não acredito! Você foi indicada! Isto é o máximo! Entra lá pra ver!
- Entra onde?
- Santa Ignorância! www.blogger.com.br, e olha do lado esquerdo, viu?
- Vi. Será que eu vou ganhar um selinho?
- Não, você só foi indicada.
- Tá bom, tchau, um beijo.
Acho que eu precisava entender melhor estes trâmites!
Bom, para quem não sabia nem ligar um computador há menos de um ano...
Também, depois que aprendi, não parei mais, crônicas, contos, textos, poesias.
"Nossa, quanta gente simpática, legal, quanto comentário incrível!"
- Alô, Rô? Tá ocupada?
- Tô, caceta! Que foi?
- Seu computador tá bom? É que essa semana não estou conseguindo entrar nos "comments" de quase nenhum blog. Não abrem; quando abrem, estão sempre em manutenção!
- É, tá tudo assim, no meu blog, já coloquei dois sistemas. Se um não abre, tem outro.
- Ah! Não tenho saco pra isso, nem saberia fazer.
- Nem me peça, estou super ocupada!
- Tá, tá, só queria perguntar se os computadores estão com algum tilt, por que tem de 10 a 15 on line. Acho que é defeito no contador também!
- Mônica, presta atenção... Você foi indicada no Blogs of Note, você deve receber por volta de 6000 visitas!!! Entendeu?
- Tá bom, tchau, obrigada.
"Ave Maria, minha irmã anda mal humorada!"
"Ela, que entende de computador, é internauta de PHD.
E pensando bem, eu resolvi escrever crônicas e ela, que quando quer é um amor, me fez um blog, perguntou que pintor eu gostava, que dizeres eu colocaria se fosse escrever um livro, tudo com muita sutileza.
Mas quem entende de template, links e da animação é ela.
Se bem que sou chata e reclamo, peço pra trocar.
Olho o rascunho, mas nunca tinha olhado à esquerda, onde tem o Blogs of Note.
Acabei tomando gosto pela coisa, já sei procurar as animações e, se precisar, coloco; não com a categoria dela, claro!"
- Alô, Rô, tá ocupada?
-Tô, saco, manda!
- É que tem um monte de gente falando BON, qualquer coisa BON... que é isso?
- P****, é Blogs of Note!!
- Ai, que estupidez a minha! Tá, tchau, beijo.
Tenho a sensação de conhecer as pessoas que entram e comentam.
Respondo a todos e tiro de tudo isso uma lição muito especial: noventa e oito por cento das pessoas que me visitam são legais, simpáticas, animadas.
Retribuo as visitas com prazer.
Um por cento é pura maldade, infelizmente ela existe, e gente especialista em distorcer e interpretar erroneamente uma escrita é o que não falta.
O outro um por cento é analfabeto, não sabe ler, escreve-se a, lê-se z.
No entanto, não posso me queixar, isto aconteceu muito, muito pouco, quase nada!
O ser humano é bom por natureza, senão viver seria impossível!
- Alô, Rô? Tá ocupada?
- Estou... Estou trabalhando!!! Que foi agora???
- Eu recebi um e-mail e não entendi. É uma pessoa querendo colocar meu blog em uma seção do GNT/Globosat, acho que vou te encaminhar e você vê pra mim... Alô, Alô...
- Alô, D. Mônica? Aqui é a Sirlândia, empregada da Dona Rô. É melhor a senhora vir até aqui, acho que ela desmaiou!
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Monica às 7:26 PM
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INCONTINÊNCIAS
Todo ser humano sofre de algum tipo de incontinência.
Incontinência urinária, manual, verbal...e muitas outras.
Minha mãe está melhor de saúde, mais animada.
Todavia, em decorrência dos remédios, uma corridinha ao toalete se faz necessária por vezes, ou seria acometida de incontinência urinária.
Já minha prima, sofre de incontinência manual.
Quebra pratos, copos, bibelôs; isso quando não quebra os próprios pés. Já os quebrou tantas vezes, incontáveis!
Considerando-se que fazemos três refeições por dia, dois copos ou pratos quebrados por semana, não é coisa assim tão grave.
Essa semana decidi que minha mãe deveria ir ao cabeleireiro, ficar bonita, para melhorar o astral.
- Sente-se aqui no banheiro, disse eu.
Abaixei a tampa do vaso sanitário (vaso sanitário é lindo!).
Acabo de lembrar-me de uma tia que resolveu escrever bilhetinhos em todos os banheiros da casa de praia, bilhetinhos geniais, por sinal:
"Por gentileza, não jogue papel sanitário no vaso higiênico, pode entupir..." (uma longa e boa explicação).
Será que vaso higiênico não é mais elegante?
Voltando ao banheiro, mamãe sentada quieta, com muita habilidade comecei o "make up": uma base finíssima, pó de arroz, rímel, blush e batom... ela estava ficando linda!
A prima, a dos pés, que como eu, sofre de incontinência verbal, sentou-se no bidê e começou a papear.
- Que blush maravilhoso!
Coisinhas triviais... assim íamos nos distraindo.
Nunca saberei como ou por que minha prima, incontinente manual, conseguiu acessar o bidê (que é um tufão, devo dizer) com a bunda.
Uma cascata fenomenal jorrava água até o teto.
Prima encharcada, teto pingando e a maquiagem de minha mãe escorrendo.
Fui acometida de incontinência mental, aquela fração de segundos que ficamos como parvos, sem saber o que fazer com coisas óbvias e triviais.
Fiquei entre secar o rosto de minha mãe ou desligar o chafariz. Desliguei o bidê, felizmente.
Incontinências...
Logo após tal episódio, minha filha telefonou, de Brasília, dizendo que havia quebrado a perna.
Aflita mandei que voltasse imediatamente de avião e fomos para o hospital.
Tenho freqüentado o local com freqüência... já sou tratada como pessoa conhecida.
- Sua mãe melhorou? perguntam. São muito simpáticos.
Salas de espera são lugares excelentes para incontinências verbais.
Uma senhora acompanhava um paciente, caso "emergente", o cidadão estava com uma úlcera "perfumada".
Uma moça psicóloga estava escrevendo sua monografia, porém ela havia feito só um rascunho, precisava "bolinar" a escrita.
Incontinente, não segurei a risada.
Imaginei a mocinha transando com toda aquela papelada!
Tenho a mãe com uma fratura na coluna em um quarto, a filha com uma na perna direita no outro.
Acho que vou cometer alguma "incontinência" e quebrar algum osso, só para ser solidária, fazer companhia.
Poderia convidar a prima para quebrar um dos pés, mas não seria justo, já está com a quota vencida!
Outro exemplo bom de incontinência é Paulo Maluf, um incontinente convicto... Não contém o cinismo.
A historinha dos dois milhões de dólares é uma "blague".
A quantia deve ser infinitamente maior, e ele não tem nenhum dinheiro fora do País, só a Silvia, é lógico.
Herança do painho da esposa.
Tadinho, o que ele pode fazer?
Uns tempos na penitenciária? É uma idéia...
Já Sílvio Santos sofre de dois tipos de incontinência: reverbera e não controla o riso.
É um mestre, convenhamos!
Depois de dar o "Golpe do Baú" em todos os pobres do Brasil, tornando-se milionário, fez uma brincadeira com a repórter da tal revistinha.
Aproveitou-se da situação e outro golpe de mestre foi aplicado.
Passou dias sendo citado em todos os jornais.
"Ele morre ou não morre daqui a seis anos?".
Vou fazer um bolão!
O ex-camelô tem valor, devo admitir.
O programa domingueiro considero deprimente, mas o tal do Jogo do Milhão já me divertiu muito.
- Hahai... pergunta de número três, pergunta de número três, hahai.
- Quem descobriu o Brasil? Quem descobriu o Brasil?
- Alternativa a: Marco Pólo.
- Alternativa b: José Wilker.
- Alternativa c: Joãozinho Trinta
- Alternativa d: Pedro Álvares Cabral.
O pobre do candidato, totalmente catatônico, depois de refletir bem, responde finalmente.
- Sílvio, não tenho certeza, acho que é alternativa c: Joãozinho Trinta.
E o benemérito Sílvio ajuda:
- Hahai, você tem os universitários e um pulo. Hahai, universitários ou pula, hahai?
- Quero os universitários, diz o candidato.
E os cultíssimos universitários são unânimes:
- Alternativa b: José Wilker.
E o risonho apresentador, que é praticamente um santo, torna a reverberar, facilitando as coisas:
- Você vai com eles? É por sua conta e risco!
- Eu também não sei a resposta, mas você ainda tem um pulo, tem um pulo... e o candidato responde:
- Pulo.
E é bom que tenha cuidado ao pular, pois incontinências acontecem...
E o troféu incontinência do ano vai para Rubinho Barrichello.
Quando consegue vencer, derruba a taça.
Vá ser incontinente lá longe!!!!
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Monica às 2:21 PM
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Quarta-feira, Julho 23, 2003
DORES DE AMORES
Minha mãe andava reclamando muito de dores na coluna.
Não dei, infelizmente, a devida importância.
Tem a coluna ferrada, ou deveria eu dizer fo****, só pra enfatizar? Não!
Ando politicamente um pouco mais correta e, tendo um público leitor mais erudito e até mais jovem, acho que devo começar a dar bom exemplo.
Herdei de minha mãe algumas qualidades, como também a coluna péssima, que me acompanha desde os 20 anos de idade.
Convivo com ela, mas não é fácil.
Fazer oito horas de "ballet" por dia, no passado, pouco ajudou.
Desta vez, mamãe estava reclamando das costelas... estranhei.
Médica e louca que sou, receitei Vioxx e pensei: agora ela vai melhorar.
Não melhorou.
Foi parar num hospital de que particularmente não gosto, tipo hotel de luxo, que na verdade é uma b**** e o m**** do médico disse que ela estava com uma inflamação nas costelas.
Veio ficar na minha casa, sofrendo dores e tomando cortisona.
- Tenho alguma fratura, ela dizia.
- Pare de se autodiagnosticar, implicava eu.
Minha prima médica veio passar uns dias comigo e, por intuição ou obra do Espírito Santo, minha mãe pediu que ela desse uma olhada na radiografia.
A prima ficou lívida:
- Não gostei dessa imagem, está horrível e é meia radiografia, o pulmão está alto e.....
Imediatamente, na acepção da palavra, ajudei a paciente, já impaciente, a vestir-se e fomos direto para um hospital de minha confiança.
Lá chegando, começou-se a falar javanês.
Senti-me dentro de um conto de Lima Barreto, ou numa brincadeira de trava-línguas.
Eu, que sempre aprendi "línguas" por odiar ficar por fora do assunto, senti-me na Grécia!
A prima médica impôs respeito no hospital e o "conversê" começou:
- Ela está com uma Atelectasia, disse a prima doutora.
- Sim, está!
- Precisamos ver o PO2, afinal temos que saber se ela tem TEP.
- Façamos um Doppler para descartarmos ou não, um TVP.
Ah... fiquei p*** :
- Podem traduzir! Afinal, a mãe é minha, ninguém tasca, eu vi primeiro!
Sem olhar na minha cara, prima médica e os doutores continuavam a discussão:
- Se for TEP, vamos aplicar heparina.
- O que que minha mãe tem???? Já p*** da vida, perguntava.
Eu, que me achava uma verdadeira médica, aprendi que:
Atelectasia é o pulmão alto, PO2 é a concentração de O2 no sangue, TEP é Trombo Embolismo Pulmonar e TVP vem a ser Trombose Venosa Profunda.
Não sei por que estou escrevendo em maiúsculas, a p**** toda!
Se fosse tudo isto, ela iria imediatamente para UTI.
Depois de ressonâncias e tomografias, descobriram que ela tem realmente uma fratura na coluna.
Não reclamava em vão, a dor era agudíssima.
A prima é, hoje, figura importante no hospital e, a convite dos doutores, foi até a sala dos médicos, ouvir "chorinho".
Dois deles tocam e ela adorou. Uniu o útil do útil, ao agradável.
Cuidar da tia querida, ensinar medicina e ouvir "chorinho"!
Eu perdi essa!
Minha mãe é uma mulher fantástica!
Órfã de pai e mãe, perdeu o marido aos quarenta anos, um filho de trinta e fez uma mastectomia há oito anos.
Sustentou a todos em excelentes colégios, faculdades, aulas de inglês, francês, viagens...
Tudo sozinha, sem a ajuda de ninguém, além de cuidar de quarenta marceneiros com pulso de ferro, justiça e bondade.
Não merece sofrer mais!
Eu, "Poliana", mantenho o otimismo, a confiança e a fé.
Não há de ser nada mais grave!!
Um médico, já amigo da prima, entrou no quarto e reparou que mamãe estava com soluços:
- Vou aplicar um "Plasil", disse ele.
- Tenho sempre soluços, tive uma inflamação no duodeno, disse eu.
Minha irmã, a gordinha, não deixou barato e explicou:
- É! Por isso que você só fala m****!
Considerando-se que duodeno é a parte superior dos intestinos, ela tinha toda razão.
Não sei como confundi duodeno com esôfago! Deve ter sido o nervosismo.
E com aquele jeito que só as enfermeiras competentes têm, entrou uma no quarto dizendo:
- Como passamos a noite?
- Vamos tomar uma picadinha? Não vai doer!
Ai, que essa primeira pessoa do plural me irrita!
Eu disse: - Então você aplica na veia dela, e eu te aplico uma na bunda!
Se é pra ser na primeira do plural, tem de ser completa, pensei.
E, para meu estupor, minha mãe respondeu:
- Ah, minha filha, já estou fodida mesmo, uma dor a mais , uma a menos...
Minha mãe falou "fodida"!!!
Levei uma vida pra ouvi-la falar "merda" e ela me sai com um "fodida"!!
Fiquei feliz, estava se soltando, ou então "bolada" de remédios!
Estava "bolada"... mas foi ótimo!
Eu tentando ser politicamente correta, e minha mãe fodendo com tudo!!
Confesso que adorei.
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Monica às 9:20 AM
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Quarta-feira, Julho 16, 2003
HILDA
Acabo de ler Gestalt de Hilda Hirst, escritora irreverente e ousada que revolucionou a literatura, posso dizer isto sem medo.
Gestalt é um conto curto e eficaz, que Hilda termina inesperadamente.
... Isaiah foi plena, visceral, lindamente feliz... Gostei.
Na década de 90 Hilda publicou o Caderno Rosa de Mary Lamb, livro de linguagem ousadíssima, que mexe com a libido do leitor, seja ele convencional ou moderno.
Pensei cá comigo: - Será que a irreverência, a ousadia, são características de Hildas?
O nome da pessoa diz muito e Hilda Shulmann foi, sem sombra de dúvida, uma mulher à frente do seu tempo, bastante avançada.
Mais para feia, Hilda possuía algo importantíssimo num ser humano: presença!
Aquele tipo que, quando fala, as pessoas param e prestam atenção.
Entram em algum local e o público olha... ela tinha atitude.
Totalmente despretensiosa, nunca vi Hilda maquiada; nem batom usava.
Tinha, porém, três vaidades: um baita anel no dedo mindinho, de brilhante, que era azulado de tão puro; um carro esporte conversível vermelho... e os cabelos.
Cabelos curtíssimos e crespos, que ela odiava.
Usava uma touca de meia, à noite, para dormir.
Assim os cabelos amanheciam lisos.
A touca era como essas usadas por assaltantes, uma meia calça cortada, um nó na ponta.
Virava-se o cabelo para o lado e a tal meia era colocada.
A diferença é que bandidos cobrem o rosto e Hilda cobria os cabelos.
Penso que um Hené Maru, seria muito mais eficaz, mas Hilda sempre insistiu no uso da meia.
Era naturalista, nunca colocaria um produto químico nos cabelos.
Dona de casos hilários, milionária, profunda conhecedora de antiguidades, falava da pobreza da infância com a naturalidade das pessoas autênticas.
Foi pobre de marré, marré, marré. Que coisa antiga! Na verdade, o certo seria Marais, bairro pobre de Paris.
No entanto, Marais faz hoje parte do Patrimônio Histórico da UNESCO.
Já foi moradia de músicos, artistas, judeus e hoje abriga a comunidade gay de Paris.
O ar decadente dos casarões antigos faz do bairro, na minha opinião, o mais charmoso da cidade.
Hilda era como Marais!
Contou-me que, para matar a fome, chegou a roubar leite da porta das casas, no tempo em que o leite vinha em litros de vidro e tinham a tampinha prateada.
Casou-se cedo, com um milionário, e simplesmente triplicou os milhões do sujeito.
Íntima amiga de minha mãe, viajaram o Brasil e a Europa, comprando antiguidades.
Isso no tempo em que se comprava a preço justo, vendia-se da mesma forma e falsificações eram raras.
Ambas tinham antiquários, sendo que o de Hilda era maior.
Minha amiga Salete, se vier a ler esta passagem, terá um ataque!
Salete adora porcelanas e Dona Hilda recebia, da Europa, miniaturas de aparelhos completos de jantar, com pratos, sopeiras, chávenas e tudo mais que um aparelho de jantar possui.
Para que ela pudesse escolher no aconchego do lar.
Sobravam miniaturas de Companhia das Índias, Límoges, Rosenthal, Copenhagen, Bavária, Ming, que ela jamais exibia.
Era fina, culta, elegante, deliciosamente desligada e despojada.
Uma autodidata.
Falava sobre qualquer assunto, em diversas línguas.
É claro que a fortuna do marido ajudou, mas o mérito foi todo dela, que se lapidou e tinha muita personalidade.
Estacionou, uma ocasião, seu "décapotable" em frente a minha casa, e o belo automóvel se
enroscou no carro de trás.
Conheço vários casos como este.
Minha irmã arrastou um japonês, da Alameda Santos até a Rua Oscar Freire, e ainda reclamava:
- O que é que este japonês quer, que acena tanto, está dando tchauzinhos! Olha lá, Estela (amiga querida, nossa), agora está abanando um lencinho branco! O que é que ele quer, meu Deus?
Quanto finalmente o carro parou no sinal, o japonês desceu desesperado, dizendo:
- "Moça! Pero amô de Deus, tire o seu caro do meu, eu quero entrá a direita, né?! E a senhorita tá me puxando desde a Alameda Santos, né?!"
Japoneses com lencinhos brancos, simbolizando a paz, avisam.
Qualquer outra pessoa avisa, ou o próprio motorista se dá conta de que está a rebocar outro automóvel na traseira.
Não Hilda!
Ao sair de minha casa, ligou o som num jazz da pesada e pé na estrada!
Arrastou o veículo alheio, do coração do Jardim América até o Shopping Iguatemi.
Se alguém avisou, ela simplesmente não registrou.
Um guarda parou-a para averiguação:
- Como é que a senhora consegue arrastar este carro atrás do seu, quilômetros?
- Que carro? Respondeu ela olhando para trás.
- Nossa! Como foi que isso veio parar aqui?
Assim era Hilda.
Era julho e fazia frio... frio de rachar, quando Hilda recebeu um telefonema.
Alguns vão se lembrar dele.
Ao telefone, era o Espósito, gerente do Banco Itaú, na Rua Augusta.
Espósito (nome divino) era educado, fino e atencioso.
Nos tempos de Hilda, o gerente costumava ligar para o cliente, informando a quantas andava sua conta bancária.
Devia ser alguma aplicação, algum depósito... não sei bem.
Sei que Dona Hilda nunca foi de desprezar dinheiro.
Sendo assim, apesar do frio, rumou imediatamente ao banco.
Mas o frio era muito, e Hilda era muito pouco vaidosa e bastante prática.
De pijamas de flanela, ela simplesmente colocou um par de botas de pelica, um lindo "manteau", e assim foi conversar com o gerente.
No trânsito, todos olhavam!
Ao entrar no banco, as pessoas viravam para admirá-la!
Seu Espósito tentava explicar a situação da conta, totalmente embaraçado, entre o riso reprimido e a formalidade um tanto forçada.
De quando em quando, dava umas tossidelas, era acometido de um pigarro.
Ouvia-se um certo zum zum zum velado.
Hilda era desligada, mas tinha ciência de que não era uma dessas mulheres espetaculares, do tipo que causam "frisson" em uma agencia bancária.
Direta como sempre foi, perguntou:
- Seu Espósito... o que está acontecendo que as pessoas não param de me olhar?
- Dona Hilda, se a senhora me permite dizer, a senhora está com um chapeuzinho um tanto diferente.
Hilda Shulmann foi ao banco com a meia de assaltante na cabeça!
O Espósito deve rir disso até hoje!
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Monica às 9:27 PM
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CASACO MARROM
Eu era uma jovenzinha adolescente e adorava o "Casaco Marrom" de Gutemberg, com a mesma intensidade que adorava o casaco marrom de minha mãe.
Gutemberg é o Guarabyra, de Sá, Rodrix e Guarabyra.
Um trio de compositores e cantores que fazia um som delicioso nos anos 70. O trio se desfez em 1972. Zé Rodrix partiu para carreira "solo", Sá e Guarabyra continuaram juntos na estrada.
Evinha, do Trio Esperança, imortalizou a canção "Casaco Marrom" ao vencer um Festival de Música, bastante importante na época. Infelizmente pra mim e felizmente pra ela (que "arrebenta" na França), foi morar em Paris.
Em 1977 gravou com Paul Mauriat e, excursionando com o maestro pelo Japão, apaixonou-se pelo pianista francês da orquestra.
A França ganhou um presente e o Brasil sente saudades.
Gravou, há pouco tempo, com Michael Fugain "O Femme", música linda, que ela enfeita com a voz cristalina e modulada.
Li um crítico (acho que da Folha) acabar com composições e interpretações, não só do trio como também de Elis cantando "Casa no Campo", de Zé Rodrix, Paulo Sérgio e Marcos Valle, e de todos os outros que no Brasil ficaram.
O nome do crítico? Não faço idéia...
Penso que a mídia não ajuda e, quando pode, ferra.
Acaba com o trabalho árduo de artistas, num piscar de olhos.
Assim são as más línguas, "as línguas cansadas".
Para o mencionado crítico, o que era bom na época, estava fora, exilados em Londres, Santiago, Roma e Paris.
Sobrava então, no Brasil, um bando de incompetentes que fazia a "easy music", aquela musiqueta fácil e enjoada.
O que é uma grande injustiça!
Compositores e cantores que, a duras penas, driblaram e sobreviveram à censura e à ditadura. Eram na grande maioria, ótimos!
Obviamente, alguns intelectuais pensam que falar mal é "in" e, indiscutivelmente, vende mais.
O sujeito me pareceu revoltado, defendido e de mal com o mundo.
No final da reportagem, acaba confessando que a melodia de "Casaco Marrom" é linda. Só por isso falo nele.
Não quero aqui dizer que o mundo tem obrigação de adorar a voz de Evinha e as composições de Sá, Rodrix e Guarabyra.
Porém, é incontestável a afinação da cantora e o som original do trio, que consistia na fusão de elementos de rock, country, folk e música brasileira de raiz.
São os criadores do Rock Rural.
Os três compunham, escreviam, e conseguiam a proeza de cantar com uma só voz.
Compositores de primeira linha, estudaram música.
Zé conhece teoria musical, harmonia e contraponto, toca piano, acordeom, flauta, sax e trompete.
Reencontraram-se em 2002 e gravaram "Outra vez na Estrada".
O CD é fantástico e, desta vez, ninguém arrasou as regravações. Estranho...
Gutemberg Guarabyra... concordo que o nome é empolado.
Ainda tem Nery no meio; pra enfeitar, quem sabe?
É um poeta e compôs, com Renato Correia e Danilo Caymmi, o "Casaco Marrom".
Conheço o casaco marrom de Gutemberg, ao vivo e a cores!
Era de veludo "cotelê".
Já o meu, aquele que perdi, era de peles de astracã.
Corretíssima politicamente, por assim dizer, usaria o casaco marrom sem a menor cerimônia, correndo o risco de levar um balde de tinta na indumentária.
(Afinal, seria herdado e não levianamente comprado hoje).
Ele tinha uma gola grande e as mangas eram de sino, botões de pele, curto e muito chique.
Nos anos 70, usava-se fazer maquiagem em cabeleireiros.
Minha mãe sempre foi bonita e vaidosa.
Menos vaidosa, é bonita até hoje.
Tinha seu maquiador preferido, o Alfredo, MGI (mais gay impossível).
Eu adorava o tal Alfredo.
Pequeno para homem, mãos delicadas, pés combinando, usava um broche na lapela e... mudava por semana.
Se porventura tivéssemos uma festa, Alfredo vinha nos maquiar em casa.
- Nada de fazer maquiagem às cinco da tarde! Se a festa é às nove, eu passo lá às sete horas e maquio todas vocês!
E Alfredo ia mudando...
Mamãe, sempre meio desligada, não reparava muito.
Já eu observava, aos 17 anos, cada novidade.
Unhas mais compridas, cabelos mais longos, roupas mais femininas e a voz cada vez mais fina.
E Alfredo apareceu de peitos.
Peitos esses, que cresciam semanalmente.
Virava e mexia, Alfredo ia pra Paris. Voltava impossível!
- Aquilo é que é terra de gente civilizada!
- Lá, bicha é gente! Não é igual a esse submundo, onde basta a pessoa colocar uma camisa cor de rosa, e já ser xingado de v.... na rua!
Imaginem a camisa rosa de Alfredo...
Se bem que cada qual tem o direito de usar o que lhe apetece!
E foi numa dessas viagens que Alfredo virou Nana Kristel!!
Eu já o chamava de Nana há muito tempo, desde que vi os peitinhos crescendo.
- Gente! Fui operada! Estou tão feliz!
Eu adorava falar umas bobagens pra ela, que morria de rir e dizia:
- Mônica, páraaa! Estou com dor no útero de tanto rir!
Nana sabia se valorizar e, principalmente, se maquiar, foi capa de revista várias vezes e não perdia um baile de carnaval.
Nos bailes do São José, no Rio, Nana era a atração principal.
Ela possuia bom senso, não era Dragqueen, vestia-se com discrição, era simplesmente MULHER!
No salão todos chamavam-na de Nana. Exceto quem?
Minha mãe!
Inadvertidamente, insistia em chamar Nana de Alfredo.
Nana Kristel devia estar com minha mãe pela goela.
Certo dia, no meio da sessão de "beauté", Dona Jô disse:
- Alfredo! Você não acha que está um pouco escura a pálpebra esquerda?
Nana, que devia estar menstruada, jogou todos os pincéis no chão e, aos urros, bradava:
- A Senhora não me respeita! Eu sou mulher, mulher! Fui operada, mereço ser reconhecida! Até meus documentos mudei!
Ih, a pobrezinha gritava tanto e lágrimas rolavam de duas em duas.
Dei um beijo nela, disse: - Não chora não, Nana, a mamãe não faz por mal.
Mamãe levantou-se da cadeira, um olho maquiado, o outro não e, firmemente, como diretora de colégio, que um dia foi, falou brava:
- Não tenho culpa de vocês mudarem de nome! Não decorei esse seu nome artístico! Até logo!
E saiu do salão, marchando, enquanto Nana se esvaía em choro convulsivo.
Meu coração estava partido por Nana e, naquele tempo, os filhos tinham um respeito maior pelos pais.
No carro, eu calmamente coloquei:
- Mãe, a senhora é a única que chama a Nana de Alfredo! Nana é tão fácil de memorizar! Ela gosta tanto da senhora, está magoada!
Foi neste exato momento que eu devo ter perdido o tal casaco marrom.
Dois dias se passaram, e mamãe colocou o casaco em uma linda caixa, laços róseos e foi ao salão.
Com aquele jeito forte dela, adentrou dizendo:
- Nana, Nana, isto é para você, espero que goste! FilhA, não fiz por mal.
Não saberia dizer se foi o "filha" ou o casaco.
O que sei é que Nana enlouqueceu!
- Genteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, venham aqui!
- Bichinhas mais novas, ajudantes, venham cá! Olhem o que eu ganhei!
Vestiu o casaco marrom de peles, e com as delicadíssimas mãos entrelaçadas na região pubiana, recém desenhada por algum cirurgião francês, Nana dava corrupios!
- Gente, é da Madame Rosita! (Peleteira famosa na época).
- Aquelas horrorosas da boate me pagam, vão se roer de inveja!
- Dona Jô, a senhora é maravilhosa, chiquérrima! Obrigada!
Perdi assim o casaco, tendo a certeza absoluta de que ele está muito melhor empregado, nas sensíveis mãos de Nana Kristel!
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Monica às 4:18 PM
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Quinta-feira, Julho 10, 2003
SOU PELAS MINORIAS
E a Parada do Orgulho Gay de 2003 em São Paulo foi um sucesso!
É hoje considerada a manifestação de rua mais importante na capital paulista.
Devemos dizer GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros)?
Penso que sim!
Um milhão de participantes, segundo alguns, equiparando-se a São Francisco e Toronto no Canadá.
Oitocentas mil pessoas, segundo outros, ficando em terceiro lugar no ranking mundial.
O número não é importante, o que é interessante é a quantidade de gays, bissexuais, lésbicas e travestis (deveria ser colocado transgêneros?) que existem.
Tirando casais idosos, crianças e simpatizantes, como eu, engenheiros sanitários (lixeiros), o número de GLBT é enorme.
A parada foi um sucesso.
Quando o primeiro trio elétrico chegou à Praça da República, o último estava saindo da Avenida Paulista.
Evento alegre, colorido, organizado, nenhum incidente grave foi detectado.
Marta Suplicy estava presente e, se fizer mais um lifting concorrerá a dragqueen no próximo ano.
O Presidente do PT também foi, mas só "deu" apoio, segundo Casseta e Planeta.
O Bispo de Jundiaí redigiu uma inflamada publicação contra nossa Prefeita: "Não somente desrespeitou as leis da moral e bons costumes, indo a uma passeata homossexual, como se apresentou acompanhada do amante!"
Que bispo quadrado! Cruzes!
Alguns gays protestaram, achando que a parada não reivindicou nada.
Outros gays, lésbicas e bissexuais não gostaram de ser colocados no mesmo patamar dos transgêneros.
Será que querem uma parada para eles e outra para dragqueens?
Na verdade quem merece a parada, hoje, é o homem que se tornou minoria.
Vamos então lutar por eles.
Se bem que, sendo minoria, tornam-se raridades, espécimes em extinção e a quantidade de "mulheres à beira de um ataque de nervos" favorece e engrandece a vaidade masculina.
Mas, ainda assim, são minoria e merecem toda nossa atenção.
Sou pelas minorias, respeito credos, raças, opções sexuais e os homens!
Assisti, no Bourbon Street, um show de Zé Ricardo, excelente cantor carioca, com um americano, não menos especial, chamado Victor Brooks.
Dirigiu-se à platéia em inglês todo o tempo e nem assim deixou de ser ultra simpático.
Abriram o show, fazendo uma merecida homenagem ao glorioso Barry White.
Cantaram Funk, Gil, Sandra de Sá, Bia Pontes, Tim Maia e Jorge Benjor.
Elucubrações insanas começaram a assaltar minha mente:
-Esse carioca esperto pegou o negão (afro-brasileiro, certo?) na Rocinha, ensinou-lhe meia dúzia de frases em inglês e estão faturando horrores.
- Cantar com sotaque de americano é bem fácil, pensei ... "Mais qui nada, samba coma esse tao legal..."
Os dois se conheceram em Los Angeles, parecem muito amigos e Zé Ricardo contou que foi acolhido de braços abertos pela família de Brooks.
Fazem uma dupla genial.
Estou contando tudo isto para dizer que o que assusta, na verdade, é o número de mulheres desacompanhadas.
São, hoje em dia, umas vinte para cada homem.
É interessante constatar que a grande maioria vai para assistir ao show, se divertir e, se conhecerem alguém especial, torna-se uma atração extra na programação.
Muitas vezes nem estão interessadas.
Mas outras estão na captura total.
Voltando então às estatísticas: gays, bissexuais, travestis e o resto.
O resto são aqueles que temos que paparicar.
Então façamos o seguinte:
- Quer café na cama, meu amor? Durma na cozinha!
- Quer um jantarzinho especial? Vá fazer, vocês homens cozinham tão bem!
- Tá sem camisa limpa? Pegue a menos suja no cesto!
E, se insistirem muito naquele algo mais, a velha dor de cabeça, de nossas avós, ainda funciona.
Assim deprimem e acabam virando gays!
Não, não! Tudo ao contrário: chinelos e jornal, jantares à luz de velas, café na cama, e etc... muito etc...
Se possível uma Parada de Machões na Avenida Paulista, com direito a cartazes como:
"Ser homem também é ser gente!"
"Valorize o homem que existe dentro de você!"
"Sou homem com muita honra!"
"Sou homem e sou feliz!"
"Defenda o homem, raça em extinção!"
Evitem por favor, as cinco perguntas que eles mais odeiam:
1. No que você esta pensando?
2. Você ainda me ama?
3. Você acha que eu estou gorda?
4. Ela é mais bonita do que eu?
5. Essa é a pior de todas...O que você faria se eu morresse?
Fica assim combinado: nada de perguntas tolas. Nada de TPM.
Tratamento VIP.
Comidinhas na hora certa.
Sabem quanto esta valendo um homenzarrão no mercado?
Vamos valorizá-los!
Acordem!!!! Eles são minoria!
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Monica às 8:29 PM
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Segunda-feira, Julho 07, 2003
"É DE SE COLOCAR O BONÉ"
Esta semana criou-se uma celeuma nacional por causa de um boné!
Nosso Presidente da República colocou o boné vermelho do MST, na cabeça.
Não vejo nenhum problema. Coloca-se o boné, tira-se uma foto e pronto! Tudo arranjado.
Lula em política de boa vizinhança com o Movimento dos Sem Terra!
O problema é que os dizeres da nossa bandeira sempre me pareceram uma premonição às avessas.
Somos um povo ligeiramente desorganizado.
Ao colocar o boné vermelho na cabeça, segundo alguns, Lula tornou-se conivente com invasão de propriedades produtivas, saques em Pernambuco, ocupação de prédio público, saques em pedágio.
Tudo ilegal!
Como ficam agora meus amigos arrecadadores de pedágio? Preocupados, com certeza!
Segundo outros, Lula coloca bonés a torto e direito. Não viram nada de errado.
Mas jornais costumam ser implacáveis!
O MST, que é um movimento muito bem organizado, perde sua bandeira em ações ilegais, peca pelos atos, torna-se desorganizado.
A um retirante pobre, metalúrgico, líder sindical, chegar ao patamar mais alto do país é ser, sem dúvida, um homem de sucesso e valor.
A ele, uma escorregadela (se é que colocar um boné é escorregar) é permitida.
Outro presidente mais "afrancesado" estaria no limbo!
Posso imaginar as manchetes:- Compactuando com a ilegalidade!
O ato de tirar o chapéu, outrora tão elegante, demonstrava respeito, admiração por alguma senhora bonita, um cumprimento. Caiu em desuso.
Tenho a seguinte proposta: as pessoas devem passar a usar bonés!
Minha empregada (tenho agora, certo receio de parecer politicamente incorreta, vou chamá-la de auxiliar do lar), usaria um boné escrito OMO ou ODD.
Sim, porque ela não pede para comprar sabão em pó e detergente, pede Omo e Odd, obviamente os mais caros.
Minha irmã, usaria um boné escrito Microsoft. Não. Acho que preferiria Gilberto Gil. Ou ainda "Gordura de Picanha Não Engorda".
Eu usaria um escrito Luiz? Não, muito Luma de Oliveira. Usaria outros.
Usaria um boné para Milton Nascimento, recitando a vida de "Maria, Maria", a lavar roupas às margens do Jequitinhonha, e tantos outros.
Ainda não decidi.
Meu marido, com certeza, teria um escrito: Santos Futebol Clube e não Minha Amada Mônica!
Luma usaria Eike, para quem já usou gargantilha, boné é detalhe.
Hebe Camargo: Ai Que Gracinha! Bordado em brilhantes.
Silvio Santos: Baú da Felicidade.
João Gordo da MTV: Dicionário do Bestiário Nacional.
Caetano Velloso: Quem vaia João Gilberto não é meu amigo.
Minha prima médica de transplantes, Fernanda: Doe Seus Órgãos. Ou Chico Buarque?
A Fernanda amiga usaria um, onde estaria escrito: Fernando Pessoa; melhor, Carlos Drummond de Andrade, brasileiro!
Guga, continuaria com Olympicus, suponho.
Salete usaria Ciro ou Filó? Mistério...
Já as socialites, capa da Veja São Paulo da semana passada, que só faltaram dizer que não entendem como um ser humano normal vive sem 200 pratos de porcelana inglesa e Ming, ou 100 bichinhos de Murano para serem colocados dentro das lavandas, usariam: Chanel, Versace, Bulgari, Tiffany's, em letras garrafais!
Ah, que acabo irritando o leitor, mas que milhões de idéias para bonés me vêm à mente, isso vêm!
E a antiga frase: Para tal coisa "eu tiro o chapéu"; ou "tiro o chapéu para fulano", seria mudada, graças a Luiz Inácio Lula da Silva.
Aliás, penso que só o caricata Raul Gil ainda usa "tirar o chapéu para..."
Logo ele que é a pessoa que mais precisa usar um boné. Não acerta a tonalidade dos cabelos. Sugiro castanho médio dourado, ou acobreado da L'Oréal e um boné!! Urgente!
A máxima do momento, graças a Lula, seria: "Colocar o boné".
- Filha, você tirou dez em física quântica? É de se colocar o boné!
- Amor, você ganhou o torneio de tênis? É de se colocar o boné!
- Meu amigo, você publicou seu conto? É de se colocar o boné.
Corro e coloco meu boné, que já decidi os dizeres:
"Crônicas Mônica"!
Um pouco de propaganda não faz mal a ninguém!!!
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Monica às 9:32 AM
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Sexta-feira, Julho 04, 2003
SABEDORIA II
Com a idade viria,
Com a maturidade apareceria,
Afinal, envelhecer traria consigo além do reumatismo,
A paz de espírito, a alegria...
A cobiçada sabedoria!
Por que então, velhos são tristes, amargos, ranzinzas?
Só alguns trazem em si a sabedoria...
Porque ela já estava dentro deles,
Apenas calada dormia!
Ser sábio não é ser culto, literato ou lógico,
Ela não se compra, não se troca, não se ensina,
É atávico, é pungente, é mágico!
Se doa a quem se estima...
Gabriel...você é sábio!
Senão, arcanjo não seria,
Paciência, aceitação, luta, dignidade.
Qualidades de anjo,
Dá, distribui, divide a infinidade...
Que tem para si sobrando,
A tão sonhada sabedoria!
Repito aqui a poesia
Para ti escrita um dia
Porque amor de irmão
Redunda reverbera ecoa
Não é eterno enquando dura
É perene permanente
Parabéns querido irmão
Nascido a quatro de julho
És querido a todo instante
Porque o amor é constante!
SEJA MUITO FELIZ
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Monica às 12:07 AM
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Quarta-feira, Julho 02, 2003
MOLECA
Dona Assunta era brava, muito brava!
Viúva, duas filhas, riquíssima, levava aquela fazenda, no interior de São Paulo, a pulso de ferro!
-Tenho de ser enérgica, a negrada é indolente, preguiçosa, o senhor sabe... comentava ela com o pároco local.
Amigos íntimos, o padre adorava visitar Dona Assunta, que além do gordo óbolo que doava mensalmente, enchia-o de quitutes.
Frei Raphael adorava brevidades, toucinhos do céu, ovos moles, ambrosia e os licores... cousa dos Deuses!
Ele não cometia o pecado da gula, apenas alimentava-se frugalmente. Não tinha culpa, era difícil contestar a generosidade de Dona Assunta, que o empanzinava de doces e salgados, os mais variados... E os licores!!
O frei fazia o sacrifício em nome de Deus e comia.
Comia como um abade, afinal era o que ele era.
"Muito generosa Dona Assunta, boa alma, mulher de comunhão diária", pensava o padre.
Estou cá a cometer o pecado da omissão, da mentira! Dona Assunta não era brava ou enérgica, era má!
A excelente senhora era mestra, catedrática, na arte de judiar das pessoas.
Na frente das amigas da boa sociedade, era toda sorrisos e bondade.
Nutria pelo padre uma bem querência especial e tinha absoluta certeza de estar comprando um lugar de luxo no céu, ao lado de algum santinho.
Tratava os escravos no chicote, arquitetava maldades e quem mais sofria era a Moleca.
Dentro d'alma Dona Assunta bem sabia o quanto era má, tanto assim que a função de Moleca era provar a comida.
Moleca vivia dos bocados de Dona Assunta.
Esta tinha ciência, ou mania, de que algum dia alguém havia de envenená-la.
Moleca então, servia para provar. No almoço, merenda, pequeno almoço, ceia, a menina estava lá a postos; até uma colherinha especial tinha, para provar a comida da dileta senhora.
- Molecaaaaaaa... urrava Dona Assunta.
A negrinha, ligeira, corria. Sabia que tinha que provar os pratos salgados, a sobremesa, águas, chás, refrescos e até licores!
E a veneranda estava preocupada em meter álcool na bichinha? Logicamente que não!
Moleca, negrinha enjeitada, perdera a mãe no parto e o pai era desconhecido.
Como a maldade humana pode ser infinita, Moleca era enjeitada até na senzala. Ninguém queria lá uma negrinha largada, sem modos, que vivia de provar a comida da Sinhá.
Na verdade a negrinha era mais uma criadinha de dentro, pois Dona Assunta, com princípio de obesidade, vivia a comer, então Moleca ficava ocupada o dia todo a provar as iguarias.
E ai de Moleca se não estivesse no local e na hora exata que a comensal decidisse alimentar o espírito.
Era surra de criar bicho.
Moleca tinha marcas de chicotes pelo corpo, lanhos...
Até que se acostumou ao horário da Sinhá.
Sentia-se orgulhosa de ser alguém importante, a provadora.
O tempo foi passando e, como uma história de Cinderela do século dezoito, as filhas de Dona Assunta, ficavam mais e mais feias.
Em contrapartida a negrinha tornara-se cada dia mais linda, mais apetecível e saborosa.
Com os bocadinhos da Sinhá alimentava-se, mantinha assim a figura e as sinhazinhas, acompanhantes de mamã, comiam sem parar.
Como não tinha um tostão furado, a negrinha usava vestidinho de chita, cada vez mais justo. Estava crescendo, os seios aumentando, as ancas não muito largas... cada vez mais perfeitas.
Era uma festa aos olhos não somente dos capatazes, como dos senhores de engenho e até de Frei Raphael.
- Esta pequena poderia ser de alguma valia na igreja, Dona Assunta! Dizia o padre.
- Gostava de comprar-lhe a negrinha, parece esperta e ágil, pago-lhe bom dinheiro. A senhora sabe, para distrair-me as filhas! Diziam os amigos.
- Dona Assunta recusava-se terminantemente!
Apeguei-me à bichinha, enjeitada a pobrezinha, faz parte da família. Dizia a "bondosa" Assunta.
Quem iria provar a comida envenenada?
Quanto mais o tempo passava, mais Dona Assunta tinha certeza de que alguém havia de colocar cicuta ou curare em sua comida e, se Moleca caísse hirta e tesa, Dona Assunta havia de mandar matar o assassino!
Moleca não ficara somente bonita, mas também esperta. Aos poucos pôs-se a colecionar uns papeizinhos que dona Assunta guardava a sete chaves no porão.
Uma vida dentro do casarão fez com que a negrinha conhecesse cada palmo do lugar.
Como sempre vivera aos bocados, aprendeu a não ser gulosa, tirava aos poucos, cem réis, duzentos réis.
Sinhá nunca percebeu.
E um belo dia Dona Assunta começou a passar mal.
Dores horríveis nas cadeiras, no estômago, enjôos, vômitos...
Um afamado boticário veio da corte, em vão!
As horrorosas filhas, que com toda fortuna permaneciam solteiras, mandaram buscar o melhor médico da capital.
Tentativas infrutíferas de reanimar Dona Assunta foram feitas... Sangrias, ungüentos... Tudo em vão!
No suntuoso quarto, uma orquestra se apresentava, Dona Assunta acometida de flatulências, tornara-se espetacular em tal arte.
Quando raramente dormia, sua própria sinfonia encarregava-se de despertá-la.
Moleca ao lado do leito de morte, provava mingaus, caldos, tisanas e até a água.
Nenhuma melhora.
Sinhá tinha engulhos e "gulocessos"!
- Estou finalmente sendo envenenada; descubra quem é, Moleca, que lhe dou bom dinheiro.
-Descubro, Sinhá; Nhá ta meió?
Um belo dia, Dona Assunta morreu!
Ela nunca pensou em mandar Moleca provar o elixir que tomava há anos, vindo de França, para rejuvenescimento!
E era no elixir que a negrinha faceira ia colocando pouco a pouco o veneno!
por
Monica às 8:59 PM
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