Sábado, Novembro 29, 2003




A ESPERA


Sendo hoje sábado, estou no






A ESPERA de todos.



Terça-feira, Novembro 25, 2003




SERÁ QUE ME TORNEI UMA MACACA?





"Era uma vez um macaco que resolveu tornar-se escritor.
Leu muito durante muitos meses, mas rapidamente percebeu que para ser um bom escritor precisava conhecer as pessoas. Por isso, começou a visitar todo mundo.
Como era muito simpático, foi convidado para inúmeras festas e eventos, sendo sempre bem acolhido.
Todos gostavam de ouvir sua conversa.
E nunca lhe faltava assunto. Política internacional, nacional ou municipal. Arte clássica, moderna ou pós-vanguardista. Filosofia antiga, medieval ou contemporânea.
Mostrava-se invariavelmente elegante, inteligente, brilhante.
Sempre, é claro, com o intuito secreto de investigar a natureza humana e retratá-la em seus futuros livros.

Até o dia em que o macaco sentiu-se apto a escrever.
E resolveu fazer um romance em que haveria ladrões espertos, capazes de enganar o mais experiente detetive.
Ao escrever, usava os detalhes do comportamento que registrara nas raposas, o modo como, sorrateiras, entravam nos galinheiros e levavam, em silêncio, o almoço seu e dos filhotes.
No entanto, a uma certa altura, o macaco lembrou-se de que as raposas da selva poderiam um dia ler o seu romance e, em especial, uma das raposas que sempre lhe servia maravilhosas canjas nos dias mais frios.
Resolveu interromper o romance.

Dias depois, no entanto, ocorreu-lhe outra história.
Escreveria um conto cujos personagens seriam oportunistas e aduladores, seres repugnantes que tudo obtêm com aquele comportamento que ele observara tantas vezes em suas conversas com as serpentes da selva.
O texto ia de vento em popa quando, subitamente, deu-se conta de que o conto, publicado, poderia cair nas mãos daquelas mesmas adoráveis serpentes que continuamente elogiavam as suas piruetas verbais, os seus brilhantes comentários...
O macaco resolveu abandonar este conto envenenado.

Semanas mais tarde, uma nova inspiração.
E se escrevesse um poema satirizando as relações amorosas?
Quantas e quantas vezes percebera que machos e fêmeas se uniam e logo que os filhotes estavam um pouco maiores, esqueciam -se um do outro em busca de outros enlaces conjugais passageiros...
Como eram superficiais e levianos em seu amor!
Começou a escrever o genial poema.
Quase no final, porém, tomou consciência de que, divulgado este poema satírico, poderia revoltar mais da metade dos habitantes da selva e atrair-lhe o ódio de todos os que sempre o trataram com tanto carinho nas festas de casamento.
Desistiu do poema.

E de muitas outras obras que ainda projetou escrever: um ensaio sobre o ativismo das abelhas, uma crônica que explorasse a obtusidade das toupeiras, uma peça de teatro que retratasse o indisfarçável mau humor das hienas...
Contudo, sempre recordava, no melhor do texto, que os seus leitores poderiam reconhecer-se e sentir-se ofendidos, fechando-lhe para sempre as portas.

Num belo dia, o macaco quase renunciou a tornar-se escritor.
Salvou-lhe a derradeira idéia.
Escreveria sobre a arte de escrever, aconselhando outros macacos romancistas, poetas ou ensaístas a jamais deixarem de escrever uma linha do que tivessem concebido criar, ainda que sentissem medo da reação desfavorável dos futuros leitores".

Este texto me foi enviado por um amigo escritor, autor da história, em uma época em que de seis a sete comentários, depois de um par de indicações, passei a ter 50, em média, por post.
Receosa, pensei em mudar de estilo, tornar-me mais séria.
Não consigo. Sou e sempre hei de ser uma eterna criança.

Contudo a idéia de ofender alguém, de ser politicamente não muito correta, apavorava-me.
"O que será que vão pensar? E este palavrão não está muito forte? Não estarei a escrever coisas jocosas, ofensivas até?"
Tornei-me parceira do Macaco, amiga íntima.
Por medo, passaria a não mais escrever?
Fui então, buscar dentro de mim a resposta para essas dúvidas e cheguei à eterna conclusão, que me persegue desde a infância: "O segredo do sucesso não conheço, o segredo do fracasso é tentar agradar a todos". Essa é de Sammy Davis Jr., e eu estou uma plagiadora de primeira.

Este post é dedicado a todas as pessoas que têm medo de colocar no papel suas idéias, seus pensamentos.
O medo nos faz mentir, o medo retrai, o medo embota a mente.
E a reação desfavorável de algum possível leitor?
Sou, agora, obrigada a citar Mario Quintana: "Cada um pensa como pode!"
Cada um lê e interpreta como quer.

Encontrei o equilíbrio, tento brincar com alguma elegância e delicadeza. Consigo? Não sei, tento.
O destino, sempre maroto, nos prega inúmeras peças.
Hoje me sinto cheia de coragem, mas então, o que falta?
- É tempo!!!!!!!
Beijos a todos.



Sábado, Novembro 22, 2003




PORQUE HOJE É SÁBADO





Hoje é dia de Ponto G. Emini.
Porque hoje é sábado.
Espero vê-los por lá
Porque hoje é sábado
Há um renovar de esperança
Porque hoje é sábado
Há a mais profunda discordância
Porque hoje é sábado
Convido-os então
Porque hoje é sábado
A ver tudo que pode acontecer
Em um dia como sábado!




Quinta-feira, Novembro 20, 2003




CLUBE DA ESQUINA


Depois de merecidos elogios aos cariocas e baianos, já é mais que tardia uma escrita sobre os mineiros.
Êta povo bom! Criativos, poéticos e engraçadíssimos.
Que mineiro come quieto é sabido, mas nunca encontrei tanta sabedoria num povo!
Uma ocasião disse a um amigo mineiro que adorava o sotaque deles.
- Pra que? Pra rir! Respondeu ele.
- Não, pra saborear! Disse eu. E é verdade, não tem coisa mais deliciosa que papo de mineiro!


Quem melhor representa esse povo, indiscutivelmente é o Clube da Esquina.
Garotos mineiros que nos anos setenta revolucionaram a Música Popular Brasileira.

A meu ver, esse movimento é mais importante que o Tropicalismo, com o devido respeito a Caetano, Gil e aos outros integrantes.
O Clube da Esquina teve menos projeção!

Milton Nascimento, recém chegado de Três Pontas, foi morar no Edifício Levy, em Belo Horizonte, onde viviam os irmãos Borges e, no sétimo andar, Wagner Tiso.

Os Borges eram doze ao todo, e o primeiro a fazer amizade com Milton foi o irmão mais velho, Marílton Borges.
Ensaiavam o dia todo num quarto abarrotado.
Milton, o Bituca, era e ainda é a pessoa mais tímida do mundo, falava pouco e, quando o fazia, gaguejava.

Uma vez, ensaiando no tal quarto, o pai de Marílton, Seu Salomão, entrou com um jeitão de poucos amigos e perguntou o que estavam fazendo. Conta-se que Milton ficou branco (será possível?)!
Seu Salomão fechou a porta, para voltar com pratos de "mexido mineiro".
Milton só fez dizer que foi o melhor "mexidinho" que comeu na vida.


Amigo de Marílton, fazer amizade com os dois irmãos mais novos, Lô e Márcio Borges, foi um passo.
Márcio tornou-se letrista das primeiras composições de Milton, enquanto Lô estudava harmonia com o guitarrista Toninho Horta.

Havia mais um menino, recém chegado de Montes Claros, Beto Guedes, e todos "furavam", de tanto ouvir, os discos dos Beatles.

Quando alguém perguntava a Dona Maricota onde estavam "os meninos" (Lô e Márcio), ela dizia:
- Ali na esquina, cantando e tocando violão.

Assim surgiu o embrião do Clube da Esquina, seguindo pelas noites, nas sessões do Cineclube SEC em BH.

A ditadura fervilhava, Milton compunha durante o dia e era crooner à noite.
Todos politizados e cultos, mesclavam suas canções entre a poesia e temas sociais.
Sempre aglutinados pelo tímido e ultra-sensível Milton.
"Miltons e seus tons geniais".

Há pouco tempo ouvi uma menina perguntar o que foi o Clube da Esquina.
Um BOÇAL de mais ou menos trinta e poucos anos respondeu que era um bando de "cachaceiros" mineiros, que ficavam jogando conversa fora, num bar de esquina em Belo Horizonte.


O bando de cachaceiros bobinhos, era: Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, Flávio Venturini, Nelson Ângelo, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Tavito, Fernando Brand, Eumir Deodato, Toninho Horta e é claro que não vou irritar o leitor citando mais e mais nomes.

Nomes não, pérolas da Música Popular Brasileira.

Compuseram e compõem músicas de dar orgulho de ser brasileiro a qualquer ser humano.
Gravaram o primeiro Clube da Esquina, um presente ao país, uma alquimia criada por este grupo de mineiros.

O disco amalgama Beatles, Bossa Nova, Jazz, Toadas, Folia de Rei e Rock Progressivo.
Tudo reunido numa música linda e original, sem contar a força poética.

Milton compunha como um anjo e cantava como um Deus, e ainda canta!
Elis gravou, Tom Jobim gravou, muitos gravaram Milton...
Bem como os outros componentes do Clube.

Absolutamente todos são reconhecidos internacionalmente.


Disse eu, a um amigo mineiro numa conversa, que adorava os compositores mineiros!
No dia seguinte recebi, via Sedex, o livro de Márcio Borges.

Um pacote maravilhoso com um cartão lindíssimo, letra impecável e palavras poéticas.
Bobinho meu amigo?
Não, chiquérrimo!

O livro é a biografia do Clube da Esquina, que Márcio Borges escreve com romantismo, poesia, inteligência e amor.
Está na quarta edição e um CD acompanha o impecável "Os sonhos não envelhecem".
Prefaciado por Caetano Veloso, a figura central é Milton e Caetano diz: - "Milton sempre foi obviamente para mim, um músico muito maior que eu".

E olha que Narciso acha feio o que não é espelho!

Márcio conta em seu livro que Maria Célia Brant foi a mulher mais linda que já pisou neste planeta, segundo a apreciação entusiástica de Bituca.

Célia entrou um dia na sala e pediu: - Toca aquela.
E voltou com um violão novinho e deu na mão de Bituca.

Ela se referia à música que Milton fizera com Fernando, seu irmão:
"Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver"...
Quando Bituca terminou, ela pediu: - Assina aí no violão!
- Mais é novinho, vai estragar!
- Vai estragar nada. Vocês vão ganhar este festival e ficar famosos. Quero ser a primeira a ter seu autógrafo no violão.
Bituca, muito sem graça, assinou...

O Clube da Esquina partiu para carreira solo.
Todos são destacados, todos são maravilhosos.

Milton, o aglutinador, reuniu a turma novamente e gravou o Clube da Esquina 2.
Grande sucesso!


Algumas "bobagens" foram escritas e gravadas como Travessia, Canção do Sal, Casa no Campo, Feira Moderna, O Trem Azul, Nascente, Rua Ramalhete, Nada Será como Antes, Cais, Pão e Água, Lumiar, Sol de Primavera, Meu Menino, Cravo e Canela, Maria Maria e tantas, tantas outras...

Não é de se admirar que Bituca tenha concorrido cinco vezes ao Grammy, para receber merecidamente, em 1995.
Aliás, merecia os outros quatro!

Tenho uma amiga mineira que às vezes liga e diz:
- "Ah, boba, vem pra cá ficá um poquin conosssco. Eu faço aquele feijãozin qu'ocê gosta! Feito ni fogão de lenha, bobin"!
Adoro o sotaque e o jeito simples dela falar, adoro o feijão que ela faz, adoro as músicas que vêm da terra dela, adoro as Minas Gerais!

E para os mais novos, é bom que se saiba que as Minas continuam a nos alimentar a alma.

Bandas de Rock apareceram, como o Sepultura, que é a mais conhecida no exterior, Skank, Pato Fu, Jota Quest...

Tudo "bobin"!


E tem o mais "bobin" de todos, nascido em Itabira, foi para Belo Horizonte aos 18 anos, não se considerava poeta e detestava dar entrevistas.

- Então, minha filha, já não dou entrevistas suficientes? Em minhas crônicas, contos, "causos" e poesias?

Traduzido em diversas línguas, esteve exposto no metrô de Paris com "O Mundo é Grande".

"O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
(Carlos Drummond de Andrade)

"O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente" (Drummond outra vez, porque Drummond se redunda!)



Segunda-feira, Novembro 17, 2003




QUEM MATOU DANA DE TEFFÉ?


Querido Leitor,
Por absoluta falta de tempo e alguns compromissos inadiáveis, posto uma crônica escrita em 13 de junho de 2003.
Espero que gostem!
Um beijão
Mônica


Poucos se lembram desse nome, que para mim sempre teve um grande fascínio, como se fosse um espectro em minha vida.
Eu era muito, muito pequena e ouvia falar de Leopoldo Heitor, "O Advogado do Diabo" e de Dana de Teffé.
Leopoldo foi advogado da família de Dana, seu amante segundo alguns, e seu assassino segundo a maioria.


Sem dúvida, este foi o caso policial mais misterioso de todos os tempos!
Na minha imaginação infantil, ela era um mito, divina e elegantíssima, a começar pelo nome, Dana.


Freqüentava a alta sociedade do Rio na década de 60 e foi casada umas quatro vezes.
Era tcheca, traiu parentes e amigos durante o nazismo, ganhou muito dinheiro, dançou no balé de Monte Carlo, casou-se com um conde, depois com um diplomata brasileiro, neto do Barão de Teffé, enviuvou e veio para o Brasil, cheia de dinheiro e jóias.
Talvez seu maior erro tenha sido envolver-se com o advogado da família, "O Advogado do Diabo".


Meu interesse na época era enorme.
Talvez os mais jovens, tenham tido este mesmo interesse, um dia, por Ângela Diniz e Doca Street. E os mais jovens ainda, por Daniela Perez e Guilherme de Pádua.
Não, não acredito. Notícias hoje são efêmeras, passam rapidamente, são inúmeras e mais violentas.


Esse meu fantasma, "Quem matou Dana de Teffé", possuía um ingrediente especial: o mistério!


O corpo de Dana nunca foi encontrado e Leopoldo Heitor foi acusado de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsificação de documentos e apropriação indébita dos bens que a ela pertenceram.
Ficou preso alguns dias, mas nunca se chegou a conclusão alguma.
O processo durou onze anos.
Leopoldo repetiu a história de que viajava com Dana de carro e foi parado por bandidos que levaram seus pertences e a glamurosa companheira.
Sem a existência do corpo, a justiça não admite o crime de morte.
O advogado livrou-se das acusações, permanecendo em liberdade até sua morte.


A revista "O Cruzeiro", incansável, publicava que haviam encontrado a ossada de Dana, uma écharpe, um sapato.
Cada vez mais sensacionalista. O público leitor ficava alucinado.
Vagamente me recordo do fotógrafo francês Jean Manzon e do famoso jornalista David Nasser.
Ambos de caráter muito duvidoso, publicavam qualquer coisa, desde que vendesse.
Se a história não fosse boa, David inventava, criava, viajava, desde que o lucro fosse líquido e certo.
E a revista vendia, vendia duas vezes mais que Paris Match, por exemplo.


Tudo é meio turvo em minha mente, mas adorava a dúbia revista.
Lembro-me de Pedro Bloch, do "Amigo da Onça" e de Dana de Teffé.
Comentários eram feitos em casa, meio à surdina, discretamente e aquilo aguçava mais minha curiosidade e meu fascínio.


Meu avô paterno fora amigo e conselheiro de Leopoldo.
Anos se passaram...
Em seu leito de morte, vovô chamou-me para elucidar toda a história. Tinha ciência do fantasma que vivia a me perseguir:
Dana desapareceu em 1961, o assalto ao trem pagador aconteceu em 1963.
Ronald Biggs e Dana de Teffé conheceram-se na Inglaterra, onde mantiveram um tórrido romance em segredo.
Meu fantasma estava vivo todo este tempo?!?!
Muito inteligente, Dana, meu ídolo infantil, não somente fora a mentora do assalto, como também simulou o próprio seqüestro.
Apaixonada por Ronald Biggs, Dana arquitetou tudo, com requinte e riqueza de detalhes.
Desde o assalto, até a fuga de Ronald da prisão Wandsworth, na Inglaterra, em 8 de julho de 1965, deixando a Scotland Yard totalmente perplexa.
O Detetive Superintendente Malcolm Fewrell declarou, na época, que a fuga de Biggs fora arquitetada com precisão matemática.


Durante os 15 meses em que Ronald ficou preso, Dana duplicou a fortuna, fruto do assalto ao trem inglês.
De volta ao Brasil, viveram o secreto romance.
Vivem hoje, com o filho, em um paraíso fiscal.
Com muito dinheiro, não foi nada difícil contratar recentemente quem se fizesse passar por Ronald Biggs, indo de volta à Inglaterra em uma cadeira de rodas.
O farsante, já um tanto moribundo, deixou a família bem de vida.


Leopoldo Heitor morreu velho no Rio de Janeiro, deixando dez filhos e oito netos.


Ronald e Dana mudaram de nome e vivem felizes na ilha, riquíssimos.


Eu virei David Nasser e minha pobre irmã, que se ocupa de ilustrar esta insensatez, é Jean Manzon.



Sábado, Novembro 15, 2003



VAMU S'IMBRIAGÁ?



Fonte Imagem


Aos amigo, aos leitor, devo aqui expricação
Hoje tô no Ponto G.Emini
Um brog pra lá de bom!
Tem Cacau e tem Cyrano
cau, Anderson e Pollyana
Cada um escreve um dia.
Todo dia na semana.
E a Deize e a Mônica?
Elas são boa também
Só que essas duas menina
Só escreve no week-end.

Com esse nome de brog
Deve de sê coisa erótica
E se assim num fô
Num será coisa astrológica?
Afe maria! que nada
É brog de boas fala
Das vez demora de abri
Mai é só esperá que embala

E essa turma de sete
Por que escreve tudo junto?
Num é junto... é por dia
Nasceru entre maio e junho

Hoje eu proponho procês
De nós tudo se embriagá
Quero vê tudo no fogo
E nem precisa pagá
Tem vinho, cerveja e pinga
Tem tudo que ocês gostá
E os abistemis convido
Pois tem água pra toma

Cacau traz o seu bode
Ele vai apreciá
Vai tê homenage pra ele
Que a Maya foi batizá

Vô ficando por aqui
Dizendo um inté por
Que é capaz da A.B.L.
Uma cadeira mim dá!

Assinado: Bode...lera.





Quinta-feira, Novembro 13, 2003



A CARTOMANTE



Ilustração:The Fortune Teller - Frédéric Bazille 1841-1870


Carmem era uma mulher bonita, rica, mimada e prepotente.
As coisas eram do seu jeito, ou... eram.
Não era má, mas o excesso de mimos, zelos e dinheiro, estragaram-na.
Gostava de dar ordens e apreciava ser obedecida.
Pessoa de difícil convivência, só mesmo quem tinha com ela, paciência de Jó, era a doce e amável Angélica, sua fiel escudeira.

Carmem tinha uma paixão, um vício, uma loucura: cartomantes, videntes, ciganas.
Essas se aproveitavam de sua ingenuidade e tiravam-lhe bom dinheiro, com promessas e sortilégios.
Carmem comprava ilusões.

Angélica, moça de poucas posses, não era interesseira, tampouco oportunista, gostava da amiga.
Não que a ricaça lhe cobrisse de mimos e presentes. Dava-lhe roupa usada e limitava-se a pagar algumas contas de restaurante. Afinal, a amiga poderia acompanhá-la em um frugal sanduíche, nada mais.
Ligar no meio da noite para contar, invariavelmente, algo sobre a mais recente consulta, era coisa corriqueira.

- Imagine, Angélica, antes mesmo que eu abrisse a boca, a cartomante botou cartas e disse que eu era noiva!
- Você foi com a aliança na mão direita?
- Fui, por quê?
- Nada! Pare, por favor, com essas cartomantes. Elas tomam o seu dinheiro e você, falante como é, dá todas as dicas.
Vai de aliança, comenta do noivo, conta-lhes a idade. Tente ficar muda para ver se a criatura acerta algo de fato.
- Que nada, esta descobri por acaso, e é boa mesmo.
- Onde fica?
- Ah, em um lugar longíssimo, perto de Jardim Jacira.
- Cuidado com esses lugares, são perigosos.
- Que nada, sei me defender.

Obviamente, com o passar do tempo, acabava descobrindo o grande engodo e com ódio abandonava a dileta cigana, para partir para outra, agora sim... espetacular.
Na verdade Carmem corroía-se de dúvidas.

Noiva de um rico herdeiro, nutria uma bem querência mais do que especial pelo amigo do noivo, José Carlos. Rapaz não tão rico assim.
Em sua cabeça oca, pensava que a cartomante resolveria o dilema.
"Seria José Carlos interesseiro, ou amava-a verdadeiramente?"
O rapaz dera para agarrar a moça pelos corredores; beijos tórridos e encontros clandestinos passaram a ser inevitáveis.
Totalmente obcecada, Carmem não vivia mais sem cartomante e sem Angélica.

A pobre tinha que acompanhar Carmem às compras, cabeleireiro, sessões de massagem e ouvir a eterna cantilena: José Carlos e cartomantes.
Nesse torvelinho de emoções: noivo, amante amigo do noivo, cartomantes, Carmem dera para ficar mais nervosa, mais agressiva e ditatorial com Angélica.
"Angélica é mesmo uma tonta, não percebe o quanto a amiga é egoísta, adora o som da própria voz e não lhe dá a devida atenção", rezava à boca pequena.
Angélica, um ser iluminado (o nome já diz), levava tudo na maior tranqüilidade.
Ocupava-se de dar bons conselhos, vãos.

No meio de uma madrugada chuvosa, sem cerimônias, Carmem acordou Angélica, ensandecida, depois de passar horas em um hotel com José Carlos.
Ela tinha que contar à confidente sua mais nova descoberta: Mme. Zaira.
- Ela sabe tudo! Disse meu nome.
- Não diga! respondeu a coitada sonolenta.
- O problema é que se cansa rapidamente, pediu-me para voltar amanhã. Você vai comigo. Assim pára de implicar e vai ver o quanto Mme. Zaira é fantástica.

Foram juntas a várias sessões.
Mme. acabou garantindo que Carmem se casaria com José Carlos.
- Moça bom. Esperança boa pelo porta do rua. Vamos a ver o que temas hoje parra senhorrita Carmem, de mais perta, de mais certa e de novidade.

Desta vez até Angélica parecia impressionada, Zaira citava detalhes íntimos.
Carmem, feliz, pagava em dobro as consultas.
O problema é que Zaira cansava-se logo. Já estava velhinha a coitada.

Alguns meses se passaram, tudo parecia caminhar bem.
Carmem apaixonada, em vias de terminar o noivado com o rico herdeiro e de casar-se de vez com José Carlos, estava esfuziante.
Angélica seria, logicamente, a madrinha.

Naquele dia Angélica chegou na casa de Carmem aos prantos.
A mãe estava à morte, chamava por ela.
Teria de ir imediatamente para o Ceará... queria ver a mãe. Tinha medo de que a longa viagem de ônibus a impossibilitasse de encontrá-la com vida.
Carmem não ofereceu uma passagem de avião.
Despediu-se com uma certa irritação velada e recomendou que a amiga voltasse para o casamento, que estava bem próximo.
- Claro que volto! Mamãe há de melhorar.

Para distrair-se, passou a freqüentar Zaira diariamente. Sentia falta da amiga que não regressava.
"Essa velha nem bem morre, nem bem sara, que diabo!"
Teve então uma grande idéia: mandaria um jatinho buscar Angélica em Fortaleza, estava decidido.

Foi assim que Carmem descobriu que Angélica estava na Polinésia Francesa com José Carlos, seu antigo amante.
O gordo óbolo que Carmem oferecia a Santa Zaira era dividido irmãmente com Angélica, que passava as preciosas informações.

UPDATE:

Zaira chama-se Josefa, mora em Quintino, aplica vários golpes e nunca foi descoberta.
Angélica está no Tahiti, além de dividir as consultas com Zéfa, tomou emprestadas algumas jóias de Carmem. Coisinhas simples. O suficiente para viver com conforto, sem trabalhar. Chama-se Marilza, e sua mãe morreu de parto.
José Carlos vive com Marilza, é um malandrão, mas ela o traz num cortado... e como é bonito! Nome verdadeiro: Clayton.
O noivo recusou-se a perdoar Carmem e casou-se com uma de suas amigas.
Carmem tornou-se benemérita, cuida de favelas e "sua" confidente, hoje, é o cabeleireiro da moda: August Liebe Rat.



Terça-feira, Novembro 11, 2003




O QUE UMA PESSOA PODE FAZER EM UM SÓ DIA


Estou sempre dizendo o quanto sou desligada e sempre afirmando que gosto de pessoas assim.
Pessoas aéreas que não prestam atenção em coisas pequenas, de menor importância. Isto as faz atraentes, possuidoras de uma luz maior.
- Ouviu o que fulana falou?
- Não, nem prestei atenção.
- Viu a roupa de sicrano?
- Não, não reparei.
Sou desatenta, porém não passo perto de ser Madre Tereza.
Tenho um gosto especial: observar a natureza humana.

Moças ou senhoras com sandálias de tiras e o dedo mindinho que insiste em ficar para fora do referido calçado, preferivelmente com unhas esmaltadas de vermelho. É lindo!
Senhores carecas que repartem os cabelos perto da orelha, pedindo emprestado, para cobrir a calvície. É lindo também!
Homens de peruca.
Senhoras imensamente gordas, vestidas de calça branca de lycra e blusa curtinha, onde podemos observar a profusão "celulitosa".


Observo essas coisas a título de curiosidade. Mais como divertimento.
Cada um faz o que quer e diferenças colorem o mundo.
Mas não nego que me divirto.

Desligada e aérea é minha amiga, Nora.

Detesto histórias inverossímeis, mas com ela tudo é possível.
Bom coração, bonita, culta e os dezoito graus de miopia não a fazem mais atenta.
Muito ao contrário, míopes em geral tornam-se meio surdos sem os óculos e ainda mais desatentos.
Incapaz de um julgamento leviano, ela é bondosa e, como direi... meio birutinha.

Levou um tombo, torceu o pé direito. Sentia dores, mas estava de viagem marcada para a Riviera Francesa, com a irmã Elide e o cunhado Waldir.

Chegaram a Mônaco, deixaram as malas no hotel e Elide, mais agitada, quis dar uma volta.

Após alguns quarteirões Nora desistiu. O pé inchou e, sendo o primeiro dia da viagem, resolveu voltar ao hotel.
Entrou no saguão, pediu a chave (só Deus sabe como decorou o número do apartamento).
Chegou no quarto louca por um banho e um pouco de repouso. Foi ao toalete e resolveu que abriria as malas e tomaria um longo banho de imersão.
Estranhou deveras. O banheiro não possuía banheira, a cama parecia mais escura...

Nora estava no hotel errado.

Desceu apressada, devolveu a chave ao concièrge, disse "Bon Jour" e saiu rapidamente.
Seu hotel era, na verdade, a duas quadras dali.
Chegou finalmente ao local certo.
Cansada, olhou para a mala, reconheceu-a e resolveu finalmente desfazê-la e tomar o sonhado banho.
Ao abrir a mala, estranhou... um paletó preto masculino cobria o restante das roupas.
"Não trouxe nenhum blazer preto de homem. Na pressa, Elide deve tê-lo colocado aqui. Só pode ser de Waldir. Estranho não ter comentado ou pedido para usar minha mala!" pensou a doidivanas Nora.

Agora a coisa vai esquentar.
Parece um enlatado americano, mas juro por tudo, que é a mais pura expressão da verdade.

Sob o blazer jaziam mais de um milhão de dólares.

Um milhão disse Nora... porque a partir disso acho que perdemos a noção. Não sabemos contar.
O fato é que o malão estava recheado de notas de cem dólares e Nora, atônita, não sabia o que fazer.
Ligou imediatamente para a irmã, que havia voltado do passeio junto com o marido, e contou-lhe, tremendo de medo, o episódio.
Waldir, metido a sabichão, calculou três milhões.
- Vamos imediatamente para o aeroporto, proferiu o cunhado.

Lá chegando, um homem de ar suspeito, óculos escuros, arrancou a mala da mão de Nora sem uma palavra. Fez a troca e praticamente arremessou a de minha amiga no ar.

- Não pensou em gastar "milzinho"? brinquei eu.

- Por Deus, vê lá se ia querer a Interpol, SWAT, CIA, La Police Française, no meu encalço.
- Dinheiro de drogas, muito provavelmente, sussurrou ela, que não fala esse tipo de coisas, assim abertamente.

Voltaram ao hotel.

Nora descansou e Waldir resolveu que iriam ao Cassino de Monte Carlo.
- Você precisa se distrair.
Relutante, minha amiguinha aceitou.
Não joga nem bacarat, 21 ou roleta. No máximo um buraquinho.

Tomou champanhe, zanzou um pouco, pegou Waldir pelo braço e pediu:
- Leve-me até o quarto. Estou a dar respostas um tanto "achampanhadas". Deve ter sido todo o stress que passei e não sei precisar quantas taças tomei.

Dirigiram-se ao elevador, braços dados.
No oitavo andar notou que o cunhado era um estranho, alguém de olhar maroto; fazia lembrar Rainier.
- Quem é o senhor?
- Jean Pierre, a pessoa que a senhora pegou pelo braço e falou em língua estrangeira.
- Imagine! Nunca pegaria um desconhecido pelo braço. Chamei meu cunhado.
- Explique, então, como foi que apareci aqui.
- Não sei. Só sei que, se o senhor fosse um cavalheiro, teria avisado que havia um engano.
- Mas, madame...
- Pode se retirar, disse Nora. Não converso com estranhos.

O monegasco retirou-se.
Se fosse brasileiro...
O diabo é que aquela antiga máxima não sai de meu pensamento. Porque se fosse brasileiro haveria de dizer, ou pensar, ou cantar:
"Ajoelhou, tem que rezar".
Nora não, jamais...

Tenho pra mim que ,se não fosse o bigodinho de Rainier, Nora entraria no quarto com a estranha figura, pensando na simpática surpresa que o marido fizera, indo encontrá-la tão inesperadamente!

Gente assim existe, pode acreditar!



Sábado, Novembro 08, 2003




SÃO PAULO MEU AMOR


"Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João...
... Eu vejo surgir teu poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva..."
Querem saber um pouco, dos sentimentos de uma paulistana, sobre São Paulo?
É lá no Ponto G. Emini.
Porque hoje é sabado!
Vamos lá?
Um beijo pra todos, paulistas ou não,
Afinal, somos todos irmãos!


Terça-feira, Novembro 04, 2003




CAFÉ E DOIS DEDOS DE PROSA


Estava excitadíssima, minha amiga querida telefonou e, com toda simplicidade, me fez um convite:
- Venha tomar um café e assim proseamos.
- Hoje? perguntei (ando um pouco ocupada).
- Claro! Velho tem pressa. Olha, é café da fazenda e coado no pano.

Como recusar um convite tão singelo, de uma amiga que tanto admiro.
Aceitei, pegou-me tanto pela boa prosa, quanto pelo estômago. Seu café é delicioso... e acompanhado de pães, bolinhos, broas.

Temos muito em comum, o gosto pelas letras, a admiração por Júlio Verne, Agatha Christie, quem diria, além dos clássicos.
Temos uma diferença gritante: a idade. Ela é exatamente 50 anos mais velha que eu.
Não obstante, parecemos duas mocinhas conversando.

Recebeu-me com aquele sorriso gostoso, o leve sotaque cearense, e a mesa posta na cozinha... era de dar água na boca.
Falamos de milhões de assuntos, ela quis falar da velhice:
- "Envelhecer é uma coisa muito curiosa. O tempo é o meu tempo sempre. Estou viva, então o tempo me pertence. O tempo passa através de você, e você vai vendo as coisas da sua civilização, você faz parte destas coisas, você cresce com elas. Esse negócio da faixa etária é muito arbitrário. Eu, quando era jovem, me dava muito bem com os velhos".

Eu também... pensei cá comigo, e ela seguiu falando:

- "Há jovens velhos e velhos bastante jovens. Conheci e fiz, na minha mocidade, muita amizade com velhos bastante jovens e cheios de vida, e que me ensinaram muito. Conheci Graça Aranha com setenta e tantos anos, e eu tinha vinte, e nós conversávamos de igual pra igual. O meu grande amigo e guru".

- Como nós duas! Você é "minha" guru e pare de falar em velhice, afinal você é imortal!
- Deixa disso.

Passamos para sala de estar, abarrotada de livros e santos.
Bem sei que Rachel é atéia convicta.
Os santos são herança da avó, já os livros, uma paixão.
Sentada em sua poltrona favorita, toda bordada em ponto cruz, continuou, falou-me das vezes que foi presa na época de Getúlio.
A mais demorada passou seis dias na cadeia - e o jornal católico de Fortaleza se escandalizou:
- Papai e mamãe foram me visitar e eu toda orgulhosa, posando de Joana D' Arc... eles começaram a rir.
Quando me soltaram, papai foi me buscar.

- Seus pais deviam ser ótimos, afirmei.
- Foram sim. Sabe, estudei de 1921 a 1925, no colégio de freiras de Fortaleza, onde aprendi francês e um tanto de inglês, o resto, meus pais me ensinaram. Papai só não conseguiu me ensinar a dirigir. Quando tentou, ficou nervoso e disse:
- Rachel, você não nasceu pra isso, além de tonta é cega!
- Nunca mais aprendi!
Sei que hoje ela tem um motorista.

Começamos a falar de livros.
Gostei quando Rachel disse:
- "O livro me parece eterno. A forma que se apresenta é que pode variar. Seja volume manuscrito, impresso, em grafia eletrônica ou quaisquer outras formas em que ele se apresenta, o livro nunca deixará de ser um livro".

- E "O Quinze"? Li "O Quinze" quando tinha quinze anos, chorei com seus retirantes. Menina, paulista, aquela seca nordestina me parecia irreal, até que você colou no papel de forma tão contundente.
- Não gosto de nada que escrevo, nem releio.
- Eu também não!
- Escrevi aos 18 anos, à noite, meio escondida, e tinha vergonha de mostrar, aos poucos mostrei a minha mãe. "Papai então financiou a edição e nós o lançamos. O livro deu sorte e de lá pra cá não posso me queixar. Era um tema nacional, a seca. Mario de Andrade e Manuel Bandeira o elogiaram muito".

- Assim que você me convidou pra esse delicioso café, fui procurar "O Quinze", a antologia toda: as Três Marias, João Miguel, Dóra, Doralina e o Caminho das Pedras. Pensei em trazer, você escreveria qualquer coisa. Foi de minha mãe, ela ensinou-me a gostar de você.
Porém, não houve meio de encontrar, sumiu a antologia toda. Será que emprestei? Seria eu tão tonta?

- Minha cara, tonta não é, mas ouça um conselho de amiga mais velha:
Existem três coisas que não se emprestam: escova de dente, marido e livros!

Sorri, despedi-me dela com um abraço apertado e fui-me embora.
Hoje ela se foi!
Com um nó dentro do peito digo outra vez:

- Rachel de Queiroz, você é imortal!



Sábado, Novembro 01, 2003




POR QUE AS ESTRELHAS BRILHAM?



Starry Night - Saint-Rémy: June, 1889 - Oil on canvas - 73 x 92 cm. Van Gogh


Alguém quer saber por que as estrelas brilham?
Então vamos comigo até o Ponto G. Emini, por que hoje é sábado e eu estou lá, junto com vocês!
Um grande beijo.



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