Quarta-feira, Março 31, 2004




O DENTE DE JOSÉ


José é um sedutor. Aquele tipo malandrão que se explica: - Não tenho culpa se todas dão em cima de mim, sou apenas um.
Diz isso com jeitinho de carente. E elas gostam, como gostam...

Já cansei de avisar que Zé ainda vai ser assassinado, por um corno ciumento.
Ele ri e não dá a mínima bola.
Vira-se em mil e, sendo jeitosa, caiu na rede de José é peixe.

Quando quer impressionar a fulana, apresenta-se como Joseph.
Eu o chamo de Zé mesmo, mais brasileiro, autêntico e acaboclado. Combina com ele.

Olhos verdes, sorriso lindo, dentinho superior quebrado, aquilo lhe emprestava um charme louco.

Acontece que o tal dentinho resolveu doer e lá foi ele em busca de um profissional.

Dentistas são iguais a cabeleireiras que não podem ver uma tesoura. Pede-se para aparar as pontas, elas tosam os cabelos da gente.
Com dentista ocorre o mesmo. O homem tratou de gastar o dente do Zé.
Logo aquele dentinho que ele tirava tanto partido. Encostava a lingüinha e lançava lânguidos olhares às mulheres.Que charme!

Meu amigo quase teve uma síncope quando viu que estava com menos de meio dente.
E agora?
O jeito foi visitar outro, agora dos bons, caríssimo.
O doutor foi incisivo nas palavras e no método.
- A solução será gastarmos o dente inteiro, deixarmos um pino, e colocarmos uma prótese. São perfeitas, vêm de Rotherdam.

José, que não é grande coisa em geografia, achou o nome pomposo, chique, jeito de coisa boa.
Topou pagar a fortuna que o profissional exigiu. Tudo em nome das mulheres, seu esporte favorito.
Acontece que essas coisas demoram e o dentista avisou:- Colocaremos um provisório e daqui a quinze dias o definitivo.
- Provisório na frente, hoje é sexta-feira, e se isso cai? José estava desesperado, tinha lá seus compromissos.
- Não se preocupe, sou o rei dos provisórios, só não coma pedra. O resto confie em mim.

E o rapaz confiou...

O encontro era em um bar, só homens, e às tantas, o dente caiu naquele chão imundo do boteco.
Nunca soube se Zé o lavou. Penso que "embirocou" o dente ali mesmo e os amigos as gargalhadas diziam: - Joseph, ficar sem dente da frente é pior que broxar... você está horrível!

Meu amigo mandou todos para aquele lugar, riu um pouco e pediu outro "chopps" (gosta de falar assim no plural).

Depois de vários, Zé continuava a sentir o dente meio balançando, aquilo virou uma espécie de tique.
Agora ele conversava com a língua empurrando o tinhoso pra frente e pra trás. Vício inevitável, incontrolável, quase uma loucura.

A mesa era farta: Catuaba, Jurubeba, Chapinha, Cynar, Contini, conhaque "Sedutor", torresmo, ovos de codorna, salaminho, picles, mortadela, porções de sarapatel.
A conversa, logicamente, versava sobre futebol, mulheres, peitos, bundas e afins.
- Realmente cerveja empapuça e não dá barato, disse Zé.

Chamou o garçom. Pediu um Dreher, afinal estava dando duro com o inquieto dente.
Atacou o sarapatel e percebeu que o dente foi parar dentro do copo do companheiro de noitadas.
Não teve dúvidas, virou a Catuaba do amigo na esperança de encontrar o dente.
Com desespero mortal, procurava o dito com a língua.
Concentrado pensava: "não posso engoli-lo".
Já era um virtuose na nova técnica dente/ língua. Gozação dos amigos estava fora. Finalmente achou do bandido.
- O sarapatel está meio salgado, desculpa aí ter tomado sua bebida.
- Garçom, outra Catuaba aqui pro meu amigo.

Virou o Dreher e aflitíssimo não sabia o que fazer com o dente. Colocou no bolso e resolveu que se tivesse de rir, riria de boca fechada.

Outro Dreher!

Nessa altura uma loura idêntica a Vera Fisher, aos olhos de José, já um tanto alcoolizado, apareceu desacompanhada.
E não é que a tal Vera lançava olhares provocantes a José!
Ai, o álcool... a velha história, mulheres mais bonitas, contas mais baratas...
Ela era, de fato, vistosa.
Coisa assim não aparecia todos os dias naquele boteco com música dançante. A gostosona deu uma cruzada de pernas à la Sharon Stone em Instinto Selvagem, enquanto apertava os olhos e fazia aquela boca mole que enlouqueceu o Zé.

Ele tinha que tirar a mulher pra dançar, ele tinha de fazer algo.
E o dente?
De súbito decidiu: "vou comprar cigarros".

Lançou um olhar de "me aguarde", entrou em uma loja de conveniências e comprou uma super-bonder, ansioso para encontrar Vera-Sharon ainda lá disponível.
Gênio o José... e Vera estava à espera.

Dente firme, confiança reabilitada, foi direto até ela.
- Vamos dançar?
- Claro!

Nossa, que Zé era um sucesso ele já sabia, mas aquilo era demais.
Mulher cheirosa, fogosa, louca pra dançar e beijar ardentemente.
Ele podia sentir isso nas entranhas.

Começaram e logo aquilo não era mais dança, era um amasso.
Bobagens ao pé do ouvido, beijos no pescoço, cabelos, colo, e a moça estava não só adorando a lambuzeira, como correspondendo.

De tempos em tempos, ele checava o dente e sentiu que o efeito da cola com a saliva não havia sido tão eficaz. O maldito balançava.
No vale tudo, só não podia beijo de língua.
"É só não beijar na boca", concentrava-se Zé. "Vai que ela engole".
Desespero, suor frio...
O dente já era um membro de seu corpo, uma preciosidade...e o vexame se caísse na boca da moça.

Não, não caiu dentro da boca.
Caiu, sim, direto no profundo decote do vestido de Vera.

Zé enfiou a mão, precisava resgatar seu companheiro, e apalpou os peitos da excitada, agora apopléctica criatura.
Tomou um tapa na cara e ouviu:- Nunca um homem pegou nos meus seios sem antes me beijar na boca!
E agora, José?



Sábado, Março 27, 2004




HORIZONTE DALI





Vamos ver a Linha do Horizonte daqui ou dali?

Dali... no PONTO G. EMINI.




Quinta-feira, Março 25, 2004




ATÉ TU, DAVID?


Será que meu computador esta de mal comigo? Logo eu que o considero um bom amigo!
Sim porque quando não estou sem conexão, as janelas abrem e o que aparece?
Emagreça dormindo, lipoaspiração, botox, restilane, lifting, cirurgia plástica.

Ando feia? Gorda? Responde aí, meu! Tá com medo?

E Virgil? Homens tomam Viagra, mulheres Virgil... Será que devolve a virgindade? Tudo é possível.
Alongamento de pênis... deixa essa pra quem tem.

O fato é que a mulher está cada vez mais repuxada e inexpressiva. Vide Marta Suplicy, inexpressiva em todos os sentidos. Não é só ela, são muitas! É assustador, elas me parecem todas iguais, sem expressão, padronizadas.



Penso em Aldous Huxley, são todas alfas ou gamas?

Movidas pelo desejo legítimo de ter uma aparência melhor, milhares de pessoas recorrem à cirurgia plástica como quem vai às compras.
"Formas perfeitas ao alcance de todos". "Tenha um corpo irresistível". "Beleza, harmonia, sensibilidade... Conceitos ligados à arte, manejados por quem entende do que faz".
Essas frases que mais parecem propaganda de academia ou comida light são, na verdade, anúncios de clínicas de cirurgia plástica.

E as loucas se retalham, repuxam e acham que estão mais bonitas e jovens.
Não sou contra plástica, lifting e afins. O que falta é critério tanto nas mulheres quanto, em grande parte, nos médicos.
- Quantos mililitros você colocou? Pergunta corriqueira.
Reunião para aplicação de Botox, alguém conhece?

É simples, eu explico: uma madame qualquer chama um médico qualquer, e vão aplicando o tal produto, enquanto os garçons servem pró-seco e canapés. É muito mais econômico, prático e bizarro. Fellini adoraria a cena!

Lembro-me bem do primeiro outdoor em que vi a Cicarelli fazendo biquinho.
- Olha aquele outdoor, é de Botox que não deu certo. Olha a boca da moça, tadinha!
Quase me mataram!!! Dizem que ela é lindíssima pessoalmente. Talvez seja, mas que parecia uma aplicação errada ali, parecia.
Eu não quero apanhar e nem entender o por quê de mulheres admirarem a beleza de Ana Paula Arósio e homens a de Sheila Carvalho... É o tcham...só pode ser.

Não tenho nada com isso, entendo e respeito quase tudo, mas com David não! Por Deus, alguém tem que interceder!



Todos sabem que David de Michelangelo completa 500 anos agora em 2004.
Para a celebração, a belíssima estátua está sendo limpa e restaurada.

O problema é que os restauradores não entravam em um consenso. David (como se fosse um terno) deve ser lavado com água ou a seco?
Os modos de limpeza na escultura ícone do Renascimento, dividiram o mundo da arte.
Lavá-lo com água poderia trazer o aspecto original de David, que já passou por poucas e boas.

Teve um braço arrancado em 1527 durante um motim e a restauração feita com cal e água, visível até os dias de hoje, ficaria muito mais evidente.
Em 1810 cobriram-no com cera. Em 1843 a cera e a pátina originais de Michelangelo foram removidas com ácido.
Os restauradores que defendiam a limpeza a seco, sabiam que só a sujeira grossa seria eliminada. Na minha opinião a idéia mais sensata.
Terminaram chegando ao consenso de uma limpeza "úmida", com compressas impregnadas de água destilada aplicadas sobre o mármore durante períodos de 15 a 20 minutos. Método úmido e água destilada, tudo parecia estar resolvido.

Acontece que algumas senhoras florentinas desejam que, pasmem, o pênis de David seja alongado! Ficaria mais harmonioso, disse a Senhora Antonella Faletti. E muitas outras assinam cartas pedindo que a "cirurgia" de alongamento seja feita.
Como bem colocou a desbocadíssima Nana Caymme, no camarim do Canecão:



"Estão arregimentando o p** do David em Firenze!"
É cômico se não fosse tão trágico!!
E pensar que essas mulheres nasceram em Firenze (Florença) terra de Dante Alighieri. É a Divina Comédia! É o Fantástico Show da Vida! É a Boquinha da Garrafa, é o Tcham. Só pode ser!

Alongar o pênis de David é de matar qualquer um. A ignorância existe em qualquer parte do mundo!
David é a mais pura expressão de harmonia e proporção.



Quem viu ao vivo a mão direita da obra prima de Michelangelo sabe que as veias parecem pulsar, o sangue correr. O escultor foi além da arte e é símbolo de adoração, porque é perfeito!
Signore, per Dio, alonguem o pênis dos maridos, se entupam de silicone, mas não toquem em David. Definitivamente, ele não merece!



Quarta-feira, Março 24, 2004



A ENTREVISTA





Recebi do Gustavo Gomes - 0 blogólogo um convite para ser a entrevistada da semana.

Tchela gentilmente me indicou.

Gustavo leu o blog todo, quanta paciência e ainda elogiou.

Recebi um e-mail para que fizesse um teste. Entrei com um "nick", coloquei a senha e entrei em uma página de entrevistas, com algumas horas de antecedência.Tudo certo!

O entrevistador pediu licença, entrou no MSN e nos apresentamos. Trocamos fotos, conversamos um pouco e já me senti muito à vontade.
Estava pronta para enfrentar a arena, pontualmente às 19.30h.

Minha conexão anda péssima, só essa semana fiquei três vezes sem.
Na hora exata entrei, Gustavo avisou: espere em pouco, faça aí um charminho, para que as pessoas cheguem.
Ai, charminho.
Não tinha charme pra fazer nada, ouvi uma música e as 19.05h entrei. A página abriu, li umas duas perguntas e comecei a respondê-las. Caiu tudo!

E agora? pensei.

Gustavo com o maior jogo de cintura e rapidez, conseguiu abrir outra janela, me fazia as perguntas e copiava-as rapidamente dentro do Chat.

A melhor parte ninguém sabe, só eu mesma.

Messenger aberto e conexões ruins... todas as pessoas entravam... E eu ali e no Chat.

Cacau chamando o fulano que instalou o computador de C******, dizendo que ia processar e quebrar o dito.

Uma senhora pedindo uma receita de cassoulet. Disse que a filha comeu aqui em casa e estava ótimo!
- Mando a receita, respondi e pensei: quem seria essa pessoa? E ela queria na hora!
E eu respondendo as perguntas dos blogueiros via Guga.

Minha adorável irmã não conseguia ler as respostas e me xingava como se a culpa fosse minha, no MSN.
E eu respondendo...

Rúbia se desculpando por não participar, era seu aniversário. Estava de saída, mas resolveu me explicar o caminho...
E eu respondendo tudo simultaneamente.

Marina Lima entra.
- Nossa, perguntou Gustavo, é quem eu penso?
- Lógico, só me dou com chiques e famosos, brinquei.
Posso ser processada por uso indevido de imagem.
Marina comenta: - Leio as Crônicas da Mônica e saio para os shows da vida!

E eu respondendo o questionário e o Messenger aberto, umas dez janelas, só. Uma bobagem. Digito rápido, sou atenta e não confundo janelas, nunca. Nem troco e-mails!

Marco, sempre doce se desculpa: não pode participar, mas deixou uma pergunta.

E o mediador perguntando e eu respondendo.

E o mundo apitando no MSN.

Minha mãe telefona para marcar um almoço.

, a adorável, reclama de novo: - Vou tentar entrar, saco!!
- Tente!

Polly: - Não consigo perguntar!!!
- Tenta de novo, querida.

Leila Eme, sempre divertida, entra no Messenger...
- Mônica que legal, estou adorando, sabe... e começa a contar um caso...

E eu respondendo, ora ao Guga, ora aos apitos.

Claudinho: - Tenho aula, preciso ir!
- Vá, um beijo.
- Não Guga, não é para o rapaz aí, errei de janela.

Gustavo contou que eu sou tão adorável quanto minhas crônicas.
Um engraçadinho pede fotos.
É, virou festa de arromba.
Minha cabeça rodava...
Todos que entraram foram maravilhosos, , Nanda, Marina, Biba, Lilia, Tchela, Helô, Moreno, Glayson, Rapha, Paulim, Marcos, Sérgio, Cantar, Rafa, Pemal, Fábio.

Vou cansar vocês, mas tenho os nomes aqui e vou visitá-los todos.

Mas a melhor de todas ainda estava por vir.

Minha amiga Lilia de New Jersey. Lilia definitivamente não gosta de Messenger, mas abriu uma exceção nesse dia.
Outro apito: - Mô sua entrevista está super BACANA, mas tenho que ir dar o jantar do meu Paul.
- BABACA? Eu não estou dizendo nada de babaca, só se o blogólogo está mudando tudo! Não vejo vocês! E antes que eu me esqueça babaca é a vó.
No stress li Babaca invés de Bacana!



Sábado, Março 20, 2004



CHAT-ENTREVISTA



Segunda-feira as 19:30h estarei no endereço abaixo sendo entrevistada (em chat) pelo "blogólogo" Gustavo Gomes.




Vão pensando nas perguntas, mas manerem, hein?

MAU HUMOR




Está de mau humor?

Vem cá no PONTO G.EMINI.



Terça-feira, Março 16, 2004



O BOCA

Samya estava louca, ensandecida!

Bonita moça, 1,78m, um tipo exuberante, chamativo, muito loura e suave. Mãe extremosa, boa dona de casa, três filhos e o marido excepcional.
Gostava de computadores, mas não com fanatismo. Trocava mensagens com amigas, pagava contas e gostava de conversar no Messenger com uma amiga em especial.


Um belo dia a tal amiga perguntou se poderia adicionar um amigo, Samya aceitou e foi assim que tudo começou.
Os dois se gostaram na hora, pareciam almas gêmeas.
A troca de e-mails era infindável, longos papos naquele Messenger. Chegavam a ficar sete horas ininterruptas na conversa.
Samya estava literalmente apaixonada pelo "Boca", era este o apelido.
O Boca deixava Baudelaire e Cyrano de Bergerac no chinelo.
Era perdulário com palavras e econômico com imagens.
Escrevia interlúdios, e-mails apaixonados, poesias belíssimas.
Fotos, enviava poucas; ora da boca, ora dos olhos...

E que boca!!!


Aquela boca acompanhava os pensamentos de Samya.
Sua vida não tinha mais sentido sem os poemas, as palavras e a boca do Boca.
E o Boca para piorar a situação morava na Venezuela. Tudo tão distante e aquele amor tão intenso!

Começaram os telefonemas e infinitas mensagens de celular.
Samya, não consigo imaginar o por que, chamava o Boca, de pAPi.
Os apaixonados são sempre ridículos. Todos. Não excluo ninguém e nunca entendi o tal apelidinho carinhoso, escrito dessa forma.
Mas... coisas do coração são mesmo incompreensíveis.

Desesperada e cheia de saudades daquela boca linda, com uma pintinha abaixo do lábio inferior direito, Samya mandou, dentre tantas outras, uma mensagem pelo celular:
pAPi, eu te amo, te quero e quando você vier me conhecer vou fazer uma feijoada que você vai amar! Terminava o recado com algumas palavras mais "calientes"...

O celular começou a avisar uma, duas, dez, vinte, quarenta vezes, que a mensagem havia sido enviada com sucesso.
O marido de Samya perguntava irritado: - Por que esse celular não pára de apitar?
Aflitíssima, a linda loura, resolveu ligar para Boca pAPi, que inteligentíssimo conjeturou:.

Mi amor, tu teléfono móbile está clonado. Todos tus contatos van a recibir mensajens de nosotros. Ayyyy qué nervios!!

O coração da moça congelou.
Histérica, telefonava sem parar para a operadora. Só que quanto mais nervosa, mais meiga ficava.
Tremia e falava baixo que estavam repetindo a mensagem mais de cinqüenta vezes. O que significava aquilo?
Estávamos juntas esse dia e não foi fácil assistir ao desespero da amiga.


Ouviu vários assassinatos a Debussy, Chopin, e aquele vai e vem que todos conhecem: tecle dois para nossos operadores, três para sugestões, quatro para reclamações.
Deveria existir um número o qual pudéssemos teclar como opção: mandar à merda. Infelizmente não existe e Samya era passada de pessoa para pessoa, não conseguia resolver nada e repetia a cansativa cantilena.

Ao lado dela, aquilo foi me atacando o sistema nervoso.
Arranquei o celular das lindas mãos de Samya e disse: - Veja uma geminiana em ação!
- Com quem falo? Quero falar com quem resolva meu problema. Posso ir PRESA. Fiz uma cobrança nesse ridículo sistema de mensagens, a pessoa já me pagou e vocês permanecem enviando, infinitas vezes, o mesmo recado. A criatura está irritada, disse que vai me processar! Quero cancelar tanto o sistema quanto a operadora. Quero essas mensagens apagadas imediatamente.
- Um momento, a senhora vai falar...
- Eu vou falar já! Detalhe: Não quero ouvir música, muito menos seu menu de opções e a senhora evite "gerundismos" comigo! Eu arraso seu estabelecimento. Quero uma carta de retratação e desculpas, quero esse assunto encerrado AGORA! Vou processar vocês!
- Acalme-se senhora, faremos isso! Seu endereço por favor?
A essa altura eu lançava olhares para Samya... meu endereço?
- O senhor está vendo meu estado, não consigo dizer meu próprio endereço!! Filhinha (para Samya, que viajava), nosso endereço, mamãe esta nervosa.
Samya: R u a D r. F u l a n o ...
- Rua tal, número tal!
- Seu celular, senhora?
- Quantas vezes vou ter de repetir o número do meu celular? (chutava Samya enquanto ela sonhava... com o Boca).
- O senhor calcula meu estado? Já nem sei meu celular. Filha, diga o celular da mamãe...
- 9 9 ....
Ai, jurei bater nela quando aquilo acabasse.
Resolvi a questão. Cancelaram, mandaram cartas de desculpas, tudo se resolveu.

Acontece que a brincadeira desencadeou algo em Boca, que resolveu pegar um avião e vir provar a feijoada de Samya.
Boca, estranhamente, marcou um encontro no cinema. Achei esquisito.
Como conhecer alguém em uma sessão de cinema? Vai ver queria dar uns beijos... afinal,aquela boca!
Samya, nervosa e eufórica, colocou um vestido justíssimo preto, sapatos de salto 10 que deixaram a moça com mais de 1,85m. Estava linda!


Boca escolheu uma estréia badalada. Uma multidão perfilava a entrada e ao longe Samya reconheceu pAPi, aquela boca...
Esgueirou-se no meio da multidão, jogou os cabelos no rosto, correu e se escondeu atrás do balcão de pipocas e doces.
- Tem um tarado atrás de mim, vou ficar aqui uns minutos, gratifico vocês. Samya dizia qualquer coisa...

Agachada e escondida podia ver o Boca, no fulgor dos seus 1,40m tentando sentar em um banquinho. Tentativas mais que infrutíferas! Boca sendo anão, a empreitada era difícil.
Finalmente conseguiu!
Minha amiga observava, com olhar estupefato, a diminuta figura balançando as perninhas e portando um imenso pacote de pipocas, bem maior que ele.

Não sei bem o final da história... Desta vez fica à critério do leitor:


1- Samya se arma de coragem e vai até Boca. " O amor é lindo... E CEGO!!!"

2- Samya foge apavorada.

3- Samya decide que se algo assim se repetir em sua vida exigirá foto de frente, verso e até dos pés.

4- Samya apaixona-se pelo vendedor de pipocas, aquele que a ajudou a se esconder. " A providência é divina!"



Sábado, Março 13, 2004




LA MÈRE POULARD






UM SEGREDO...

no




VEM?


Segunda-feira, Março 08, 2004




DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Resolvi escrever sobre nós mulheres no dia de hoje.
Apesar de não ser ligada em datas, e até esquecê-las, pensei que se temos um dia especial, a idéia é celebrar.
Comecei por minha mãe, mulher fortíssima; nos insinou a lutar com dignidade, ética e amor pelo que queríamos na vida.
Já passeava por Cora Coralina, Ida Rolf, Jô Clemente, Rachel de Queiroz, Simone de Bouvoir, Pagu e tantas outras, tão lindas, tão especiais...
O destino conspirou contra, ou a favor de minhas linhas.
Enquanto escrevia, recebi de um amigo escritor este texto...então pensei: "Ninguém fala melhor da mulher que um homem".


MULHERES PERFUMADAS
Maurício Dias





Tem Mulher que tem cheiro de passarinho quando canta.

De sol quando acorda.

De flor quando ri.

Ao lado de uma Mulher, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.

Ao lado de uma Mulher, a gente se sente comendo pipoca na praça.

Lambuzando o queixo de sorvete.

Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro.

E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem Mulher que tem cheiro de colo de Deus.

De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.

Ao lado de uma Mulher, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.

Ao lado dela, a gente se sente chegando em casa e trocando o sapato pelo chinelo.

Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.

Ao lado de uma mulher, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do

Papai Noel.

Tem Mulher que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado dela, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.

Ao lado de uma Mulher, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.

Recebendo um buquê de carinhos.

Tocando com os olhos os olhos da paz.

Ao lado de uma Mulher, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem Mulher que tem cheiro de cafuné sem pressa.

Do brinquedo que a gente não largava.

Do acalanto que o silêncio canta.

De passeio no jardim.

Ao lado dela, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não

passa só pelo corpo.

Corre em outras veias.

Pulsa em outro lugar.

Ao lado de uma Mulher, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado.

E a gente ri grande que nem menino arteiro.

A mulher é o coração.

O coração produz amor.

O amor ressuscita.

A mulher é o anjo.

O anjo é indefinível.

À mulher, a preferência.

A preferência representa o direito.

A mulher é invencível pelas lágrimas.

A razão convence, as lágrimas comovem.

À mulher de todos os martírios.

O heroísmo enobrece, o martírio sublima.

A mulher é um ensinamento.

O ensinamento aperfeiçoa.

A mulher sonha.

Pensar é ter um cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.

A mulher é um lago.

O oceano tem a pérola que embeleza; o lago, a poesia que deslumbra.

A mulher é o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.

A mulher vê numa estrela a esperança.

A esperança salva.

Dona dos seus atos, corajosa, humilde...

Esta mulher a quem presto hoje minha homenagem.







MORENO






Meu amigo Moreno vem fazendo poemas as dúzias, como rosas.
Não, não é Bárbara Cartland... são palavras tocantes, inspiradas e bonitas.
- Mande o mote, disse Moreno.
Mandei "Saudade do que não senti".
Ele voltou: - Vá lá, está pronto.
Obrigada, Moreno, eu amei!


SAUDADE DO QUE NÃO SENTI


"Nasceria entre gente diferente
Morreria entre a mesma gente
Portaria um sorriso amplo
Gotejaria lágrimas puras
Traria amores límpidos
Passaria raivas róseas
Colecionaria amigos
Desconheceria inimigos
Viajaria só com a brisa
Almoçaria com os pássaros
Passearia pelo espaço
Faria piquenique na lua
Saberia que fui livre

Saberia que fui tua."






Hoje no Ponto Gemini tem um texto que gostaria imensamente de ter escrito. Vamos ler?

UPDATE: Por algum mistério maior, talvez incompetência de minha adorável irmã, o poema de Moreno sumiu.
Tentei ser o mais fiel possível ao reproduzir aqui o post de sábado.
Mas, infelizmente, não pude resgatar os comentários.
Desculpem-me e se puderem, comentem novamente.



Terça-feira, Março 02, 2004




É... UM DIA ELAS CRESCEM!






Menina! Já escovou os dentes?
Cumprimentou a titia?
Já fez a lição?
Não esqueça o casaco. O tempo pode mudar!
Chatices de mãe...

E assim nossos filhos vão crescendo, aprendendo, desobedecendo, ouvindo, ignorando.
Não, eles não crescem devagarzinho.
O tempo voa e um belo dia, no meio de uma conversa, você escuta uma colocação, uma citação. Palavras maduras e coerentes.
O que foi que aconteceu? Essa criança virou comunista? Deu para ler Guimarães Rosa, para assistir filmes de arte, gostar de Bergman, Godard...
Essa criança cresceu!

Cheia de vontade própria, discursiva, eloqüente, inteligente, criativa. Parece que quer mudar o mundo!
Um dia eu quis...
"Elas crescem sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto".

Quando foi que perdeu aquele cheiro de lavanda e leite?
Quando foi que deixou de dizer "me dá colo"?
Quando foi que parou de pedir "posso dormir com você"?
E eu? Será que lhe dei todo o "colo" que pediu?
Todo o carinho? Deixei você dormir comigo? Dei-lhe todos os sanduíches, sorvetes, beijos?
Ouvi quando você precisava conversar?

Te compreendi?

Exigi muito de ti?


Você está forte como um carvalho, que é...
Eu... maleável como um bambu.

Ouço Beatles, ouço sua vozinha... Black bird fly...
Criou asas e voou...

Entre o orgulho de ver você indo para a Faculdade que escolheu, longe daqui, e a tristeza da saudade, escolho sua alegria...
Sei que está bem...
Como não te quero minha, te quero sua, forte e corajosa... estou feliz!
Seja feliz minha linda filha... amo você!

"Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.

Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.

Blackbird fly Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise."



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