Sexta-feira, Julho 30, 2004




FLÁVIO CHAVES





Venham conhecer Flávio Chaves no Ponto G.Emini.



Terça-feira, Julho 27, 2004




FLÁVIO




Foto: Mário Luiz Thompson



Quando escrevi "Clube da Esquina", havia recém lido "Os Sonhos Não Envelhecem" de Márcio Borges.

Empolgada, fiz uma apologética de Milton, declarei meu grande amor aos mineiros.
Biografei Beto Guedes, Márcio e Lô Borges.
Cresci, afinal, ao som de Clube da Esquina.
Milton cantando, para mim, sempre foi Deus.
Beto Guedes, com sua voz feminina e personalíssima, sempre foi um anjo.

Declarei minha paixão aos mineiros todos, mas Flávio Venturini citei de passagem.
Grande injustiça a minha.
Não se fala "en passant" de um mineiro de Belo Horizonte, de olhos claros e tristes, voz afinadíssima, melancólica, linda e compõe pérolas que emocionam.

Começou a estudar música ainda menino. Passou do acordeom para o piano, estudou harmonia e teoria musical e brinca com a voz.

O que tenho de boa fisionomista, sou péssima para nomes.
Embalei minha juventude ao som de "Nascente" de Flávio que sempre teimei em chamar de "Clareia".

"Clareia manhã, o sol vai refletir a clara estrela ardente
Pérola do céu refletindo, teus olhos..."


Não contente em trocar o nome da amada canção, dava ainda a parceria com Murilo Antunes a Beto Guedes.
Coisa de pessoa desligada, que sabe sentir e pouco se preocupa com nomes; falha grave... ou não.

E foi quando ganhei um CD de Venturini, que passei a ouvir incessantemente (sou "meio" obcecada com algumas coisas) e comecei a relembrar certas coisas.
Por exemplo, quando ele fez parte do grupo O Terço, quem se lembra?
Começou a se mostrar um compositor dos bons.
Três anos depois, deixou o grupo e gravou com Beto Guedes o LP "A Página do Relâmpago Elétrico".
No ano seguinte participou do disco "Clube de Esquina Dois", de Milton Nascimento, coisa linda!
Em 1979, ano da formação do 14 Bis, grupo que se popularizou nacionalmente, ele gravou oito discos, todos excelentes.
Deixou o 14 Bis em 1988 e foi caminhar sozinho pela estrada da vida.
Já havia composto Clareia, digo, Nascente, em 1982.
Não foi difícil o caminhar, com sua voz particular, linda, talento e inspiração de bom poeta.

De uma coisa sempre tive convicção: os garotos mineiros que nos anos setenta revolucionaram a Música Popular Brasileira têm, com todo o respeito a Caetano e Gil, mais peso e importância que o Tropicalismo.
O Clube da Esquina teve menos projeção!
Eram menos psicodélicos, mais mineiros... mais discretos... comiam quietos?
Pode ser.
O que não se pode negar é a importância deles todos e de Flávio Venturini, que compôs trilhas para filmes e peças de teatro, excursionou pela Europa, ganhou um disco de ouro em "Noites com Sol".

Gostaria de ter a inspiração dele, gostaria de que, em algumas noites o sol aparecesse junto da lua.
Haveria de inspirar poetas e ser bonito de se ver.

E de Flávio? Quanto mais ouço, mais gosto.
(Sintam um pouco dele aqui).

NOITES DE JUNHO

Se você tivesse entrado
na minha vida de outra maneira
Deixando a porta aberta
e a luz da sala acessa
Como se gostar fosse seu nome
o tempo e o modo do verbo
da lenha queimando na fogueira

E nesse dia
para sempre meu seria
Esses dois olhos claros
que tem das noites de junho
O brilho de todas as estrelas

Porque seu nome quer dizer príncipe
mas eu nunca serei sua princesa
Eu cheguei na hora incerta
bati na porta errada
e não adiantou de nada confessar
o meu amor da vida inteira

E hoje quando finge
que não me conhece
Você parece mais
aquela estrela
que brilha como duas
no frio das noites de junho
e no meu peito acende a fogueira.


UPDATES: 1 - Se me fossem dadas duas graças antes de morrer, como disse meu amino Ery, pediria oxigênio e música!

2 - Meu beijo à Mario Luiz Thompson.



Domingo, Julho 25, 2004




HINO NACIONAL





Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.


Eu não deveria e nunca pensei que ousaria escrever sobre futebol.
Nem discuto já que nada entendo. Sou daquelas que pergunta:
- Quem são os de camisa verde? Via de regra - o Palmeiras.
- Os de camisa vermelha e preta? E assim por diante...

Pouco tenho contra argentinos, aliás, não tenho nada contra ninguém, apenas não sou fã de futebol.
Nada contra, muito pelo contrário, não sei nem quero saber e não tenho raiva de quem sabe...
Mas que foi uma alegria ver o Brasil jogar bem e fazer o segundo gol aos 48 minutos do segundo tempo, foi.
Até porque os argentinos já estavam com o jogo ganho, fazendo chacotas, ganhando tempo, mascarados...
Humildade? Para que?
E a humildade não é uma característica Argentina? Não é não, queiram desculpar.
Entoces... como quem não faz toma, tomaram quatro gols nos pênaltis, um de Juan, digo Ruan com R , que Juan brasileiro num havia de ser com J.

Até o ataque apopléctico do Zagalo foi aceitável!
"Não morra não Zagalo, você ainda tem muito que ensinar,é uma figura folclórica e no mínimo bizarra".

Vocês sabem como chamam aos argentinos no Peru?
De espermatozóides.
Sabem por quê?
Porque de um milhão, só um é gente.

Vocês sabem como fazer um uruguaio?
Mistura italiano, francês, espanhol, português e põe um pouco de bosta. Mas é só um pouco! Senão vai sair um argentino!

O que se joga pra um argentino quando ele tá se afogando?
O resto da família.

Coisa mais incorreta da minha parte! Repito, não tenho mesmo nada contra, mando besos, digo muchas grácias, tudo de longe, que é pra não contaminar.
Estoy solo jugando....


Piadas à parte... é bom saber que com futebol brasileiro não se brinca!!
E tome-lhe hino, que é a coisa mais gostosa de se ouvir quando, apesar de tudo, se é patriota!

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!



Sexta-feira, Julho 23, 2004




REFLEXÕES SOBRE A POESIA






Gosta de poesia? Então vá ao Ponto G.Emini.



Segunda-feira, Julho 19, 2004




O TRATADO






Primeiro, era um objeto. Desde que me conheço por gente, lembro-me daquele trambolho: pesado e robusto, mas bonito. Ficava sempre parado junto à parede da sala de tv, no apartamento de minha avó. Ninguém podia mexer; pelo menos nós, os pequenos. E era isso que dava aquela vontade... para quê?! Começou a tornar-se um âmbito, começou a significar algo cada vez mais grandioso, passava mil impressões em uma. E acho que não só para mim: para todos era, no mínimo, um gostinho de fruta proibida.

Meu avô, às vezes mexia. Brincava um pouco e a gente dava risada, maravilhado... e depois acabava. Era tudo muito rápido. A ousadia sempre invadia a contenção de algum de nós, os netinhos, que tentava abrir as portas para o mundo dos grandes com ar de doutor, prestes a colocar as mãozinhas destruidoras e engorduradas na peça rara. Aí que vinha o impedimento, seguido de um belo e gordo aviso, com aquela clareza que a gente entende até de ouvidos tapados.

Aí que nós começamos a mexer, quando já tínhamos altura o suficiente para ligar a televisão e mudar até o canal 13!! Era o máximo, parecia que nada nos seguraria agora. O pessoal ia com tudo, sem pudor algum, se esbaldava logo no primeiro contato. Eu não: experimentava de leve, com cuidado para não quebrar nada. Foi quando, num belo dia, minha avó ouviu-nos rompendo o "Tratado". Chegou rapidíssimo, já trocando o jeito meigo de avó pelo olhar furioso de mãe!
Deu uma chamada daquelas, de ficar até rouca por entre os gritos. Colocamos nas nossas cabeças, pelo menos momentaneamente, que o caso era REALMENTE sério e que a violação das regras pré-estabelecidas resultaria em caríssimas penitências. Apesar do objeto ser feito de madeira, parecia ser feito de ouro!

Foi quando, aos 5 anos de idade, estava eu sozinho com meus avós, sem aquelas crianças para perturbar nossa serenidade de gente grande, e resolvi perguntar à minha avó se eu podia mexer no âmbito. Ela permitiu com ar de supervisora e eu, com o comportamento próprio de um adulto de doze anos, fui dar o primeiro passo de minha carreira artística, sem fazer idéia do significado que teria para mim, anos depois. Apertei o dedo indicador contra uma das teclas e ouvi o som que aquele piano emitia. Era diferente de quando estávamos rompendo com o "Tratado". Dessa vez eu ouvia e prestava atenção. Não tinha aquele gosto de proibido, era melhor ainda, era algo mágico. Do meu dedo saía um som limpo e doce que parecia não acabar nunca. Minha avó percebeu que eu estava realmente interessado e resolveu me mostrar: "Olha, esse aqui é o Do". Eu toquei e então ela me ensinou o "Do, Ré, Mi, Fá". Fabuloso! Eu tinha o poder de fazer música! Foi minha primeira experiência reversível com o piano: senti-me em outra sintonia com a realidade.

Ele é meu verdadeiro mestre. Com 65 anos de idade e puramente brasileiro, já ensinou minha avó, minhas tias, meu tio e meu pai, entretendo sabe-se lá quantas almas. Ficou calado por um bom tempo, só esperando pacientemente pelo próximo aprendiz: quando cheguei, já fiquei logo empolgado, mas tive que esperar uma eternidade até chegar aos seis anos e meio, para começar a fazer aulas em um conservatório. Lembro-me até hoje, indo a pé para o apartamento de minha avó (éramos vizinhos), com uma pasta vermelha debaixo do braço, contendo o complicado estudo de método para piano: "Meu piano é divertido". Com nove anos, quando me mudei para longe de minha avó, ela resolveu me dar o piano sob a condição: continuar tocando e cuidar bem daquele âmbito.

Desde então, foi só aumentando para mim o significado deste instrumento. Cada vez que vejo um de sua espécie, me brilham os olhos e volta a sensação daquela primeira experiência reversível. E apesar de muitas vezes, outros serem mais bonitos e com melhor sonoridade, nunca têm o valor deste meu companheiro, que é pioneiro na minha realização musical. É o instrumento ao qual atribuo começo de partida, toda vez que aprendo e ensino algo novo nos meus encontros musicais.

Este bonito texto é do meu genro, futuro pai do meu neto(a).
Ao lê-lo não tive a menor dúvida de que minha filha está em boas mãos.
Bom caráter, sincero, honesto, carinhoso, sensível...
Sim, ela está em boas mãos...
Mãos de um grande pianista!



Segunda-feira, Julho 12, 2004








Fui alí...



Não demoro.




Sexta-feira, Julho 09, 2004




CULTURA INÚTIL





Você gosta de saber a origem das palavras?

Então, venha!!!

PONTO G.EMINI




Terça-feira, Julho 06, 2004



DIÁRIO DE BORDO III - Continuação.





Este diário tem a intenção de contar passagens das viagens que ELA fez.

O almoço deveria acabar por alí e uma outra passagem viria.

Mas à pedidos, comuniquei-me com ELA, que pediu licença para a irmã, figura de personalidade forte, e o almoço, assim, continua...

Antes de fazerem os pedidos, o professor pediu um Manhatan, ELA um copo de vinho, o tio um dry Martini.
Adorável... resolveu acompanhar o professor.
- Bourbon Manhatan, please!





A irmã logo viu que aquilo não ia dar certo!
E quem toma um, toma dois... e ela pediu o segundo.

Carlos e Adorável versavam sobre a vida e obra de Tenesse Willians. Ambos sabiam a data de nascimento e morte: 1911 - 1983.
Elas haviam assistido recentemente "Um Bonde Chamado Desejo", o professor também.
Comentaram sobre The Rose Tatoo e o professor começou a fazer citações:
"When your candle burns low, you've got to believe that the last light shows you something besides the progress of darkness" .
- Ai, ai...
Adorável estava envolvida, emocionada, encantada e já fazia colocações rápidas e um tanto "achampanhadas".

Os pedidos chegaram, as carnes de ambos sangravam e a conversa estava animada.
Passaram para T.S. Eliot. Ambos já haviam lido "The complete poems and plays of T.S. Eliot".
Almas gêmeas!!

ELA já estava cansada daquela conversa infindável.
Preferiria mil vezes estar conversando com o porteiro-estafeta, conforme denominou a irmã.

Nestas horas sabemos que tudo é uma questão de colocação: ladrão é cleptomaníaco, professor é catedrático, concièrge é porteiro, Adorável é hebefrênica e o tio é a criatura mais lúcida da face da terra.
Tanto que quando olhou para fora e avistou o Empire State Building comentou que Recife estava mesmo bonita nesta época do ano!

Adorável gargalhou.





Levantou-se de repente e disse:
- To Sir with Love, Ao Mestre com Carinho...
Foi até o piano, combinou algo com o pianista e começou a cantar: Bewitched, bothered and bewildered... enfeitiçada, perturbada e confusa...

"Couldn't sleep
And wouldn't sleep
Until I could sleep where I shouldn't sleep
Bewitched, bothered and bewildered am I"


De vestido preto, parecia Rita Hayworth que dublou a música no filme.
Adorável cantou sozinha.
Interpretava melhor que Barbra Streisand...

Ela jurou que bateria em Adorável assim que chegassem ao hotel.
Sim, pois ela não se contentou em cantar e piscar para o professor...





Aplaudida e alegríssima, dirigiu-se ao pianista:
- Dê licença, por favor.
Um pianista boquiaberto levantou-se para ceder lugar a uma maluca, que ajeitou o vestido preto, sentou-se ao piano, esfregou as duas mãos, olhou para o professor, bateu as pestanas e, em pleno Rainbowroom, no coração de Manhatan, interpretou com categoria: o BIFE!!!


Sexta-feira, Julho 02, 2004





TEMPO

Carlos Drummond de Andrade




"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente".


Ah, quanta lucidez, grande Drummond!!

Arrume um TEMPO e vá ao Ponto Gemini.

Driblei o TEMPO e agora estou lá às sextas-feiras.




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