Terça-feira, Agosto 31, 2004




TRIVIAL


Imagem


Considero-me uma pessoa pra lá de trivial.
Tanto assim que adorrrrrrrro feijão com arroz, pão com manteiga, farofa com banana.
É claro que de vez em quando aprecio a sofisticada cozinha francesa.

Meu linguajar também é simples.
Não consigo (às vezes tento) escrever nada rocambolesco ou mesmo falar empolado.
Tudo depende de hora e local, nada também me impede de citar Gilbert Keith CHESTERTON e seu Padre Brown, se me der na telha.

Hoje, meus queridos, vamos falar de SEXO!!

Ela fala direitinho, vejam só!
E duvido que bem sincronizado, Maitê Proença, nunca tenha gostado.
Pode não ser o prato preferido, mas... tudo, como disse, depende...

Algumas atividades parecem que nasceram umas para as outras. Tomar banho e cantar dá uma alegria enorme na gente, comer pizza e falar da vida alheia é quase um ato contínuo, beber cerveja e fumar combina que é uma loucura, assim como jogar futebol e xingar a mãe, sentar no trono e ler, dirigir e ouvir música - todas delícias de uma vida boa!

Por outro lado, há coisas que simplesmente não ornam. A palavra ornar, por si, já não orna com nada. Chupar cana e assoviar todo o mundo sabe que é desaconselhável, dirigir e falar no celular a lei não permite, conversar e pular corda é complicado, e assim a coisa vai numa longa lista de práticas incompatíveis. Pois eu queria manifestar meu desapreço por uma posição de funções adversas que, no entanto, é bastante apreciada na atividade sexual - o 69.

Você há de concordar que a postura é ingrata, a vista não é das melhores e que se não houver cautela pode-se sair dali com um pinçamento na cervical. Além do mais, por que a pressa, por que tudo ao mesmo tempo? Parece coisa de culpa católica - é dando que se recebe, dê ao próximo o que deseja para si. Pessoalmente, considero aquela atividade frenética em ambas as pontas totalmente desnecessária e, por que não dizer, ineficiente. Não é possível a criatura executar com primor uma função que requer coordenação, dedicação e técnica, enquanto está tentando relaxar para usufruir o que lhe acomete na outra extremidade.

Sim, porque uma coisa é uma coisa e a outra coisa é outra coisa! E não venha me dizer que tudo corre naturalmente e que é só meter a cara (perdão, falava no sentido figurado) que sai direito. Não sai! Pra começar, o negócio exige um estudo rigoroso da anatomia do outro. É imperativo que se saiba o que está onde, para entender o que fazer por ali, e é claro que isso vale para parceiros de todos os sexos, independentemente da ponta (mesmo que convexa) em que se esteja. Também não se pode achar que a prática da coisa por si já ensine. Há quem pratique a vida inteira e, não tendo se dado ao trabalho de observar os detalhes da questão uma única vez, passa a vida fazendo o serviço malfeito.

Outro fator que não ajuda é a inelutável proximidade com o assunto, que pode, num excesso de entusiasmo, causar a asfixia fatal do parceiro. Menos grave, mas não menos constrangedor, é o caso do sujeito com a vista cansada, que, nessa situação, tem de contar exclusivamente com a sensibilidade linguolabial - não quero discriminar ninguém, mas todos sabemos como há no mundo, inclusive sem problemas de vista, criaturas desprovidas desse requisito. E há ainda o caso dos obesos, que, por excesso de volume no percurso, simplesmente não conseguem atingir as marcas. Por último, quero lembrar que a reciprocidade, grande objetivo da postura, é raramente atingida, posto que tem sempre um sujeito ali largadão, enquanto a outra está dando tudo de si. E vice-versa. E versa versa. E vice vice, também, eu suponho.

O Kama Sutra propõe nada menos que 529 posições pra experimentar na hora do amor, e eu não estou aqui pra desestimular a criatividade de ninguém. Mas não sei se por preguiça, ou por ter amado homens de muita aptidão, ainda considero o trivial bem feitinho algo de insuperável.


Concordo, aliás, tudo que é bem feitinho é bom!
Agora quero a opinião de vocês, sincera....
Todo mundo se entregando, vamos lá?!


Sábado, Agosto 28, 2004



BAURU


Meu sogro era ótimo!

Já falei dele aqui, faz algum tempo.
Era meu confidente. Imaginem uma mocinha de 23 anos, íntima do sogro.
Sei que me contou particularidades que nunca contou a ninguém...
E eu nunca as repeti. As particularidades eram nossas, afinal. E nem vou contá-las, apesar de que algumas mereceriam posts divertidos.

Ele soube viver a vida, do jeito dele, disso tenho certeza.
Magoou alguém?? Ele achava que sim, eu lhe disse um dia: Só se magoa quem se permite.. A mim nunca magoou.Tenho saudades...

Tinha um amigão, aliás tinha muitos amigos. Mas este era especial e tinha o apelido de "Bauru".
O tal Bauru era divertido, cheio de vida e obviamente, nascido em Bauru, Estado de São Paulo.

Bauru gostava de esportes, era agitado e os dois davam-se bem.
Gostavam de conversar e gostavam de um bom prato.

Saí com minha filha esta semana e disse: - Vou te mostrar o sanduíche tradicional de São Paulo, inventado por um amigo de seu avô.
Lá fomos nós ao Ponto Chic de Moema. Um infernoooooooooo!!! Não preciso repetir que não tenho bússola intena, que me perco, que paro o carro no meio da rua e digo: Não sei onde estou...
Mas, na verdade ninguém acha o local, a placa é mal colocada. Já reclamei com os garçons, amigos afinal...

Mas, voltemos ao passado:




Continua aqui (onde a imagem e a história também foram retiradas).

Casemiro (o Bauru), entrou um dia no Ponto Chic, morrendo de fome.
Freqüentador habitual pediu:
- Carlos, abra aí um pão francês, tire o miolo e coloque queijo. O sanduicheiro já ia fechar o pão, quando Casemiro acrescentou:
- Falta um pouco de albumina e proteína nisso, coloque umas fatias de roast bife junto com o queijo.
O rapaz andara lendo em um livro de alimentação infantil, que a carne era rica nesses elementos.
- Falta vitamina, bota aí umas fatias de tomate. Este é o verdadeiro BAURU.
Enquanto comia o delicioso sanduíche, apareceu um amigo gordão e guloso, Kiko, deu uma dentada no sanduíche de Casemiro e gritou para o garçom:
-Faz aí um igual ao do Bauru!
E assim nasceu o lendário sanduíche, contava meu sogro...

E eu que, tirando uma omelete de mère Poulliard, nunca dei uma receita, não deixaria vocês sem o Bauru do "BAURU".
Porque essa coisa de presunto, queijo e tomate, é história pra boi dormir!!!
Aí vai:



Provem!! É delicioso e olhem que odeio pepinos em conserva. Deve ter 5.000 calorias, mas vale à pena!

UPDATE: Quem leu a história do Ponto Chic, acompanhou o avanço de São Paulo, a montagem das Indústrias Matarazzo e um pouco da história do Sr. Odílio Ceccini. Figura interessante, Palestrino fervoroso, ocupou cargo de destaque na diretoria do PALESTRA ITÁLIA e incentivou o esporte.

Pois quem leu, sabe que São Paulo tem muito da Itália em sua cultura.

Quero, então, parabenizar a equipe de volei Italiana pela MERECIDÍSSIMA MEDALHA OLÍMPICA DE PRATA!!!!
HAHAHAHAHA!!!!!



Terça-feira, Agosto 24, 2004




HABANOS


- Este é meu único luxo, repetia freqüentemente Fernando ao acender mais um de seus charutos.



"A metade do seu olhar está chamando pra luta, aflita a metade quer madrugar na Bodeguita"
Tanto Amar - Chico



Charuto é coisa pra quem entende, tem o olfato apurado. Confesso que suporto, mas não consigo amar as maravilhas dos odores dos "charuteiros" convictos.
E olha que esse devia ser do bom.
Este "único" luxo de Fernando, Fidel manda de Cuba.
Aliás, Fidel é fidelíssimo, manda também caixas de Havanas para o outro Fernando, aquele que a gente evita citar o nome, até os dias de hoje.
Pessoa fiel, convenhamos.

Conheci Fernando há anos atrás. Ele apareceu na Academia onde eu fazia balé. Amigo dos proprietários, divulgava o livro.

Já fascinada por Cuba, através de alguns livros de Graham Greene e totalmente apaixonada pela obra prima de Hemingway "O Velho e o Mar", tratei de ler o livro de Fernando.

Hemingway teve uma relação de amor com a ilha.
Penso que "A Ilha" de Fernando, foi o primeiro livro a falar de Cuba após a Revolução, em nosso idioma.
Daí apareceu, Chico Buarque e Elba Ramalho que abria um disco cantando "Mamãe, yo quiero ir a Cuba"...
- Mas Chico promete e não me leva, não é Pablo? E chama Pablo Milanés, "Mi hermano", que com Chico canta "Pedaço de mim" e "Yolanda".
Não consigo ouvir "Pedaço de mi"- como diz Pablo - sem chorar e AHHHHHH, eu quero ir a Cuba até hoje!

Um dia vou e ainda levo Adorável comigo.




Voltando aos fétidos Habanos, fui encontrar Fernando anos depois.
Conversamos e me arrependo de não ter falado mais sobre Cuba.
A conversa dele é interessante, sua caixa de charutos, de couro legítimo (seu único luxo) é linda!

Eu posso não ver um armário, mas vejo o que tem atrás dele, detalhista que sou.
E quem fuma aqueles charutos aprecia uma boa mesa, um bom vinho, um excelente licor, sem contar os umidificadores e algumas bobagenzinhas a mais. Geralmente assinam a belíssima revista: "Cigar Aficcionado".
O charuto passa a não ser o único luxo, mas...
Ele faz por merecer, escreve direitinho!

Acabei contando a ele que minha filha, aos sete anos, chegou em casa esbaforida dizendo:
- Mãe!! Eu vi um livro grande assim (mostrava com os dedinhos) na livraria e chama Chato!! Um livro deste tamanho tem mesmo de ser muiiiiiiito chato!!
Era Chatô e Fernando deu boas risadas!

E agora meus amigos, me dêem licença, pois vou assistir Olga!

UPDATE: Dedico este post ao meu amigo, cubano, Tony.


Quinta-feira, Agosto 19, 2004




ASTROLOGIA





Nunca fui grande aficionada em leituras de tarô, cartomantes e afins.
Horóscopo, gosto.

Estudei um pouco de astrologia clássica e acredito que o horário, latitude, dia, mês e hora do nascimento e conjunção dos astros influenciam a personalidade da pessoa.
Se o sol, a lua e a conjunção das estrelas influenciam o plantio e colheita, as marés, quando ou não pescar; por que não influenciariam nossa personalidade?

Cada pessoa tem seu próprio mapa astral e eles são trabalhosos e fascinantes.
É um estudo sério e demorado.

Convenhamos, não se pode jogar por terra um estudo que existe há 6.000 anos.

Recebi este site que faz uma prévia sobre a data e hora do seu nascimento.
Gostei muito!

Divido aqui com vocês, minhas características:



SOL EM GÊMEOS, ASCENDENTE EM SAGITÁRIO - A INTELIGÊNCIA SOCIAL

Você, Mônica, sendo uma pessoa nascida na combinação do signo de Gêmeos com o ascendente em Sagitário, transmite naturalmente uma atmosfera de charme suave e jovial que fascina os outros e lhe garante um envelhecimento bastante lento.
O bom astral gargalhante de Sagitário se conjuga ao bom companheirismo do signo de Gêmeos, sugerindo ser você alguém com habilidade para lidar com as pessoas, alguém que presta atenção ao outro, possuindo notável inteligência social para poder trabalhar com qualquer atividade que exija a interação com outros seres humanos.
A projeção do Sol para o lado ocidental do mapa sugere uma inteligência social muito bem desenvolvida, que lhe garante um bom relacionamento com o meio circundante.

Sobretudo, Mônica, você é uma pessoa ética.
Possui uma moral interior muito bem definida, que independe da educação recebida, e compreende muito bem o que significa não fazer aos outros o que você não gostaria que fizessem a você, mas muitas vezes pode exagerar e agir como se a Verdade Suprema fosse a sua, e gosta também de ver como as pessoas se submetem aos seus jogos mentais, que você faz antes por brincadeira do que por maldade.

Pode ser uma pessoa bastante contraditória às vezes, por conta da tendência a ver os dois lados de uma mesma situação e por conta também de uma mania de ficar "conversando muito consigo mesma", pois tanto Sagitário quanto Gêmeos são dois signos duplos e ambivalentes.
Quase sempre, sua vida se manifestará em via dupla: dois caminhos, duas escolhas, duas alternativas, às vezes até mesmo em mais de duas trilhas! "Escolhas" podem ser difíceis pra você, Mônica, uma vez que você consegue ver nitidamente os prós e os contras de todas as situações.
Sua tendência natural é a de escolher os caminhos mais fáceis, pois nem Sagitário e nem Gêmeos gostam muito de se esforçar, por isso é preciso aprender que nem sempre os melhores caminhos são os mais fáceis.

Sagitário e Gêmeos são, ambos, signos mutáveis.
Esta combinação sugere uma forte inteligência, apreço pela cultura em geral, uma personalidade civilizada e apta viver em sociedade, alguém que aprecia a sabedoria, busca desenvolvê-la e a transmite ao mundo.


Harmonizando crises
18/08 (hoje) a 12/09

Entre os dias 18/08 (hoje) e 12/09, o planeta Vênus estará passando pela oitava casa do seu mapa astrológico, Mônica. Este é um momento de recolhimento afetivo, pois o oitavo ciclo é apropriado para a introspecção, a reflexão e a busca pelo entendimento das coisas que precisam ser transformadas. Favorece a percepção das coisas que não servem mais e que precisam ser descartadas - seja um relacionamento, ou uma atitude diante dos relacionamentos.

Vênus em trânsito pela oitava casa pode favorecer o recebimento de presentes, heranças, coisas dadas pelos outros. Outro aspecto favorecido nesta fase é a vida sexual, pois este é um momento em que você se percebe com mais destreza e habilidade para as questões eróticas.

Este é um momento para harmonizar as crises. O grande ponto do momento, Mônica, é você entender o que lhe desagrada e perceber como não é difícil resolver tais questões, com as atitudes apropriadas e justas.

UPDATE: A idéia é que vocês entrem no site e façam seus próprios mapas. É rápido.


Segunda-feira, Agosto 16, 2004




GAFES? OU SERIAM MICOS?




Sou rainha, como toda pessoa falante, de lindos foras.

Al, não me tire este reinado.

Já fui muito pior. A gente vai ficando mais tarimbada, esperta, adquire um certo traquejo e os foras diminuem.
Mas adooooooro um bom fora!

Agora me ocorreu um fenomenal.
Estava na casa de uma amiga e "miquei" com a senhora, mãe da amiga.
Vi um quadro na parede e comentei:
- Que interessante este quadro Dona Cecília, e este fantasma saindo da casa, dá um ar lúgubre, porém muito interessante. É a Casa da Fazenda?
- Sim é a Casa da Fazenda e o "fantasma" é a Silvinha, minha filha!!
- Hugh...
A tal Silvinha nunca primou pela formosura, devo acrescentar, mas o pintor foi maléfico.
Morri de vergonha. Hoje, rio sozinha ao lembrar da expressão de horror da dileta Dona Cecília ao ouvir que sua "linda" filha parecia fantasmagórica.

Quando alguém dá algum fora comigo, morro de rir.
Foras humanizam o ser humano, mostram que somos passíveis, nada perfeitos.

Agora fico aqui na dúvida, será que dei um enorme fora (sei que sim), ou as pessoas são um tanto sem noção nessa vida.

Tenho uma filha linda e competente.
Estuda em uma faculdade à noite e trabalha durante o dia.
Entrou no Messenger um dia desses e "ordenou" com toda delicadeza:
- Mãe, traduza este texto para o inglês. É meio urgente.

Como adoro receber ordens, já amei de cara a incumbência; mas, logicamente, iniciei a tradução.
Começava assim: Jean-Luc Godard... o que levava a mim, ou a qualquer leitor, a pensar que se tratava de um texto sobre Godard e na verdade falava de Truffaut.
"Une histoire d'eau" - (FR 1958) - Co-director: Truffaut .
Li tudo e modifiquei.
Não se faz esse tipo de "charada" em inglês ou o texto se torna incompreensível.
Não tive dúvida, entrei no Messenger e escrevi.
- Minha filha, mas que texto mal escrito!! Você precisa pensar para escrever, reler e corrigir. Está dando um trabalho de louco.
Emendei: - Onde está meu dicionário?
Pensei em colocar um PQP, mas decidi não me xingar. Aliás, não sou de xingar minhas filhas.

Alguém já viu um Messenger comunitário?? Pois o de minha filha é.

Recebi como resposta:
- Sua filha saiu uns minutos, aqui é o Haroldo (chefe dela). Aliás, você está de parabéns, disse o homem animado. Sua filha é... aqui poupo o leitor, pois foram tantos os elogios e essas coisas agradam a mãe, na verdade, e enche a paciência dos outros...
- Pode deixar que dou seu o recado sobre o dicionário, disse ele.
- Muito obrigada pelos elogios, ela é muito inteligente sim, mas pode dizer também que o texto dela está péssimo!
- O texto é de minha autoria, disse ele!
- Ah!! Logo vi! Ela escreve bem!!
- Hugh...


Sexta-feira, Agosto 13, 2004



DEZ MANDAMENTOS ou DESMANDAMENTOS




Não pude e não quis recusar um convite da Deize - Rosa Choque, então...

Lá estou eu hoje novamente no Ponto G.Emini...



Terça-feira, Agosto 10, 2004




NORMAL, NÉ?





Ah... estou bem.
Há alguns anos minhas filhas saíram de casa. Já estavam crescidas e queriam sua independência.
"Normal, né?"

A mais velha levou todas as minhas jóias, na verdade eram jóias da avó então:
"Achei normal, né?"
Minhas roupas, as boas, levaram também. Tadinhas, afinal precisam se vestir bem.
"Normal, né?"

E o marido? Ah, ele arrumou uma moça de vinte e três anos.
"Ah, normal, né?"
Isto sempre acontece com cinquentões e eu já não estou mais tão em cima, tão malhada. E a moça é bonitinha, pele lisinha!!
"Normal, né?"

Minhas filhas nunca ligam, mas nessa idade, milhões de coisa a fazer...
"Normal, né?"

A mulher do meu ex engravidou!
"Normal, né?"
Afinal ela tem vinte e três anos, nova, quer um filho.
A criança nasceu há pouco tempo, é uma gracinha. Ela tem que se divertir, passear, ir ao cabelereiro, e não tem com quem deixar, então eu cuido.
"Normal, né?"
Ela deixa o menino aqui cedinho. Adoro a criança, é a alegria de minha vida.

Outro dia ela avisou que eu não preciso mais ficar com o bêbe. Já está crescidinho...
"Normal, né?"
Na verdade não foi por ele estar crescido, foi por que meu ex-marido vendeu a casa. Estava precisando de dinheiro, um filho a mais...
"Normal, né?"

Então, fiquei sem ter pra onde ir... fui parar em uma espécie de pensão.
"Normal, né?"
Lá é uma farra!! Baratinho e as meninas, na maioria, trabalham à noite, adoram minhas roupas e me pedem. Elas são tão divertidas, eu empresto, claro.
"Normal, né?"

Outro dia a Neydinha pediu um dinheiro, fiquei com pena, tadinha. Daí eu disse que se ela devolvesse dia quatro, pois dia cinco é dia do aluguel, eu emprestava.
Então dia quatro fui falar com ela sobre o dinheiro, mas ela não tinha...
"Ah, normal, né?"
Tive pena, mas a senhoria não teve e me mandou embora.
"Normal".

Acabei em baixo da ponte.
"Normal, né?"
Nossa, passei fome demais. Emagreci uns dez quilos.
Um dia, umas senhoras beneméritas passaram por lá, me deram umas roupas e uma graninha.
Daí voltei pra pensão!

Nossa, as meninas não acreditaram em mim, ficaram doentes, disseram que eu estive em um SPA e ainda renovei o guarda-roupa! Elas me xingaram, até...
"Ah! Normal, né?"

A mulher do meu ex sumiu, levou dinheiro e tudo!
"Normal, né?"
Agora ele está pedindo para voltar e as filhas também.
Disseram que o apartamento delas está uma bagunça e tudo mais, me querem por perto. Cozinho bem, devem estar com saudades da minha comida.
"Normal, né?"

Ele quer voltar de qualquer jeito, agora sem a mocinha e o filho...
"Normal, né?"

Pois prefiro morar em baixo da ponte, asilo, casa de repouso, qualquer coisa... encontrei a sonhada paz.
Não quero ver a cara de ninguém, cansei, lotei, enchi.
Podem me chamar de louca, de histérica. Quero paz!!!

"Acho que é normal, né?"

UPDATE: Assisti algo bem parecido com este monólogo na TERÇA INSANA. No Avenida Clube.
Eles escolhem um tema por semana e o elenco, bem como os textos, são ultra divertidos.

O Avenida Clube fica na Pedroso de Moraes, 1036


Sexta-feira, Agosto 06, 2004




A INSPIRAÇÃO





Busco inspiração no Ponto G.Emini.




Terça-feira, Agosto 03, 2004



FLÁVIA... E A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO.


Escrever leva-nos ao auto-conhecimento.
Na folha ou na tela do computador vamos desenhando nosso auto-retrato com substantivos, adjetivos, pronomes, verbos, artigos, numerais, advérbios, conjunções, preposições...
Nesse esforço de criação, nesse escolher as palavras, organizamos o caos interior.
À medida que do rascunho naturalmente confuso vai nascendo um escrito mais nítido, vamos também descobrindo o nosso nome mais profundo. Porque somos aquilo que escrevemos. Somos o nosso rascunho, e o estilo que do rascunho emerge, quando objeto de elaboração.

É fascinante perceber no rascunho o esboço inicial que já reflete a nossa identidade, e constatar, no texto final, no texto honestamente trabalhado, no texto escrito com sangue, a nossa própria fotografia.

Às vezes saímos bem na foto, às vezes não tão bem assim.

Doris Lessing, em 1987, numa conversa com brasileiros, contou sua experiência: "Aprendi muito sobre mim mesma vendo que tipo de personagem eu crio nos meus romances. De repente, me falo: - Nossa Senhora, de novo apareceu essa idéia, esse personagem chato aconteceu de novo! - Então a gente está ali dentro."

Percebo que idéias me perseguem... falo de amor, falo algumas vezes, de mistério, outras tantas, de situações virtuais, de viagens... Ai, as viagens! Assuntos demoram a me abandonar...

Falei então de Flávios: Venturini, Chaves.
Como poderia não falar de Flávia?

Flávia é um ser iluminado, onde entra brilha e seu sorriso não é bonito, é deslumbrante!





Quando nasceu, dormia em um berço de ferro fundido. Berço lindo, de balanço.
A avó de Flávia foi, um dia, uma garimpeira, comprava antiguidades no tempo em que se comprava o que era autêntico, pagava-se preço justo, e vendia-se com algum lucro.

Jô, a avó materna, entrava naquele "fundão" das Minas Gerais e onde não passava automóvel: - Ah, qual é o problema? Ela caminhava.

Um dia entre uma andança e outra, parou em um boteco para comer qualquer coisa. Na prateleira viu, com olhos de quem sabe ver, alguns potes pequenos, as bordas eram pintadas.
Perguntou ao dono do boteco:
- Posso ver aqueles potinhos?
- Pode sim, essa velharia tá aí há anos, e nois põe tempero...
Eram de cerâmica austríaca e lindos. Imediatamente ela disse:
- Quero comprar!
- Que nada! respondeu o dono do bar, quantos a senhora quer? Dois, três? Pode levar!
- Quero todos, quanto é cada um deles?
- Ah, num sei dizê, uai. Um cruzeiro??
- Pago dez em cada um deles, mas quero que o senhor embrulhe em jornal com cuidado.
- Nossa Mãe, por dez conto embruio dez vez.

Assim, Jô fez mais um dos muitos apaixonados que teve na época... Ajudou muita gente, gente que lhe tem gratidão até hoje.

Continuou a jornada e quando chegou perto do rio, viu um balseiro.
- Gostaria de atravessar o rio, o senhor me leva?
- Pois é craro que sim.

A travessia era grande, a balsa lenta e o papo corria.
Ninguém como Jô para prosear.
No meio do caminho o balseiro fez o convite:
- Hora dessa, minha muié tá passano um cafézim. Vem tomá café cum nóis.
- Vou sim, disse Jô.

Ao chegar na casa do balseiro, avistou aquele monte de lençóis brancos quarando, presos com 4 pés de madeira e braseiros em baixo, para secar a roupa mais rápido.
Mas não era essa a intenção... sobre os lençóis, jazia uma infinidade de biscoitos de polvilho.
Coisa boa, bem mineira, e Jô deliciou-se tanto com o café, quanto com os biscoitos.
Despediu-se efusivamente do casal e na saída avistou um berço de ferro antigo.
Na mesma hora Jô perguntou:
- A senhora quer vender este berço?
- Prá que a senhora qué isso, por Deus! Tá veio, enferrujado e o menino cresceu. Nem aí dorme mais. Se a senhora levá ele embora é favor pra nóis, ara.
- Nada disso, pago tanto. O problema é colocar na balsa e ir até meu carro.

Pelo tanto, o balseiro atravessaria o rio a nado, com o berço nas costas.

Logo depois nasceu a linda Flávia e dormiu naquele lindo berço reformado e pintado, que estava a sua espera.
Quantas vezes balancei este berço quando a menina chorava...

Hoje já esta sendo reformado, lixado e pintado.
Tem aquele jeito antigo, ao mesmo tempo novo em folha. Coisa boa, resiste ao tempo.
E será nele que a linda Flávia vai embalar o filho que vem chegando!


.
. .
Você é o visitante


on-line




Arquivos





CERTIFICADO CRONICAS MONICA








Blogs

A Criatura E A Moça
A Estante Mágica De Ana
À Flor Da Pele
Allons, enfants!
Âncora Digital
A Tonga Da Mironga Do Kabuletê
Bailar das Letras
Banana & Etc
Basilides
߈ÅMÅÑÎÅ
Blog da Juju
Cada Semana Um Conta
Caminho Da Dati
Caneca & Cia
Carta Aberta
Casa de Contos
Cohen News
Coisas do Piru
Confiteor
Corra Alcira, Corra
Despenseiros da Palavra
Deu Nisso
Diversão e Artes
É Tudo e Nada
Em Busca Da Felicidade...
Engolimos A Bolinha Do Mouse
Entre Outras Mil
Erga Omnes
Fernando Miranda
Felicity Craft
Garimpando Beleza
Horizonte Geométrico
Idéias E Razões
Interlóquio
Jardim da Borboleta
La Vita Mia
Leilaeme
Mafalda Crescida
Mar & Cia
Maré
Milton Ribeiro
Não Discuto
Natural
No Limite Da Razão
Novesfora
O Blog da Gisa
Outra Parte
O Pastim
O Sorriso do Gato de Alice
Palavra & Tal
Palavras Soltas
Passado Presente
Pedra Brasileira
Pensar Enlouquece. Pense Nisto
Plastic Guy
Pollyanna
Ponto G.Emini
Praia do Nelson
Retalhos D'Alma
Rosa Choque
Sala do Surto
Senso Incomum
Silêncio Em Cores Fortes
Síndico
Stormy Angel
Sub Rosa
Todos os Sentidos
Toshi
Vadiando
Vale do Amor
Vida de Malandro
Wumanity







Blogger Brasil



design de
Rossana Fischer