Quinta-feira, Outubro 28, 2004




AULA DE INGLÊS

Talento para idiomas ou se tem ou não.

Muitas vezes a pessoa gosta da língua estrangeira, mas aprende à duras penas.
Costumo lembrar que Nelson Rodrigues dizia com orgulho que, em termos de idiomas, era monogâmico e Eça de Queiroz dizia fazer questão de falar mal o idioma dos outros.
Mas todos sabemos que um idioma estrangeiro permite enxergar aspectos de uma realidade que ficam um tanto encobertos pela peculiar visão que nosso idioma permite que tenhamos dessa mesma realidade.
Acontece que existem como Nelson ou Eça, os que odeiam...

João Gilberto conseguiu a proeza de morar nos Estados Unidos e recusar-se a falar inglês.
Aprendeu a mandar o entregador deixar a pizza no chão, dizia um how much abaianado e passava o dinheiro por baixo da porta e pronto: the problem was solved.

Na minha opinião, inglês bem falado soa como música. João não pensa assim...
E nem Lilia, minha amiga cearense que vive nos Estados Unidos há dois anos.
Nunca chegou a esse exagero, mas não é nem um pouco fã da língua mãe de George W. Bush.
Existe alguma renitência, algum bloqueio, pois francês ela fala bem. Não é que a bichinha fale mal inglês, ela se comunica bem e acaba enganando o interlocutor. Fala como se fosse telegrama... erra preposições, tempos verbais, mas vai mandando ver e o vocabulário é bom.
Lê notícias, jornal, é bem informada e continua a telegrafar.

Em nossas infindáveis conversas on line, eu disse uma vez: - Li, você é casada com americano, mora aí e não vai falar direito essa língua?
Se tenho alguma participação nessa história não sei, mas finalmente Lilia foi procurar uma escola na cidade vizinha. De antemão eu sabia que haveriam de ter a maior dificuldade para descobrir o seu nível.
Boa que só ela na embromation, desinibida e bem falante, "ispilicute", como se diz no Ceará , expressão que vem do inglês, aliás (is pretty cute - acredite quem quiser), pois a "ispilicute" iria dar um trabalhinho na escola.
Confabularam e resolveram que seu nível era 2.

Primeira aula: coreanos, cubanos, porto-riquenhos, brasileiros, portugueses, argelianos, chineses, japoneses... uma verdadeira Torre de Babel.
O coreano: - Mai neiz iz Wung.
Uma pergunta para o rapaz japonês: - How long have you been here? - I know, I know, não precisa ensinar , I know, eu sei, dizia ele ansioso. É o did!! Como se a resposta exigisse o uso do verbo to do no passado.

Lilia engolia a risada, mas sabia que sua vez chegaria.

O professor dizia-se muito energético, agitado e gostava de alunos interessados, aulas interessantes e movimentadas: - Like an aerobic class, you know it!
A criatura era um "mix" de Xuxa e Silvio Santos: - E vamos pra frente e let's clap, batendo palmas, repitam em coro.
Naquele dia, o infeliz fez uma pergunta e a classe não soube responder.
O energetic teacher, então, irritou-se e disse a um decibel acima do susceptível de aturar-se: - What is going on here? Are you hungry? Esqueceram de tomar o breakfast? Não passaram no McDonalds, Pizza Hut or Burger King?

Ah! Lilia não ia deixar aquilo barato não! Sendo naturalista ferrenha e já sick and tired do energético, disse: - What? At 9 o'clock in the morning? Ecaaa, are you crazy, home de Deus? Look, eu pensei que nóis ia grow up together, here. But, tô venu que ninguém vai grow up here with you não, fio de uma égua. Diabo é quem volta aqui! Eu merminha é qui num volto aqui nessa bosta!
Good day! Quisses!

Voltou nervosa pra casa, entrou no MSN e decidimos: Eu daria aulas de inglês on line. A pronúncia ligeiramente nórdica,a gente conserta no Skyper...

Será que vai dar certo?



Terça-feira, Outubro 26, 2004




DIREÇÃO DO OLHAR



"A vida cotidiana da maioria dos seres humanos é constituída por tormentos, reclamações, lutas, rancores.
Por quê?
Porque o campo da sua consciência é tão estreito e limitado que nada lhes parece mais importante do que os seus pensamentos, as suas ambições, os seus amores, as suas brigas.
Eles não vêem a imensidão do céu acima deles, todo o espaço infinito.
Se decidissem levantar os olhos, arrancariam as limitações e respirariam um pouco.
Sim, trata-se apenas da direção do olhar.
Quem pensa no infinito, na eternidade, começa a sentir que flutua sobre todas as coisas, que nada mais poderá atingi-lo: nenhum vexame, nenhuma ofensa, nenhuma perda, pois uma outra consciência está despertando dentro dele."

(Omraam Mikhaël Aïvanhov)



Sexta-feira, Outubro 22, 2004


MARCO...



Ah, como me lembro...
Há mais de um ano, abro meu blog e leio um comentário diferente, especial, sensível, tão educado.
Aquilo me fez correr ao novo visitante para conhecê-lo.
Foi (deve ter sido) amor à primeira vista, pois nunca mais deixei de ir até lá buscar palavras tocantes, às vezes melancólicas, reflexivas, mas sempre belas... belíssimas.
Não demorou e eu escrevi, em sua janela, algum absurdo típico meu, um esquecimento, algo impensado, impulsivo sobre o surgimento do Impressionismo.
Mais surpresa fiquei eu, ao receber um e-mail, dessa pessoa, que poderia tranqüilamente ir até a janela do meu blog, mostrar cultura e dar a explicação correta.
Não, nunca o meu querido amigo Marco!
Mandou-me um lindo e-mail, não deu bem uma explicação, conversou comigo, como bom professor que é.
Trocamos assim como Anne Bancroft e Anthony Hopkins vários e-mails, todos muito bonitos. Os dele, quero dizer... eu cometo erros ridículos, não releio e escrevo primeiro para pensar depois.
Marco pensa... depois escreve.

Aprendo muito com você, Marco, com sua humildade, sabedoria, paciência, elegância...
Você é um professor e como todos eles, acha que professa aquilo que sabe, mas nem sempre consegue praticar tudo que ensina, acertei? Pois acho que você consegue sim e sinto que cada vez mais você está mais perto de professar a si próprio o controle de sua mente inquieta de um ser inteligente.

De algum modo, somos um pouco de tudo ao mesmo tempo: cruéis e bondosos, egoístas e altruístas...
Descobrimos que é muito pouco querer sobreviver, ou até mesmo querer viver economicamente seguros, socialmente seguros.
Apenas lutar para não morrer é manter-se no nível dos vegetais, dizia Simone de Beauvoir. Descobrimos que nosso EU faz parte de uma aventura do ser humano em busca de uma vida mais humana, mais plena.

E é isso que você vem me ensinando e a todos que te lêem.
Fala sobre bondade, respeito, ética, paciência, amor, humildade, amor universal e nunca, nunca entrei em "sua casa" que você não estivesse elogiando um bom texto, um talento musical, uma música nova, um poeta, um poema, indicando um livro... homenageando alguém de alguma forma.



Pois deixe-me hoje, dia do seu aniversário, tentar te homenagear e desejar:
Saúde, muita
Se amar, que seja correspondido
Se não, que esqueça logo
Paz em seu espírito
Mente calma
Tranqüilidade n'alma
Poemas de Ana C e Clarisse
Drummond e Pessoa
Venturini e Duboc
Beijo na boca
Cheiro de capim molhado
Tartufos e torta de trufas
Canto de passarinho
Banho de Chuva.
Bons livros
Canetas Bic
E toda a admiração e carinho meu.
Paro, senão viro Drummond...
Aceite então um grande beijo, um abraço demorado e esse jeito simples de te homenagear... ouça.


Terça-feira, Outubro 19, 2004




MORENOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO




- MORENOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

É este o meu jeito delicado de entrar no Messenger, sem a menor cerimônia, e gritar por meu amigo: - Morenooooooooooooooooooooo, tá aí?
- Não, é a avó do Nelson, gosto de teclar no lugar dele, às vezes leio cada coisa... até Deus duvida!
- Vá tomar banho Moreno! ( rsss, ficou simpático este: vá tomar banho, né?).
E rimos sempre e nunca, mas nunca, este amigo deixou de me atender na hora.
- De quem é este poema?
- O que quer dizer isso?
- Vou procurar, meu bem, volto já.
O poeta ele sempre sabe.
Esta é a resposta que recebo dessa pessoa querida, sensível, inteligente e amiga.
Adoro seu sorriso franco!
Quantas vezes você me fez rir em horas que eu queria chorar.
Quantas vezes refletimos juntos e conjeturamos as mazelas da vida.
Você me ensina a não levar tudo tão a sério, e eu?
Eu passo a mão na sua cabeça, como uma irmã. E sou parcial, te defendo e acho que você está certo... por mais peralta que você seja.

Desejo a você hoje, todos os desejos de Drummond, os de Vitor Hugo , alguns de Vinícius, se bem que, os de Vinícius são tristonhos...
"I have never promissed you a rose garden". Lembra-se?
Só que hoje desejo muita alegria. Um mundo de felicidade.
Amor para você dar e sentir.
Paz para alimentar sua alma.
Sono de criança... profundo, com sonhos coloridos...
Aceite meu abraço apertado, meu beijo, minhas saudades, meus parabéns pelo aniversário e, sobretudo. aceite minha forma singela de te homenagear, usando as suas palavras de poeta.



MEMÓRIA II

Minhas memórias são casas pequenas com muros pequenos
como pequenas ficaram as coisas quando cresci.
Não precisam das ruas estreitas dos bairros antigos
mas estão dispersas neles, uniformemente perdidas
embaralhadas pela distância e pelo álcool
iluminadas por uma luz fraca de lua velha.

Porque tive medo, misturei as ruins às boas
para nunca mais encontrá-las
e esqueci tudo.
Agora minhas memórias são amnésias aleatórias
entrecortadas de lampejos fotográficos
me lembram que não sei lembrar
e me dizem palavras que não entendo.


Sei bem que o aniversário de Moreno é dia 20/10, ou seja, quarta-feira.
Mas, em vários países as pessoas começam as comemorações antecipadamente.
Penso que é bem a gosto do Moreno.
Comecemos então os festejos...



Quarta-feira, Outubro 13, 2004



FRANCISCO


Imagem

Então ia se chamar Francisco.
Lindo nome, pensou ela e, imediatamente sua cabeça se povoou de "Franciscos".
Talvez Buarque de Holanda tenha sido o primeiro; Francisco Xavier, Francisco Goya, Francisco Alves...
Mas não se esqueceu do mais importante deles: São Francisco de Assis.

Ela nem é carola, ultra religiosa, ou coisa assim. Acredita na força da mente e em Deus.

Acontece que conhece a história do santo, sua bondade infinita e recentemente, por causa do nome, leu o livro de Leonardo Boff, chamado "A Oração de São Francisco - Uma Mensagem de Paz".
Leonardo por mais de vinte anos é professor de teologia com os franciscanos em Petrópolis.
Professor emérito de ética e filosofia da Universidade do Rio de Janeiro, já visitou inúmeras universidades estrangeiras, é pesquisador, conferencista e escritor com mais de 50 livros publicados nas áreas de teologia da libertação, filosofia, espiritualidade e ecologia.

Passeia-se pelo livro de Leonardo sobre São Francisco com enorme prazer.

São Francisco abandonou uma vida de riqueza e prazeres e muito cedo tratava de pobres e doentes. Foi um homem ecológico, isso nos idos de 1200.

O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista.
Ninguém como ele irmanou-se tanto com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, das aves e dos animais. O "Cântico ao Sol" em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma linda página de poesia.

Amava todos os animais, especialmente os pássaros.

O livro deve ser lido, mas gostei de alguns fragmentos, que podem não parecer tão claros a princípio, mas são... muito:

* Dúvidas nos levam a angústia... muitas vezes quem ganha sentido é a fé.

* Há dois tipos de fé que devem ser vividas concretamente: a fé-confiança e a
fé-crença.

* A fé-confiança, atitude de total entrega a um Maior, ao Criador do universo, descoberto como deus interior que arde em nosso coração na forma de entusiasmo (em grego em-theos-mos = entusiasmo, significa ter um deus dentro), dando-nos energia para viver, lutar, superar obstáculos, e esperar.
Essa confiança radical nos confere serenidade e paz.

* Nada mais inadequado à natureza da verdade do que a arrogância e a pretensão de possuir sempre a melhor razão.A verdade é como a luz: possui sua intensidade certa. Excesso de luz cega. Da mesma forma, excesso de verdade é pior que erro, já dizia Blaise Pascal. É só em sua medida certa que a verdade dissipa as trevas e o erro.

No contexto da Oração pela Paz, pedimos ao mestre interior que tanto pode ser Jesus e Maria quanto Buda, Krishna, Gandhi, Luter King, Dalai-Lama, Mararish, entre outros e outras, que levemos o amor, perdão, união, fé, verdade, esperança, alegria e luz...
São estes valores que produzem paz e nos fazem instrumentos da paz divina.

Conhecemos a oração, ela é simples... E será que é usada normalmente, regularmente?

Senhor,

Fazei de mim um instrumento de vossa paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz!

Ó Mestre,
fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!


E a mãe dedicou o livro ao filho com estas palavras:

Filho,

Que a luz que te guiou para nomear o seu filho, continue te guiando para ser um pai maravilhoso, transmitindo muito amor, paz e sementes de luz para esse serzinho que já vem com fonte própria de muita luz e amor.


Que venha o esperado Francisco, que tenha saúde e que seja um bom homem...


Segunda-feira, Outubro 04, 2004



ATÉ BREVE



Precisei viajar inesperadamente.

Não demoro.

Beijos à todos.



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