PRA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR
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Eita mulher vaidosa a Lucinda!
Apesar dos seus quarenta e muitos (idade ninguém arranca dela), não aparenta. Tem um jeitinho jovial de menina levada e é brincalhona.
Mas quem conseguia dissuadir Lucinda a não fazer plástica? Ninguém!
Ela sempre fora destaque de escola de samba, o carnaval se aproximando, impulsiva resolveu: plástica nessa barriga e mais alguns retoques, já! Todas fazem. Por que não eu?
E, por indicação de algumas amigas, foi parar no Dr. Ibama. Médico afamado e competente.
Lucinda notou com estranheza que Dr. Ibama não parecia fanático por nada, nem pela medicina, pois olhou bem para a "jovem senhora" e disse:
- Como posso ajudá-la? Com um ar "blasé".
- Eu gostaria de corrigir as pálpebras, acho que estão caídas...
- Você está louca? disse o Doutor sem pestanejar. Você não tem indicação para plástica nas pálpebras. Se fizer, vai dormir de olhos "bem" abertos e seu marido, quando você roncar, vai levar um susto enorme. Uma mulher roncando de olhos abertos, coisa h o r r í v e l l l !
- Eu não ronco, disse ela indignada.
- Todossssssss roncamos, meu anjo, replicou ele.
Está bem, doutor. Se minhas pálpebras estão ótimas eu gostaria de me ver livre desse "papinho". O senhor talvez nem perceba, mas a mim incomoda demais.
- Querida, você nãoooooooooooooooooooooo tem indicação para plástica de eliminação de papada.
Ai, Senhor... pensava Lucinda. Minha última cartada. Se ele não aceitar, nem sei... Como vou aparecer na Marques de Sapucaí? Obesa, provavelmente...
Subitamente Lucinda levantou a blusa e falou aos borbotões:
- Doutor, QUERO fazer uma plástica na barriga, já decidi.
- Nãoooooooo, você não tem indicação para plástica de abdome. Faça abdominais!!
Pronto! Doutor Ibama deveria ser apaixonado pela fauna, flora, por pássaros talvez, mas pela profissão não era.
E os trejeitos? Coisa de se morrer de rir. Ele devia odiar sangue, detestar operações, pensava ela.
Já estavam íntimos. Ibama contou-lhe que odiava determinadas comidas, seus ternos viviam cheios de salgadinhos e docinhos nos bolsos. Não gostava, enfiava no bolso, o problema era esquecê-los lá.
Mas o cirurgião odiava especialmente a culinária japonesa.
- Coisa insossa, sem graça, dizia ele. Imagine você que outro dia fui convidado para um jantar japonês, serviram uma sopa M E D O N H A de entrada, fui obrigado a dar umas colheradas e passou imediatamente a dar a receita de uma verdadeira sopa japonesa...
- É assim, meu bem: "Você vai à peixaria e olha para aquela bandeja, manda recolher a água do peixe, pega também um pé da sandália do japonês, coloca tudo na panela e ferve por duas horas, a sopa ta pronta!" Ergh.
Que dizer, pensou Lucinda, que o Doutor Ibama não gosta de operar, é enjoadíssimo para comer, divertidíssimo para contar um caso... mas e a plástica? O tempo urge, o carnaval está aí, pensou ela aflita.
Interrompeu um dos casos do divertido doutor e disse: - Doutor, se minhas pálpebras estão boas, minha barriga também, que tipo de operação o senhor sugere? Quem sabe uma lipo?
- Simples querida, corte este cabelo comprido H O R R Í V E L de Maria Mijona .
Mulheres depois de 35 anos JAMAIS podem usar um "cabelão" desses. Quer ficar parecida com a Gretchen? Lady Francisco? Perla? Yoná Magalhães? Corte os cabelos ontem!!!
Nada como um palpite de um "homem alegrinho"... elas sempre escutam.
Ela cortou os cabelos "ontem"!
por
Monica às 2:23 PM
Comentários:
RECEITA DE ANO NOVO II
ou VALE À PENA LER DE NOVO?
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Será que ainda está em tempo de se falar em ano novo? Acho que sim.
Geralmente escrevo meus posts. Quando acrescento algum autor, procuro pesquisar. Tenho pavor de atribuir a alguém, escritos de outrem...
Algumas vezes nos deparamos com coisas um tanto grotescas no sentido de: está na cara que isto não é Jabor ou Lispector ou Veríssimo, ou Drummond. Estes são os campeões. Algum cretino (com o perdão da palavra) escreve alguma cretinice e assina Jabor. Pronto, começa a rodar na Internet e todos acreditam que o texto seja mesmo de Jabor. Que saco!
Mas muito já foi falado sobre "apropriação indébita", "estelionato" e "roubo".
Quem tem o hábito de ler reconhece Rubem Braga, Veríssimo, Machado de Assis; o que não é nenhuma obrigação...
Eu, pessoa assumidamente desligada, desde a primeira vez que li um texto, onde Mário Quintana escreve "sarado", saquei no ato que aquilo não procedia, até porque, quando Mário morreu, sarado significava curado e não malhado ou até gostoso.
Estou lendo atualmente "Amor é Prosa, Sexo é Poesia", onde Jabor reclama veementemente de ser vítima de escritos grosseiros alheios atribuídos a ele.
Tá bom, Jabor reclamar sei que é redundância, mas isto é coisa séria, incomoda, avilta o autor.
Patrícia Daltro já teve texto roubado,
Ane Walker,
Inagaki, minha querida
Karina e tantos outros. Ossos do ofício, hoje na Internet.
Eu mesma já tive algumas citações surrupiadas! Nossa, achei lindo! Não sou parâmetro para nada, diga-se de passagem. Quase escrevi um e-mail:
"Querida amiguinha,
Apesar da citação ser minha, dou-te de presente agora mesmo e, se quiser, mando dedicatória. Prometo não contar a ninguém (nunca contei mesmo.)
Um beijão".
Mas esse palavrório todo é para falar do post de minha amiga
Adelaide, ou no meu post de Natal e Ano Novo, de Drummond.
Adelaide conheci no
Focando do
Arquimimo e senti rapidamente; ela é uma dessas pessoas que a gente mesmo conhecendo pouco, gosta muito. Pois
Adelaide, em um simpático post, cita várias pessoas, e a mim da seguinte forma:
Mônica cita trecho de um texto que na Internet tem sido atribuído a Drummond: "Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz".
- Como assim? perguntei a mim mesma. Conheço este texto e sempre soube ser de Drummond, mas a gente comete erros e muitas vezes passamos anos achando que tais palavras pertencem a tal pessoa e um dia descobrimos que não.
Fiz uma pesquisa completa, entrei em uns 50 sites, consultei minha assessora
Lilia...
-
Lilia, pesquisei no
Jornal da Poesia, disse eu.
- Pois pode postar, amiga,
Jornal da Poesia é cearense, portanto acima de qualquer suspeita.
Em meu post cito o poema como tendo sido publicado no Jornal do Brasil em 1997.
Já a
Kel explica mais detalhadamente:
"Receita de Ano Novo", foi lançado em 1977 no livro "Discurso de primavera e algumas sombras", Rio de janeiro, Record. [2a. edição aumentada, Livraria Jose' Olympio Editora, 1978].
E foi desta forma, como a
Kel explica, que encontrei incontáveis vezes.
Acontece que o "santo" falha, ou seja, nosso amiguinho Google não é de total confiança... então cheguei aqui:
(Para quem achou o post longo ou que não vale a pena ler de novo, não titubeie, pule o poeta...)
A Globo cortou Drummond *
"Por que a Globo falseou poema de Carlos Drummond de Andrade? Após a queima de fogos na Praia de Copacabana, a Globo apresentou, em homenagem ao centenário de Drummond, o poema "Receita de Ano Novo".
Por que a Globo grosseiramente CORTOU um determinado trecho do poema?
Nota-se claramente que as atrizes que declamavam recitaram o verso, porém, a matéria foi editada, cortando-se um trecho.
E neste corte, sublinhado abaixo, a montagem destruiu a mensagem poética de Drummond, uma chamada à realidade. Ou será que teremos de viver realidades montadas "grosseiramente" até mesmo na montagem de versos poéticos? Por quê? Aqui, o poema na íntegra, a parte "cortada" em itálico:
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre".
* Mario Aléxis - Belo Horizonte - Observatório da Imprensa
Penso então que deve ser mesmo Drummond. E se ainda me permitem, mais uma vez, FELIZ ANO NOVO!
por
Monica às 4:55 PM
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