Sábado, Abril 30, 2005



A AVENTURA DE CLEIDE - parte II


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Assim Cleide deu um jeito de marcar uma reunião privada com o diretor.

Da primeira vez "assistiu" o referido "très comme il faut". Ou não... aí é questão de opinião.
Arquivou papéis, comentou as aulas, propôs melhorias.
Da segunda vez, a coisa já enveredou para outras paragens e logo Cleide estava a assistir a bomba funcionar. E como funcionava!

- Não corre o risco de estourar, ou entupir? perguntei eu.
- Que nada, boba! A peça vem da "América", é superrr sofisticada, não tem erro não. E ó só, eram trêisss ou quatro veizzz.
Cê num tem a menorr idéia de como é interessante a gente ver a fruta maduranu na nossa frente, até ficarr no ponto da colheita. Vai crescendo de poquim em poquim; eita trem bão que enterte, misericórdia!
Ah! bons tempos, mess. Eu cantava: "Serenô", "Lampião de Gás", "Saudade de Matão"... Ia pro céu, contava estrelas e voltava. Aquilo era melhor que queijo de Minas ou biscoitim de polvilho, uai!

O diretor, um autêntico Odorico Paraguaçu, "bombeava" as três irmãs Cajazeiras: Cleide, a comadre ( que não se incomodou nada em dividir, somar, potencializar Odorico) e ainda levava a amiga Adélia de bônus. Por bom comportamento, suponho.
Um dos braços do diretor denotava sensível diferença do outro.
Gostavam de assisti-lo em ação.

Felizes elas passeavam pela cidade, sempre sorridentes.
O diretor nunca foi "bombado" pelas professoras. Passava de ano com louvor e distinção.
Ele fez a felicidade das quatro. Sim, porque a "tetéia" tinha assim uma folga e podia fazer palavras cruzadas sem ser eternamente interrompida pela bomba relógio de Odorico.

Mas...
Como tudo que é bom é pecado, engorda, faz mal e não dura eternamente, um dia o diretor mudou-se de cidade, para estupor e horror das Cajazeiras.
Cleide nunca mais foi a mesma: dá gritinhos e se abana ao ouvir a palavra "bomba".

Omito alguns detalhes da performance bombástica do diretor, em respeito ao leitor e mormentemente a minha doce amiga Cleide.

Mário Prata!!
Quanto ao proibidíssimo chiclete, devo dizer que mastiguei os mesmos, por vinte dias... Camuflei na mala, à la Arsène Lupin, de maneira que nenhum Doctor Watson encontrasse. Mea culpa, admito.
Afinal, meu querido, sem comer, sem beber, sem fumar e sem bombinha não há quem güente! diria Cleide.


Terça-feira, Abril 26, 2005



A AVENTURA DE CLEIDE


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Lembro-me bem do dia em que resolvi ir para um SPA pela primeira vez. Foi depois de ler o Diário de um Magro, de Mário Prata. Com sabor ele conta sua primeira passagem por um SPA por 15 dias, devidamente acompanhado de Fernando Moraes.
O livro é muito divertido e depois dele quis saber como funcionava um e nunca me arrependi: é divertido, as pessoas relaxam, aprendem a se alimentar devidamente, a exercitar o corpo e as minguadas, mas deliciosas refeições tapeiam. As pessoas relaxam de verdade, além de perder alguns quilos.

SPA hoje não é privilégio de obeso. Todos os tipos de pessoas freqüentam. Na verdade a gente paga para comer pouco, mas é tudo uma delícia e esquecemos da vida.

Mário Prata, então, escreveu o Diário de um Magro II, que começa com uma menina chupando chicletes (coisa proibidíssima lá dentro) e é flagrada por outra garota que pergunta:
- Onde você conseguiu este chiclete?
- Estou com ele há 5 dias...Você quer ficar com ele amanhã?

Desta vez tive pouca sorte, só havia gordos, além de Mário Prata, minha filha, meu neto e eu.

A família já aproveitou para dizer que sou tão doida que achei o neto de 2 meses gordo e levei imediatamente para um "tratamento". Bobagem, a filha fazia dieta livre, eu comia 300 calorias por dia e achava ótimo.
Fui execrada, xingada, perguntaram se estava lá para perder 200 gramas.
Não conheço nenhuma mulher que não queira perder 3 quilos, todas querem, 90% quer, eu sempre quero...

Mas acabei fazendo bons amigos, conhecendo gente boa, simpática e no final fui aceita como uma pessoa um tanto exagerada, mas legal, eu acho.

Nunca escondi minha predileção por mineiros. Adoro o sotaque, a mineirice, o jeito de ser e acabei ficando amiga de uma senhorinha recatada, educada, de família tradicional mineira.

Cleide já se apresentava como filha de uma cidade cujo nome nunca recordo, mas ela explicava:
- É muito simples, uai. Minha cidade fica entre Varginha (terra do ET) e Três Corações (terra do Pelé).
Quando alguém perguntava o que eu estava fazendo lá, Cleide entrava em minha defesa.
- Ela tá cerrrta oras, quer perder 3 quilos. Num é burra de esperar ficar um trem feito nóis.
E assim ficamos amigas.

Um dia, em um almoço regado a limonada, uma folha de alface, um tomate cereja, seguido por um pedacinho de frango e meia colher de risoto, uma senhora começou a descrever o ex- marido.
Pela descrição o fulano era um Adonis musculoso de olhos azuis, nariz aquilino, pescoço viril... Particularmente acho que a senhora lia livretos de bolso, mas Cleide se impressionou.
Abanou-se e observou que havia tomado um cafezinho com canela e aquilo estava lhe provocando um "calorão" daqueles.
- Cleide, Cleide, este cafezinho lá na minha terra tem outro nome, disse eu.
Ela deu risada e Carminha, uma gordinha simpática, dona do ex-marido, perguntou:
- Há quanto tempo você não vê a coisa Cleide?
- Misericórdia!! 3 anos, 4 meses, 9 dias e 8 horas.
A gargalhada foi geral e Cleide continuou:
- Mas tive um affairrrrrrr memorável. Vocês sabem que sou professora lá na minha cidade, e o diretorrr, um pedaço de homem, tinha uma mulher que era uma tetéia (ela explicava com o indicador e o polegar unidos), mas vivia se pavoneando que o deixava de castigo amiúde.
Ela, a comadre e mais uma amiga davam aula no colégio e eram assessoras do diretor.
E não é que a comadre estava de encontros clandestinos com o diretor?
Contava de boca cheia que o diretor sofrera uma operação na próstata e fora obrigado a colocar uma bombinha sub-cutânea.
A comadre contava que ele bombeava a peça e a coisa ficava como o diabo gosta.
Cleide ficou irritadíssima e pensou: "Se a comadre tá vendo essa bombinha eu também vou ver, e você Adélia (para a amiga), vai ver também!"

(CONTINUA)


Segunda-feira, Abril 18, 2005



RECEITA PARA SE TORNAR ZENNNNNN


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Arrume alguns problemas. Qualquer tipo serve, desde que te toque fundo: doença na família, ter a casa inundada, cruze com alguns pedreiros e fique no último grau de stress.

Para que a receita tenha êxito, você precisa ter alguém na família que seja adorável.
Passe para esta pessoa cetro e coroa. Ela vai amarrrrrrrrrrrrrrr tornar-se a rainha de todos os seus problemas.

Tinja os cabelos de loiros, isto ajuda. Não, não precisa ser Hebe Camargo, bastam umas mechas largas.
Olhe para a cara do pedreiro e simule um desmaio.

Mas só faça tudo isto depois de ter ligado para um SPA, desses bem rígidos.

Pronto!
Agora faça as malas e por 18 dias coma 300 calorias por dia.

Você relaxa, esquece os problemas, o Tico fica meio abobado, o Teco meio adormecido e você, querida amiga, completamente zen.
Zen raciocínio, zen pensamentos, zen problemas... Mas com um corpo espetacular.

Você pode, permita-se: afinal, agora você é loira!!

Estou voltando... ainda à espera de Chip'n Dale. Deixa os dois se aprumarem.

Mesperemmmmmmm!!!


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