Sábado, Junho 25, 2005



MEU ALMOÇO COM NEYDINHA

Devo dizer que nunca gostei muito do idioma espanhol. Tive oportunidade de aprender, não quis. Aquela cuspição toda no rosto da gente, perdigotos à vontade. Ah... aquilo não era comigo.

Acontece que conheci Neydinha. Descendente de espanhóis, embaixadora e amante da música basca, sevilhana, portenha, cubana... me pegou pelos ouvidos.
E assim caí de amores, pelo o outrora odiado idioma, tanto quanto pela música e poesia.
A danada possui toda a discografia espanhola ou hispânica. Com ela é assim: cuspiu, tá bom!
E eu me pego gostando também... Vou aprender espanhol, estou decidida!

Sentindo o meu gosto pela música e os poemas, minha dileta amiga, convidou-me para almoçar e assim poderíamos gravar uns Cd's.
Levaria alguns meus e ela abriria sua coleção espanhola.
Neyde usou sua voz de comando e disse: - Traga seu notebook!
Acreditem, é difícil negar coisas a Neydinha, a gente vai obedecendo...

Toda de preto, bolsa preta e notebook preto... bom, eu parecia uma representante do Avon.
Ding dong... Avon calls!

Trocamos dois beijinhos e ela avisou: - Não olhe para o cão, ele não gosta, pode avançar...
- Ugh?
Nem tempo de escolher meu melhor ângulo tive, fiquei com torcicolo. Passei horas olhando para qualquer lugar, menos para o cão. O que, absolutamente, não impediu o dito de me avançar e arranhar minha coxa esquerda.
Tenho pra mim que Neydinha jamais cortou as unhas do fofinho animal, pois o arranhão ardia, ardia muito. Resisti...

Assim que entrei, fui muito bem recebida, até o cão pareceu gostar de mim. O arranhão era festinha. Estava doendo, mas o que importava? Ela é tão simpática e com um largo sorriso disse: -Temos feijoada, está salgada devo dizer, mas está boa!
Entendidíssima nas artes culinárias avisei: - Coloque uma batata no feijão; ela chupa o sal.

Neydinha achou que a batata era supersônica, atômica, americana. Colocou a batata e serviu na mesma hora. Que belezinha!
Minha boca está, como a boca de todo paulistano, rachada, por causa do vento frio.
Comi a salmoura de Neyde e como por encanto virei a Cicarelli.
Boca ardendo, pescoço torto, pois não podia O L H A R o cão e a boca inchando, eu engolindo a salmoura.
A coxa direita em brasas por conta do lindo Springer Spaniel que, aliás, fazia parte do almoço e nos olhava com cara de pedinte e eu não podia olhar de volta...

Passei o almoço inteiro a descobrir as preciosidades da estante, evitando assim ser mordida pelo cão.


Descobri que minha amiga foi Rainha das Bonecas, Miss Piscina, Miss Suéter.
Fotos maravilhosas. A Rainha das Bonecas de perninhas grossas é uma gracinha e Neyde sorri com o prêmio nas mãozinhas.

Li o título de edições raras de Cervantes, Lorca, Neruda.
Filmes ela tem todos de Almodóvar, Saura, e tantos outros.

Enquanto admirava os livros e filmes, com a cabeça entortada para o lado, minha amiga me servia mais feijoada.
- Agora você vai provar minha especialidade: dulce de calabaza, vulgo doce de abóbora, que ela abrasileirou e disse que tinha coco. "Onde estaria o coco?", pensei eu.
Acho que desligada como ninguém, ao invés de coco, ela colocou açúcar mais de uma vez. Ficou insuportavelmente açucarado. Daquele jeito que quando a gente come, o vizinho ouve o crec, crec barulhento do excesso de açúcar nos dentes. Mais ou menos como se abrir um açucareiro e mandar uma colher cheia goela abaixo.
Fiz assim um peeling na língua que ardia tanto quanto os lábios.
A coxa? Já nem lembrava mais dela...

Consegui engolir tudo e começamos a gravar os CD's.

Ela conectada no quarto, eu na biblioteca, ainda de pescoço duro, pois o cão rondava, e as duas dementes começaram a travar uma conversa no Messenger.
- Neyde, o cachorro está me olhando!
- Não olhe para ele!

Totalmente prejudicada e manca voltei para casa, com cara de quem preencheu os lábios com silicone ou botox.

- Antônio, meu amigo, venha nos visitar! Tenha o cuidado de dizer que não é amante de feijoada, invente uma dieta. Mantenha-se firme e não aceite a sobremesa, invente diabetes, ou dieta rígida. Use um tapa olho; dá um ar gitano. Ela vai gostar e você evita assim, olhar para a fera canina, pelo menos com um dos olhos.
Venha pelo belo olhar de Neydinha, pelas fotos de Rainha das Bonecas, as de Miss, os CD's e DVD's... mas não venha filar bóia. Você pode acabar com uma baita má-digestão.
Cá entre nós, ela nasceu para Miss, para dançar sevilhana e tango, discutir cinema e música, mas cozinhar...
Repita comigo: Si hay gobierno, soy contra... Si hay feijoada, somos contra!


Segunda-feira, Junho 20, 2005




FEDERICO GARCÍA LORCA


Imagens: Lorca e Ana Belén

Ainda sob o signo de gêmeos, que vai até amanhã 21 de junho, pensei em escolher um famoso e escrever.

Fiquei perdida, pois geminianos quando não falam (existem alguns bem calados), escrevem, dançam, pintam e bordam, de preferência tudo ao mesmo tempo, já que vivem sob a batuta de Mercúrio.
Sobre quem falaria? O leque é imenso.
Poderia ser Fernando Pessoa ou Wanderléa.
Poderia ser Machado de Assis ou Erasmão (Carlos), Ana Paula Arósio, M. Fernanda Candido, Maquiavel... Chico Buarque? Bela idéia... Eu agradaria a todas as mulheres.
Che Guevara, a Cacau adoraria! Judy Garland a Sonja, Degas a Helô, Jonnhy Depp, igualmente a grande maioria das mulheres.
José Lins do Rego, Gauguin, Lawrence Olivier, Jacques Cousteau, Boby Dylan, Cole Porter, Wagner, Walt Whitman.
Marylin Monroe todos os homens, fanáticos ou não.

Recebi então de presente da Rubia um CD de Ana Belén, maravilhosa cantora e atriz, geminiana de 27 de maio. No CD, o qual já furei; viu, Ru? Preciso de outro (rss).
Ana interpreta poemas de Garcia Lorca. Eu enlouqueci.
Apaixonei-me por Ana e pela personagem do Ramancero Gitano de Lorca, Soledad Montoya.
Não paro de ouvir esta música. Sem contar que Garcia Lorca é geminiano de 05 de junho, dia da Polly, vejam só.
Já prometi para a Lilia na esperança de que ela goste. Mando para o Milton na certeza de que ele vai amar.
Prometo neste exato momento ao Ery. Você quer? Avise-me.
Rubia prometeu para a amabilíssima Adorável e para o não menos amável Marco, se não estou enganada.

Resolvi agradar a mim mesma e escrever sobre a breve, mas vibrante vida de García Lorca e seu trabalho, ainda que inacabado, ma-ra-vi-lho-so (leiam bem devagar esta palavra).



Imagem


"Há quase sessenta anos, em 19 de agosto de 1936, morre um dos maiores poetas e dramaturgos da primeira metade do século XX, uma das vitimas mais famosas da guerra civil espanhola; trinta e oito anos antes, no mesmo ano que duas outras grandes figuras da literatura mundial, o americano Hemingway e o alemão Brecht, nasceu no povoado de Fuentevaqueros, na província de Granada, na Andaluzia, Federico García Lorca.

A influência da sua região natal se encontra em toda a sua obra, desde as "Primeiras Canções" até "A Casa de Bernarda Alba", numa combinação da tradição secular e do modernismo do século XX. Um exemplo do seu interesse é a Festa da Cantata Jondo (cantata tradicional do Sul da Andaluzia) que organizou em 1922, com outro andaluz, seu amigo, o compositor Manuel de Falla, nascido em Cádiz. Onze anos depois, García Lorca participou das representações da obra "mestre" de Manoel de Falla, "O Amor Bruxo", obra muito influenciada pela tradição andaluza e espanhola.

Em 1914 começa seus estudos (direito, filosofia e letras) na Universidade de Granada. Com seu professor Martin Dominguez Berrueta viaja por toda a Espanha e descobre os tesouros culturais do país. Cinco anos depois, começa sua "carreira" de estudante em Madrid (será estudante aqui até 1928). Aqui conhece o grande poeta Juan Ramón Jiménez e o cineasta Luis Buñuel. Aqui nascem suas primeiras obras literárias, o "Livro de Poemas" e sua primeira obra de teatro "Mariana Pineda". Durante esse período, fica íntimo do mestre catalão do Surrealismo, Salvador Dalí. Forma-se o aspecto moderno da obra de Garcia Lorca. Cria em 1928 em Granada, uma revista literária: "Gallo". Não houve mais que dois números, mas armou muito barulho no mundo artístico espanhol. O segundo número contém, por exemplo, um "Manifesto Anti-Artístico Catalão", assinado por... Salvador Dalí.

Depois de seus estudos na Espanha, viaja pelos Estados Unidos. Ali estuda e faz conferências na "Universidade de Columbia" em New York. Vai também a Cuba que lhe impressiona muito. As obras desse período estão reunidas no livro de poemas "Poeta em Nova York". Ao voltar para a Espanha cria o teatro universitário ambulante "A Barraca", que encena obras dos grandes mestres espanhóis (Calderón, Cervantes, Lope de Vega...) por toda Espanha. Durante uma viagem a América do Sul, obtém um verdadeiro triunfo em Buenos Aires em 1933. Nesse momento, Federico García Lorca é conhecido por todo o mundo e os êxitos continuam, com os êxitos de suas obras de teatro: "Yerma" foi representada mais de cem vezes.

Federico García Lorca nunca foi de algum movimento literário, como o Dadaísmo de Tristan Tzara e Guillaume Apollinaire e o Surrealismo de André Breton e Salvador Dalí. Sempre negou o título de Surrealista, ainda que algumas características do Surrealismo se encontrem na sua poesia, como as associações de palavras estranhas. Em troca, não usou a escrita automática como lhe propôs o teórico do Surrealismo, André Breton. Nisso, se pode comparar Federico García Lorca com o autor francês, nascido em Montevidéu, Jules Superville, que também, sempre recusou o título de Surrealista. Mas há também um aspecto tradicional em sua obra. Seus temas são inspirados amiúde na tradição andaluza e espanhola. Um tema que, por exemplo, se encontra em todas suas obras dramáticas ("Yerma", "Bodas de Sangue"...) e em grande parte de sua poesia (em o "Cancioneiro Cigano", no "Poema da Cantata Jondo"...). Dos poemas da Cantata Jondo ("Da Profundeza" e "Malaguenha") serão utilizados pelo compositor russo, Shostakovich, em sua Décima Quarta Sinfonia, um ciclo de canções sobre a morte. Seu mais belo livro de poemas, também é inspirado na morte.

Em 1934 morre, em seu traje de luzes, Ignacio Sánches Mejías, toureiro muito famoso, amigo do poeta e mecenas do mundo.Alguns meses depois, García Lorca compõe "Pranto por Ignacio Sanches Mejías".

Desde 1933, Federico García Lorca conhece muitos êxitos. Mas, neste mesmo período, nuvens pesadas se formam no céu da política internacional. Há onze anos Mussolini governa na Itália, e na Alemanha cai a frágil república de Weimar. O novo chanceler se chama Adolf Hitler. A primeira deflagração de violência ocorrerá na Espanha.
Em 13 de julho de 1936, José Calvo Sotelo, líder do partido monarquista, "Renovação Espanhola", é retirado de sua casa e assassinado em um cemitério de Madrid. Começa a insurreição de uma grande parte do exército. Federico García Lorca não é de nenhum partido político. Mas um artista moderno é, por definição (se pensa no conceito da "arte degenerada"), um inimigo para um regime autoritário e para aqueles que interrompem o discurso do reitor da Universidade de Salamanca, Miguel de Unamuno, com gritos: "Morram os intelectuais! Viva a morte!". García Lorca foge de Madrid para Granada, mais tranqüila. Depois de uma denúncia anônima, é detido por milícias nacionalistas. Em 19 de agosto é assassinado e seu corpo, encontrado em um barranco da Serra Nevada.

No mesmo ano também morre o filósofo Miguel de Unamuno, preso em sua própria casa, renegado por republicanos e franquistas, sozinho, num ambiente bárbaro. A guerra civil continuará por três anos, causará um milhão de vítimas, o exílio de centenas de milhares de espanhóis, de quase todos os intelectuais do país.

O compositor e amigo de García Lorca, Manuel de Falla, vai em 1939 para a América do Sul. Morrerá sete anos depois em Buenos Aires sem ver seu país natal novamente.

Em 16 de junho de 1936, abandona Madrid rumo a Granada, onde está sendo impresso, pela Universidade, seu novo livro de poesias: "Divan de Tamarit". Segundo o escritor Falla, Lorca, descoberto em casa de um amigo, é preso pelo governo franquista. Não se sabe se por engano ou por vingança pessoal, o poeta, arrancado da prisão, é levado ao lugar de sacrifício nas ladeiras da Serra.
Em 17 de julho, estoura o movimento militar falangista contra a República e, uma das primeiras notícias trágicas a abalar o mundo, é o fuzilamento de Federico García Lorca".
Traduzido daqui.


Sábado, Junho 11, 2005



PREFÁCIO


Imagens: Livro e DVD


Não sou escritora e nem tenho pretensão de ser.
Mas este livro e obviamente o autor, me tocam de tal maneira, que correr o risco de escrever algumas palavras, para celebrar esta nova edição, me faz muito feliz.
Da mesma forma que pessoas nos conquistam, livros também conquistam e por vezes, aparecem em nossas vidas por estranhos caminhos.

Vou contar-lhes como 84, Charing Cross Road (Nunca Te Vi, Sempre Te Amei), apareceu em minha vida.
Estava sentada sozinha na praia de Fire Island, quando um homem de andar lento e casual se aproximou.
Nunca havia visto o rapaz e para minha enorme surpresa ele disse: "Acabo de ler algo que seria perfeito para você".
No dia seguinte, sentei-me no mesmo local e ele veio até mim novamente, só que desta vez com um livro na mão. Seu entusiasmo parecia tão sincero que me contagiou, fiquei intrigada.
Assim que ele se foi, não sem antes me presentear com o livro, abri o pequeno volume e comecei a ler. E foi como começou meu "romance" com "Nunca Te Vi, Sempre Te Amei".

Como muitos de vocês sabem e outros tantos vão descobrir, é difícil ou impossível começar este livro sem terminar.
A trilha da correspondência de Helene Hanff com Frank Doel e seus colegas da Marks & Co, nos leva, cativados, às idiossincrasias do mundo feminino, passando pela literatura Inglesa, além do encantamento do leitor ao partilhar da educação erudita e da profundidade das palavras de Helene.

A princípio parece ser um livro comum, mas ao longo da leitura, vamos descobrindo edições raras, os desejos dos leitores, os livros alugados, bem como os recebidos e enviados, por Helene e Frank.
Como eles são veículos de conversas, troca de idéias, amizade, afeição, generosidade! Em outras palavras, todas as coisas boas que compartilhamos e que a vida nos oferece. Toda a livraria se envolve com as palavras trocadas pelos dois.
O que me faz pensar: Como um livro assim fino pode me dizer tanto?!

Quanto mais eu ouvia a voz peculiar, irônica, atraente e charmosa de Helene, mais ouvia ecos da voz de uma antiga amiga. Estudamos juntas e como Helene ela era fascinada por livros. Livros animavam sua existência, seu mundo.
A cada página, a voz de Helene e de minha amiga, se fundiam em minha memória, ressoavam em meus ouvidos.
Ambas tinham respeito, carinho, necessidade e amor pelos livros o que caracterizava essa paixão mútua.
Coincidentemente, quando aquele homem entregou "Nunca Te Vi, Sempre Te Amei" em minhas mãos, eu estava de luto pela morte dessa pessoa, luto sentido.
Então, as palavras trocadas pelos dois sobre amigos, me levava todo o tempo a pensar na amiga que havia recém partido. Isto só fez enriquecer e encantar a leitura, com todo o sabor que o livro já possui.

Logo depois, sabendo de meu amor pelo livro, meu marido adquiriu os direitos autorais e presenteou-me no dia de meu aniversário.
Foi assim que representei Helene, além de ter a grata satisfação de conhecê-la pessoalmente.
Se ao menos eu fosse uma boa escritora, poderia descrever o dia em que fomos apresentadas à Rainha Mãe para recebermos uma comenda e Helene esticou a mão como se a rainha fosse sua velha amiga. Isto faz parte de minhas memórias; impossível esquecer...

Agora, não gostaria de "vender", como leitora, minha impressão sobre a magnitude de Helene, e nem procurar a pessoa que colocou este livro em minhas mãos. Não obstante, minha experiência com este livro abençoado, revela o que uma edição, e o que palavras podem trazer às pessoas.

A troca de cartas entre Helene e Frank ultrapassa os limites de tempo e o espaço, a geografia inexiste e uma enorme e linda amizade acontece. A troca de livros entre eles, leva Helene aos seus amados e inesquecíveis autores ingleses, bem como a todos os funcionários da livraria.

Concluo que não precisamos ver uma pessoa para amá-la, porque com palavras, conhecemos-lhe a alma.

O que provavelmente o leitor não perceberá é a presença constante de minha amiga querida que ora partiu, mas acreditem, ela está lá, o tempo todo, nas entrelinhas.

ANNE BANCROFT
Tradução e adaptação Mônica A.


No aniversário da 25 edição do livro "84, Charing Cross Road" - "Nunca Te Vi, Sempre Te Amei" - Anne Bancroft que representou Helene no cinema, foi convidada a prefaciar o livro. Isto em 1986, e escreveu esta introdução, que me foi enviada pela querida Sonja, com os seguintes dizeres: "Espero que goste. Achei no newsgroup - alt.obituaries - e fiquei emocionada, pois os livros são meus eternos amantes. Não vivo sem eles..."


Terça-feira, Junho 07, 2005



OBRIGADA!



Não vou encontrar palavras para descrever tanta alegria, tanta amizade, tanto carinho.
Recebi flores, as mais lindas. Recebi beijos, abraços, presentes e presenças, palavras, telefonemas...
Recebi tudo o que faz um ser humano se sentir querido e eu me senti.
Aos amigos reais já agradei pessoalmente.
Os virtuais gostaria de abraçar cada um apertado e dizer obrigada olhando dentro dos olhos.
Acontece que já se foi o tempo em que eu imaginava que amigo só de perto. Que amigo mesmo é amigo antigo, amigo precisava ser "olhos nos olhos".
Bobagem! Hoje sei que tenho amigos em toda parte e de alguns nunca ouvi a voz.
Conhecemo-nos através de palavras. A força da palavra é tamanha que nos aproxima...
Quem escreve promove aquilo que dizia Gilberto Freyre: "E a carne se fez verbo"! Quantas vezes o verbo é divino!
Talvez "falemos" aqui coisas que pessoalmente não "falaríamos".
Sartre dizia que escrever é fazer streap-tease verbal.
Então não posso dizer que não conheço meus amigos, pois escrevemos aquilo que somos... Alguns despem a alma.

Amigo virtual ou recente, falta passado, falta história de vida, mas o futuro desabrocha bonito.
Amar a quem não se conhece o rosto?
Sim, claro, óbvio, pois conhecemos antes a alma.
E se porventura viermos a nos conhecer pessoalmente, como já aconteceu com tantos... Daí é o presente maior... conhecer de corpo e alma.
Alguém duvidou da especial amizade entre Helene Hanff (Anne Bancroft) e Frank Doel (Anthony Hopkins) em "Nunca Te Vi Sempre Te Amei"?
Fica registrado aqui um desejo: conhecer pessoalmente, cada vez mais, cada um de vocês, e rever os que já conheço...
Obrigada a todos!
Pelos e-mails, telefonemas, flores virtuais, lindos posts, comentários... Obrigada!
Vocês me emocionam.
Não vou citar nomes desta vez, porque vocês sabem não somente quem são, como também o quanto os amo!


"No distance of place or lapse of time
can lessen the friendship of those
who are thoroughly persuaded of each other's worth".

Robert Southey


P.S.:

Meu coração é grande e nem tem ordem alfabética.
A imagem é pequena e não aceita nomes maiores...
Mas a gratidão, o bem querer, são iguais.
É como quando o maestro cumprimenta o "spalla", simbolizando um cumprimento à toda a orquestra...
Um grande beijo.

UPDATE
: Falo acima da força da palavra e cito a especialíssima Anne Bancroft.
Morreu nesta segunda-feira, esta atriz de múltiplas facetas, que sabia fazer o espectador rir e chorar com o mesmo garbo.
Tinha classe, talento e beleza. Rosto marcante, interessante, do tipo que esconde ou traz consigo histórias para contar.
Suas performances reluzentes lhe rederam cinco indicações para o Oscar; recebeu um, além de dois Emmies, dois Tonys e dois Golden Globes.

Esta atriz forte e elegante, sem nenhuma dúvida, marcou o cinema e deixa saudades.


Sexta-feira, Junho 03, 2005


PARABÉNS, MÃE



Mães
Danuza Leão

Mães, geralmente é a vocês que cabe a educação dos filhos,
sobretudo no capítulo modos à mesa, arrumação do quarto etc.

Não sejam preguiçosas! É mais fácil fazer que ensinar.
Mas tenham coragem, ensinem.
E comecem cedo para que os bons hábitos se tornem
uma segunda natureza e não um procedimento
para se ter só na frente das visitas.

Seja rigorosa! Eles vão te odiar às vezes.
Você vai querer esganá-los freqüentemente.
Faz parte entre as pessoas que se amam.
Mas um belo dia alguém vai dizer o quanto seu filho é educado,
prestativo, gentil, querido.
Você vai desmaiar de surpresa e felicidade.

Eu nunca me esqueço daquela história da mãe que
se dirigiu a uma especialista em boas maneiras para saber
com que idade ela deveria colocar seu filho no curso.
Ao saber que o filho estava com três meses de idade ela
respondeu:
"Mas talvez já seja muito tarde!".

Não morra de vergonha se seu filho der um vexame
na frente dos seus amigos.
Não valorize os erros nem de bronca em público.
Nunca trate a criança com se ela fosse uma débil mental,
elas entendem tudo!

Alguns mandamentos:
Não sair pra se servir correndo na frente dos outros.
O ideal, aliás, seria que as crianças
até certa idade fizessem as refeições antes dos adultos,
com as mães ali ao lado, patrulhando as boas maneiras.
Não deixar cair um grão sequer na mesa.
Não encher demais o prato. A fome no mundo, etc, etc...
Se encher que coma tudo.
A partir dos cinco anos, não cortar a carne toda de uma vez.
Cinco? Talvez eu tenha exagerado. Sete.

Eu adoro bebês! Quando começa a idade da correria,
eu confesso que já adoro um pouco menos.
Eu tenho que dizer isso bem baixinho pra não ofender as mães.

Vamos então falar dessa fase sublime:
Elas gostam de passar no espaço de
quinze centímetros que existe entre o sofá e a mesa,
brincam de pique numa sala de dois por três.
Colocam a cadeira na frente da televisão,
se penduram nos lustres, pintam as paredes da sala,
o teto e etc,etc e tudo aos gritos.
Eu penso que esta talvez seja a fase de maior energia do ser
humano.
Ah, é a idade das guerras de travesseiros,
das almofadas que voam pela janela.
Jovens pais adoram essas traquinagens.
Tudo bem.
Mas não ache tão estranhos se alguns de seus amigos
não curtirem tanto quanto você essa fase tão
adorável dos seus filhotes.
Crianças são difíceis mesmo,
é preciso muita paciência pra agüentar
o que elas freqüentemente aprontam.

Nem amigos comuns se deve ter por precaução.
Portanto quando o destino colocar vocês na mesma festa,
pareça o que eles querem que você seja, anule-se.
Tenha pouca, pouquíssima personalidade.
Faça o tipo distinto e alegre, se possível,
use uma peruca grisalha. Seja discreta e assexuada,
tenha poucas opiniões, se enturme com os mais velhos
e trate os mais jovens como se fosse assim uma tia simpaticona,
nada mais. Ria das historias deles e não conte nenhuma sua.
Mãe não tem passado.

Só fale de receitas, crianças,
se ofereça pra levar um vestido na costureira pra consertar,
tenha bons endereços pra fornecer.
Dicas de cozinha, conte como era o mundo do seu tempo,
seus filhos vão adorar e depois dessa festa,
vá correndo tomar um whisk duplo no bar do Bonju
pra não ter um enfarte.

Em compensação, na frente dos netos,
faça tudo que não deve e muito mais!
Netos costumam adorar avós, digamos, fora dos padrões.
É que eles sabem que ao poder contar com elas
como fortes aliadas nas crises de caretice dos pais.

Cruel? Não... apenas verdade.
E mais: Isso é que faz o Equilíbrio da Vida.


Neste dia do seu aniversário sou eu - a filha - que está postando aqui, para dizer o quanto amo essa mulher, mãe, avó, amiga, companheira, que torna minha vida mais feliz com o seu humor e seu jeito divertido de ser.

Love you!

Flávia



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