Terça-feira, Julho 26, 2005
FEBEAPÁ
Ai que saudades do Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta! Sua língua afiada, sensibilidade e inteligência, seu delicioso Festival de Besteira que Assola o País, livro que não encontro. Devo tê-lo emprestado.
Ah... se Sérgio estivesse vivo, quanto material teria nos dias de hoje.
Ele costumava dizer:
Quem precisa inventar piadas com uma realidade engraçada como o nossa?
E então publicou:
A mini-saia era lançada no Rio e execrada em Belo Horizonte, onde o Delegado de Costumes (inclusive costumes femininos), declarava aos jornais que prenderia o costureiro francês Pierre Cardin (bicharoca parisiense responsável pelo referido lançamento), caso aparecesse na capital mineira "para dar espetáculos obscenos, com seus vestidos decotados e saias curtas". E acrescentava furioso: "A tradição de moral e pudor dos mineiros será preservada sempre". Toda essa cocorocada iria influenciar um deputado estadual de lá "Lourival Pereira da Silva" que fez um discurso na Câmara sobre o tema "Ninguém levantará a saia da Mulher Mineira".
Mal sabia Stanislaw, o quanto a coisa ficaria séria. Quanta "coisa" arremessada nos ventiladores do Planalto, em tempos atuais.
Hoje ele não chamaria de "engraçada". Tragicômica, talvez...
É Marco Delúbio repetindo inúmeras vezes " poblema", é sua dileta senhora - que nada sabia - a dizer " que seje".
E assim corre como um rio, o "mar de lama" que assola o país.
Mas nem só de imbecilidade política vive o brasileiro.
Têm as imbecilidades do dia a dia, pérolas cultivadas, eu diria.
Conheço uma moça que estava de namoro com um homem lindo, aliás, diga-se logo, este é o único quesito que ela impõe aos companheiros, embora seja estudada e cultíssima.
O bonitão andava cansado e ainda precisava " bolinar sua mamografia". Traduzindo: Ele precisava burilar a monografia.
Ela namorou assim, os idiotas mais bonitos que já vi!
Esta não é a única. Algumas mulheres escolhem seus namorados pelo rosto lindo e fim.
Conheço outra que estava um dia desses na cama, muitíssimo bem acompanhada, cobertos por grossos edredons, quando seu parceiro perguntou:
- Vai, me conta: Qual é o seu " feFiche"?
Ela nem vomitou... apenas jurou que o próximo namorado seria alfabetizado.
Engraçado... eles são invariavelmente loiros, naturais ou falsificados... por que será?
Outra amiga, também escolhe os namorados pelo perfil aquilino e pescoço viril.
Esta namorava um loiraço de tirar o fôlego. Um tipão que caberia perfeitamente na "novela das 8", aquela que vai ao ar lá pelas 9.30 e não sabemos o por quê.
Depois de uma noite de amor, ela acordou, lançou-lhe um olhar "quase" apaixonado e perguntou ao bonitão:
- Quer um ovo pochê?
Rápido como uma flecha, ele respondeu: - Num pechija!
E ainda hoje, recebi de fonte fidedigna, por e-mail, esta notícia, a qual me deixou intrigada. Afinal, são poucos os japoneses que são loiros:
Um spray vendido no Japão "entrega" quando o cara volta para casa depois de dar uma por fora.
O aerossol é aplicado na cueca, que fica verde com qualquer vestígio de esperma.
O detector de traidores saiu no último número da revista cientifica "New Scientist", uma das mais prestigiadas do mundo. A invenção, que recebeu o nome de S-check, é vendida a 200 dólares pela agencia de detetives Gull, de Tóquio.
O negócio funciona porque o pênis continua vazando esperma até duas horas depois da ejaculação. Ou seja, se o sujeito sai com a amante depois do trabalho, a cueca vai estar manchada quando ele chegar em casa.
O spray que deixa a cueca verde não é a única arma dos detetives contra os maridos infiéis. Dois tipos de gel também pegam o cidadão no pulo.
Um deles é para ser discretamente esfregado nas costas do sujeito pela esposa. Se ele tomar uma ducha no meio da tarde, vai voltar para casa com uma bela mancha na pele.
O outro é para ser usado nas meias: elas mudam de cor quando o sujeito as tira por pelo menos 15 minutos.
Portanto o jeito agora é:
1- Levar uma cueca extra na pasta e trocá-la depois de 2 horas.
2- Não tomar banho.
3- T***** de meia.
4- E matar o filho da p*** que inventou essa m****!
Nossa Mãe!!! E hoje é dia da avó!
Recebi uma mensagem linda da Bugra.
Obrigada, querida.
Acho que na qualidade de uma distinta senhora, já avó e afinal coloco " asterísticos" nas palavras mais picantes... deveria eu estar a escrever estas coisas?
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Monica às 8:48 PM
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PARA OS QUE GOSTAM DE LORCA
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Poucas vezes me recordo de ficar tão impressionada com um CD, o " Lorquiana" (poemas de Lorca musicados por excelentes músicos).
Tocaram meu coração e de alguns queridos amigos, que por pura intuição, enviei pelo correio.
Minha favorita é Romance de La Pena Negra, do Romancero Gitano. Musicada por Fito Paéz, dramáticaaa, linda, Soledad Montoya.
Impossível traduzir Lorca...Talvez Fernando Pessoa conseguisse.
As traduções que encontrei são pobres e nem de longe mostram suas metáforas e a força das palavras de Lorca.
Não foi à toa que ao ser fuzilado, um fascista de direita disse: - Sua pena é mais "perigosa" que sua língua.
Ele nunca foi comunista, talvez socialista, mas era homossexual...
Em minha opinião esta opção levou, o grande poeta, a ser fuzilado.
Recebi lindos e-mails de agradecimento os quais divido com vocês.
1 - Mônica, queridíssima!
B - A - B - A - N - D - O ! ! ! ! ! !
Recebi o CD anteontem, mas resolvi lhe escrever só depois que ouvisse.
E fiquei ouvindo anteontem, ontem e está comigo aqui no trabalho. Que raridade! Que jóia magnífica! Primeiro, lógico, as belezas das letras - o que em se tratando de Lorca absolutamente é compreensível.
Segundo, a voz desta mulher! Acredito que ela seja um "anjo", não me ocorre coisa outra para poder comparar. Amei! Amarei sempre estes versos, estes ritmos, não sei como salientar uma faixa. É das coisas mais lindas que já ouvi. É alucinante, estou "Muerto de amor por usted", pelo seu gesto carinhoso como sempre ao remeter preciosidades assim. Estou sem palavras como comentei no seu blog.
Querida, guardarei e ouvirei sempre como uma preciosíssima jóia. Mais preciosa porque veio de outra "JÓIA" maior que é você.
Beijos de agradecimento. Um abraço de paixão.
E.
PS: Minha filha é vidrada no idioma espanhol. Levei à sua casa, ontem à noite, para que ouvisse. Quando começou a rodar a terceira faixa ela parou e foi fazer uma cópia.
2 - Moniquinha, seu CD é LINDO... LINDO!!!!!
Ai ai, nada como uma música assim passional pra fazer uma tal deliciosa algazarra nos bordéis dos nossos sentimentos, não?!
Muitíssimo obrigado, adorei, e claro, um golpe assim "baixo" não poderá ficar sem revide, pois afinal, como diz o velho testamento, olho por olho, paixão por paixão. A minha, ao contrário da sua, não é nova, mas antiga: O Estranho Mundo de Jack, filme de animação do Tim Burton, vc conhece?! Me diga logo, ok?! Saudações mil, do amigo,
M.
3 - Adorei uma valsa e um "bolerão" - se minha mulher souber, me mata - pois digo sempre que odeio boleros e ela os adora!
Obrigada e um grande beijo
M.
4 - No MSN:
- Recebeu o CD?
- Ainda não, mas viajei, vou perguntar ao porteiro.
- Tá, te espero...
- Chegou, estava na caixa do correio, vou ouvir...
...
- Não sei o que dizer e nem como agradecer essa maravilha. Quer saber? Vou desligar aqui e ouvir na sala! É MARAVILHOSO!!
L.
5 - Mô,
Se Deus não criasse você, ele próprio custava a crer... Amei querida, é lindo demais, obrigada.
R.
6 - Pelo telefone:
- Sabe quem está falando?
- Claro que sim!
- Ligo para dizer que estou ouvindo o CD e estou amando!
- Ouço daqui e fico feliz que você tenha gostado.
- Gostar é pouco, é lindo demais...
Beijão, querida.
M.
7 - Também pelo telefone:
- Cadê meu CD, sua %@*&%¨$?
- Não envolva a mamãe nessa história. Venha buscar. Quando der eu levo, ou quer que mande por Sedex, carísssima?
- Manda, p****!!
R., a A.
Fiz uma interpretação da letra, para que possamos entender um pouquinho do que Lorca quis dizer aqui.
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Romance de la Pena Negra
Federico García Lorca
Las piquetas de los gallos
cavan buscando la aurora,
cuando por el monte oscuro
baja Soledad Montoya.
Cobre amarillo, su carne,
huele a caballo y a sombra.
Yunques ahumados sus pechos,
gimen canciones redondas.
Soledad, ¿por quién preguntas
sin compaña y a estas horas?
Pregunte por quien pregunte,
dime: ¿a ti qué se te importa?
Vengo a buscar lo que busco,
mi alegría y mi persona.
Soledad de mis pesares,
caballo que se desboca,
al fin encuentra la mar
y se lo tragan las olas.
No me recuerdes el mar,
que la pena negra, brota
en las sierras de aceituna
bajo el rumor de las hojas.
¡Soledad, qué pena tienes!
¡Qué pena tan lastimosa!
Lloras zumo de limón
agrio de espera y de boca.
¡Qué pena tan grande! Corro
mi casa como una loca,
mis dos trenzas por el suelo,
de la cocina a la alcoba.
¡Qué pena! Me estoy poniendo
de azabache, cama y ropa.
¡Ay mis camisas de hilo!
¡Ay mis muslos de amapola!
Soledad: lava tu cuerpo
con agua de las alondras,
y deja tu corazón
en paz, Soledad Montoya.
Por abajo canta el río:
volante de cielo y hojas.
Con flores de calabaza,
la nueva luz se corona.
¡Oh pena de los gitanos!
Pena limpia y siempre sola.
¡Oh pena de cauce oculto
y madrugada remota!
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"Interpretação ":
O alvorecer com o canto dos galos cavam buscando a aurora,
Quando de um monte escuro, desce Soledad Montoya.
Sua carne em brasas cheira a cavalo e ao obscuro, ao recôndito.
A fumaça do ferro em fogo aperta seu peito,
gemem lamentos contidos nas redondilhas da canção:
"Soledad por quem perguntas,
desacompanhada e há essas horas?"
"Por quem quer que eu pergunte,
somente a mim importa.
Venho em busca do que quero,
minha alegria e a mim própria".
"Soledad dos meus pesares,
és um cavalo sem rédeas,
que por fim encontra o mar,
e é tragado pelas ondas".
"Não me recordes o mar,
que a pena negra brota,
nas serras de azeitona,
sob o murmúrio da folhas".
"Soledad que pena fazes,
pena tão lastimável!
Choras sumo de limão,
acre de espera e de boca".
"Quão infeliz sou,
corro para casa como uma louca,
minhas duas tranças ao solo (a tristeza)
que vão da cozinha à alcova.
Que pena sinto de mim mesma,
pena (negra) de azeviche, carne e roupa.
Ai, os fios de minhas camisolas e lençóis
mexem-se sós.
Minhas coxas, vermelhas como papoulas".
"Soledad lava seu corpo com a água das cotovias,
e deixa seu coração em paz, Soledad Montoya.
O rio canta abaixo:
sob o céu azul e as folhas.
Com flores de abóboras,
de uma nova luz se coroa.
Ah! que pena dos ciganos!
Pena pura e sempre só.
Pena de causa oculta
e madrugada remota.
Para escutar o poema nas vozes de "Carmen Feito Maeso y Francis", clique
aqui. E para escutar (e assistr) mais dramaticamente, na voz de Miguel Oscar Menassa, clique aqui.
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Monica às 3:15 PM
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Terça-feira, Julho 12, 2005
DELICIOSAMENTE MILTON...
Desde o ano passado, Milton insistiu comigo, para ir a FLIP.
Infelizmente não pude. O trabalho me levou à Brasília. Surgiu uma tristeza posterior, pois poderia ter adiado o tal compromisso, nem tão comprometido assim, e me mandado para Paraty.
Este ano não marquei nada e... FLIP, here we go! disse eu ao meu amigo.
Para meu total deleite assisti a palestras incríveis. E indescritíveis.
A homenagem a Clarice foi tocante. Chico falou no telão com a mesma doçura que um dia, coincidentemente, Clarice atribuiu a ele.
Gullar discorreu com mais seriedade.
Lígia Fagundes Teles, com saudade e bom humor.
Nas mesas, os palestrantes Benedito Nunes e Vilma Arêas falaram de Clarice com propriedade, enquanto que Marina Colassanti falou com o coração, deixando aflorar a ternura que outrora sentira, e claro, ainda sente pela imortal Clarice.
A argentina Beatriz Sarlo dividiu a mesa com Roberto Swartz.
Profunda conhecedora de Borges (escritor argentino), escreveu sobre ele e comentou que é com a literatura que tem uma relação mais intensa, tanto quanto com a cultura popular.
Ele, Swartz, estudou profundamente, e cita algumas vezes, o atualíssimo Machado de Assis.
Tive ímpetos de subir ao palco e colocar um pouco de creme nos cabelos desgrenhados de Beatriz. Coisa que durou exatamente um segundo, até que ela abrisse a boca e com olhos tristes e sensíveis e palavras precisas, deu início à palestra.
O divertido Anthony Bourdain "confidenciou" as loucuras das cozinhas de grandes restaurantes. Aconselhou qualquer candidato a chefe, qualquer aprendiz de cozinheiro, a lavar pratos por duas semanas em algum restaurante de porte. Seu "Cozinha Confidencial" é, há tempos, um grande sucesso.
MV Bill, Luis Eduardo Soares e Jabor, mediados por Miguel de Souza Tavares deram um show.
Com MV Bill chorei, com Luis Eduardo me encantei e com Jabor reatei o namoro, fiz as pazes. Andei implicada com ele, coisa passageira. Foi vaiado quando elogiou FHC (também elogio) e quando contava a história do PT.
Irritado colocou:
- Vocês são tão ignorantes (aos que vaiavam... alguns aplaudiam) que estou contando a trajetória de um partido e não enaltecendo-o. Ou vocês pensam que gosto desta bosta de governo? Pelo menos naquele tempo, ninguém enfiava dinheiro na cueca!
E finalizou "sobre" as vaias, lendo o início da reportagem que está hoje no Globo e que vale à pena ser lida:
A crise é uma oportunidade histórica
Estou fascinado por dois homens: Bob Jefferson e José Dirceu. Os dois se completam, se explicam e criaram o panorama do país de hoje. Pela "verdade" de Dirceu chegamos à mentira; pela mentira de Jeff, chegamos à verdade. A mentira de Jeff é verdadeira e a verdade de Dirceu é mentirosa. Dirceu chegou à corrupção pela revolução e o Jeff, através da corrupção, está fazendo uma revolução no Brasil.
Ele não é genial?
Como Jabor, estou também fascinada: por Paraty e por Milton.
Paraty, amiga de longa data, que adorei rever e lá viver esses dias.
Cidade mágica, onde as pessoas são incrivelmente simpáticas, a paisagem linda a comida deliciosa.
Será que tudo teria o mesmo sabor sem a companhia de Milton? me pergunto.
Gosto de repetir que pouco me engano com amigos virtuais. Quando os conheço pessoalmente é sempre deliciosamente bom.
Acontece que Milton superou qualquer expectativa com seu sorriso doce de menino, sua sagacidade e senso de humor.
Nem a chuva, nem o frio, me impediram de adorar cada minuto...
Ambos ( Milton e eu), tivemos a sorte de levar à tira colo, nossos encantadores chefs particulares...
Os cônjuges entendem do riscado e assim saboreamos a deliciosa culinária de Paraty. Outrossim, passaríamos a pastéis, cachaça e cerveja.
- Vocês dois, Cláudia e Milton, deixaram o que há de melhor nessa vida... SAUDADES!
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Monica às 1:36 PM
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Terça-feira, Julho 05, 2005
FLIP - PARATY
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
Esta é uma das últimas anotações DELA,
rabiscada em uma folha de papel...
Vou até LÁ,
ouvir um pouco mais sobre ela dos lábios DELE e DELE.
LITERATURA
O diretor teatral Naum Alves de Souza coordena homenagem à autora na 3ª edição da Flip em Parati, em julho.
Clarice Lispector ganha verbo na voz de Gullar e Chico Buarque.
(Continua)
Até à volta!
por
Monica às 2:19 PM
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VAI SERGINHO, VAI SERGINHO
Ah! Serginho tem sido uma figura fundamental em minha vida.
É cabeleireiro, dos melhores...
Transforma mulheres e é extremamente habilidoso com as tesouras.
Coisa difícil, inédita, Serginho faz o que a cliente quer. Cabeleireiros em geral se empolgam com tesouras. A gente vai cortar as pontas dos cabelos e sai "à la homem", como se dizia há anos atrás.
(Anos atrás... agridoce redundância... Há anos e pronto! Por que esse "atrás" que as pessoas insistem em dizer ou escrever? Não vejo fulana há anos, pronto! Está explicado).
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Serginho é meio mago; tem sentimento, aquela sensibilidade que falta a tantos profissionais.
Quantas vezes perguntei: - Corto hoje?
E ele responde: - Não!
- Tinjo hoje?
- Não.
- Hidrato hoje?
- Não.
Isto me faz lhe querer bem.
O bom caráter, em um mundo árido, onde pessoas exploram pessoas. Não o meu amigo Sérgio.
Claro que havia de ter um defeito: seu salão de beleza é do outro lado do mundo, e cada vez que vou até lá, penso em Júlio Verne e "Viagem ao Centro da Terra".
Mas tudo vale à pena!
Saio de lá mais feliz.
Com ele converso, troco Cds, idéias... Ouço suas histórias e ele, as minhas... É um amor, a verdade é esta.
Uma ocasião Serginho me "empurrou" coisas: hidratação, fazer os pés, as mãos, uma massagem.
- Vou usar um produto para tirar a oleosidade de seus cabelos.
Uma coisa gélida que eu agüentei firme e, por confiar tanto nele, fui deixando que fizesse o que quisesse.
Quando confio é assim; embora passasse pela mente resvalos de pensamentos de que "a dolorosa" seria dolorida aos meus bolsos.
Mas Serginho sempre foi coerente, boa gente.
Quando a sessão acabou, perguntei quanto devia e fui gentilmente empurrada para fora do salão.
- Minha querida, hoje é seu aniversário!
- Pelo amor de Deus, disse eu; aceito o corte, mas pago o resto.
-Tchau, pentelha. Parabéns e divirta-se! ele disse isto me abraçando apertado.
Aceitei a contra gosto, imaginando o prejuízo que dei aquele dia, mas sei também que ele fez a gentileza por prazer.
Mineiro de BH, meu amigo é uma nota, além de ser "alegrissímo", alguém duvida?
E assim convidei um dia, a dileta figura, para passar um fim de semana em meu sítio.
Chegou esfuziante, de bata preta e, soltava elogios carinhosos sobre a casa, a paisagem, os pássaros.
Gente "alegre" adoooooooora pássaros, já repararam?
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Tive um amigo "cabra macho", totalmente enrustido.
Um dia foi visitar umas tias idosas, para anunciar seu noivado que era uma mentira deslavada, mas necessária, porque as tias já estavam aborrecendo-o com a eterna cantilena de que ele estava em idade casadoira.
Já na sala (cujo "janelão" dava para o jardim) conversando, sem mais nem menos deixou escapar:
- Aiiiiiiiiiiiiiiiii, que passarinho lindo!!
Pronto! Bom Jesus no Norte, no ES, inteira comentava no dia seguinte que ele era gay.
As tias quase tiveram um colapso... e ele nunca mais foi visitá-las. Tudo por causa de um pássaro colorido.
Eu não estou nadinha preocupada com as preferências de Serginho, gosto dele como é... até a terceira caipirinha.
Obviamente que tem de ser de lima da Pérsia. Ninguém acha que ele haveria de se contentar com uma caipirinha de limão, coisa mequetrefe de bicha pão com ôvo.
Na-na-ni-na-não! Lima da Pérsia.
Tá bom, providenciei a lima.
De repente e não mais que de repente, olho pra Serginho que estava paralisado, catatônico, "absurdado".
Teria sido a caipirinha? Um novo "modelo" de pássaro, meu "modelito" campestre, o super-homem?
Não! Ele estava estarrecido com os cabelos da caseira.
- Ela tem os cabelos lindos, que comprimento indecente é esse? Vou cortá-los já!
Evangélica praticante, Francisleide usa saias até os tornozelos e não corta os cabelos há anos... trançados, batem na bunda.
- Calma Serginho, ela é religiosa, não corta os cabelos...
- Ah! Mas hoje ela cortaaaaaaaaa! Me dê uma tesouraaaaaaaa.
- Pára quieto, homem! disse eu.
- Hahaha, homem é ótimo! Paro nada... ela vai cortar estes cabelos. São lindos, têm um brilho fabuloso, mas o comprimento está indecente!
- Nem tesoura tenho aqui... fica quietinho aí, vou te dar outra caipirinha.
Quem sabe assim, ele cairia no sono, mudaria a "leitura" que vinha fazendo dos cabelos da moça, desmaiaria, qualquer coisa.
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E foi nesse ínterim que ouvi uns gritinhos:
- Senhor, me ajude. Sangue de Jesus tem poder, e coisas assim.
Ela corria e ele atrás com uma tesoura de podar arbustos, dizendo:
- Amigaaa, você não me escapa. Vou deixar seus cabelos super "fashion", na altura dos ombros! Você vai fazer o maiorrrrrr sucesso na cidade!
Vai Serginho... Vai Serginho!
por
Monica às 12:03 AM
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