Quinta-feira, Março 30, 2006
MAU HUMOR
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Tenho uma certa simpatia por pessoas mal humoradas. Elas costumam ser engraçadas durante os ataques e me divirto. Procuro jamais perder o senso de humor, mas mau humor ataca e tem gente especialista em provocá-lo.
Alguém conhece "delícia" maior que telemarketing? - Posso "estar ligando mais tarde"?
Irritadíssima respondo: - Não vou "estar estando"! Acabo com nossa língua portuguesa de uma vez para que a "coisa" do outro lado perceba o ridículo do seu linguajar.
E gente pedindo ajuda para entidades carentes? Já recebi em uma só manhã (contei), mais de dez telefonemas.
Como essas pessoas são delicadas e bem humoradas... Só faltam perguntar como vai nosso cachorrinho.
Hoje, escolada, já reconheço o fatídico: - "Alôoouuu"!! Como vai a senhora?
- Péssima, minha filha. Precisando muito de dinheiro. Gostaria de que você me ajudasse nessa empreitada, podemos dividir os lucros.
Conto umas três desgraças e arremato dizendo: - Você é tão simpática, pede tão bonitinho, peça por mim, o Senhor vai te recompensar e eu serei eternamente grata.
Elas desligam na mesma hora.
Tem coisa mais chata do que gente com vício de linguagem, tipo assim, que te conta um caso, tipo assim, e continua, tipo assim.
Ah, *&^%$#.
Venho dizendo um monte de coisas até aqui.
Viver um dia por vez, crescer, perdoar, aceitar, mas não sou livrinho "Gotas de Otimismo" não, tudo lindo, todo dia. Tenho lá meus preconceitos, sei que são. Acontece que não tem coisa mais chata do que aquela conhecida que dá três beijinhos. Pra que isso?
E gente desconhecida que te conta a vida? Existe algo pior? Eu costumo atrair esse tipo. Elas se aproximam e começam a contar detalhes da vida íntima.
Outro dia, uma dessas, em uma reunião social, veio se chegando... A senhora devia ter uns quarenta anos, vestia-se como se tivesse vinte, falava como se tivesse quinze e fungava o tempo todo. Devia padecer de algum tipo de rinite alérgica, coisa mais irritante, e começou: - Sabe, "benhê" (aliás ser chamada de "bem" me irrita muito) acho que meu marido está tendo um caso com a empregada. Já percebi que ela anda roubando e ele nem liga, diz que ela rouba pouco, que isso faz parte de lucros e "percas".
Contou que levou a escultural serviçal ( sim porque a "anta" contratou uma morena de fazer qualquer homem babar) e descreveu o biquíni da mocinha: Duas pedras nas laterais no minúsculo fio dental.
- Tá cega? Despede a moça, paga todos os direitos e pronto.
- Ah, "benhê", meu marido me mata.
- Então você merece...
Meu ouvido deve ser penico, não é possível!
E homem careca, que se acha galante, te paquera e usa cabelo pedindo emprestado? Aquele repartido que vem da orelha, pretende esconder a careca com parcos fios de cabelo e ainda usam gel!
Ah, %$^&*$#.
Nada pode me irritar mais.
Tenho implicância mortal com gente que fala absolutamente tudo no diminutivo. Reparem que coisa mais chata e isso existe!
- Hoje vou fazer uma comidinha naturebinha que você vai achar uma delicinha.
Ah, *^&%%#.
Hoje quem está chata sou eu, tenho direito, nada me impede. Vou pegar um livro excelente de auto-ajuda que tenho aqui, rever alguns capítulos, reler, meditar e depois volto.
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Monica às 12:07 PM
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Quarta-feira, Março 15, 2006
ADORÁVEL VAI A FLORENÇA
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Ela estava excitadíssima: ir pra Itália, um grande sonho!
Cá pra nós, acho que ela queria mesmo era comer bem, tomar vinho e principalmente conferir as dimensões de David.
Desde que lera sobre a celebração dos 500 anos de David de Michelangelo em 2004, ela estava doidinha para vê-lo ao vivo.
Restauradores acabaram chegando a um consenso na época. David sofreria uma limpeza úmida, com compressas impregnadas de água destilada aplicadas sobre o mármore durante períodos de 15 a 20 minutos.
E alguém acha que Adorável estaria preocupada em ver se o "cabra" tava limpinho?
Nãoooooooo, ela lera em algum almanaque de quinta categoria, que senhoras florentinas fizeram um abaixo assinado para o alongamento do pênis de David. Queria conferir o tamanho, já que em livros de arte, o berimbau de David parece pequeno, encolhido, como se acabasse de sair de um banho frio, sem, no entanto estar enrugado.
Culta e bem informada leu na época, na Folha de SP, que Nana Caymme disse a Gal no camarim do Canecão:
"-Estão arregimentando o p** do David em Firenzi!"
Ficou doidinha!
Desembarcamos em Milão. Meu marido mandou um motorista de táxi nos buscar.
Já achei o cara meio íntimo, só faltou dar dois beijinhos e eu ( com medo da Adorável), estiquei o braço.
Sim, porque ela pode ficar doida para ver o p** do David, mas eu não posso conversar com nenhum homem.
Alguém se lembra quando ela se encantou com um professor, amigo nosso, em Nova York, bebeu dois manhatans, levantou-se e cantou "Put the Blame on Mame boy" à la Gilda, em pleno Rainbow Room? E eu não podia trocar duas palavras com o charmoso concièrge do hotel?
Bom, voltando ao taxista, Adorável se assustou, confesso que eu também, com a desordem do carro do fulano.
O carro tinha sapatos de criança, cadeirinha, jornais espalhados, revistas, roupas...
Perguntei se poderia sentar na frente, tamanha era a quantidade de coisas no banco de trás, e Adorável não haveria de querer ir mal acomodada.
- Cara porco! Isso é jeito de se conservar um táxi? E você... como sempre uma oferecida. Onde já se viu sentar na frente com o taxista?
Lancei um sorriso amarelo e disse que fazia aquilo para que ela viajasse mais confortavelmente.
Ao chegarmos no Hotel, e a viagem pareceu-me eterna com Adorável a reclamar de tudo, o rapaz disse:
- Nos vemos no jantar?
- Tá vendo, louca?! Agora quero ver você sair dessa! Sentou-se na frente, conhece os italianos, o cara está te convidando para jantar!!
Falávamos com ele em inglês, porque italiano faço uma mistura de espanhol e português, acho que estou arrasando e me torno, muito provavelmente, incompreensível.
Respondi a pergunta do jantar com outra. - Meu marido já acertou a corrida?
Ele meio abestalhado respondeu:
- Vamos jantar juntos essa noite, meu pai, eu e vocês, estarei aqui às 7.
Sorri com cara de idiota e descobri rapidamente que o taxista era filho do rei do aço em Milão. Foi casado com brasileira e entendeu absolutamente tudo que Adorável disse.
E o David?
Essa fica pra quando chegarmos em Firenze...
P.S.: Essa vida é cheia de sincronismos. Principalmente com aqueles de quem gostamos.
Um dia, Milton Ribeiro disse:
- Se você disser que não vai mais escrever sobre suas viagens com sua Adorável irmã, vou dizer: que merda!
Portanto, dedico à você, Milton, este post singelo, quase que no mesmo momento em que você me dedicou o seu.
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Monica às 1:10 PM
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Quarta-feira, Março 08, 2006
NÃO TENTEM NOS ENTENDER. APENAS NOS AMEM!
Rosana Braga*
Mais uma vez é o nosso dia. "Dia Internacional da Mulher". O nome é amplo, à altura da imensidão do feminino. Mas o que me incomoda mesmo é a tal alegação impiedosa e limitada sobre nós: "é impossível satisfazer as mulheres!".
Vou aproveitar o ensejo para discordar, veementemente. Por mais que já tenha refletido sobre esta aparente insatisfação das mulheres, por mais que já tenha observado os meus próprios paradoxos e até admita que nem nós mesmas conseguimos nos entender, muitas vezes, tenho de tentar esclarecer: satisfazer-nos é possível!
Queremos e podemos ser satisfeitas e isso é mais fácil do que tem acreditado alguns homens. E quanto a nos entender, pra que? Desistam desta idéia. Não nos entendam, não tentem traduzir nossas contradições ou fazer contas pra saber se hoje estaremos ou não de bom-humor.
Basta que nos olhem com determinação e nos façam um elogio como quem sente a nossa alma. Adentre em nosso corpo como quem busca nossos sonhos, e depois nos seduza daquele jeito que vocês tão bem sabem fazer... e nos sentiremos desejadas; toda a satisfação terá nos invadido.
Mulher deseja ser amada e não ser entendida. Deseja ter a sensação de que, dentre tantas outras, é única. Creio que o autor que mais se aproximou da alma feminina tenha sido Saint Exupéry, talvez despretensiosamente, enquanto escrevia "O Pequeno Príncipe".
Quem já leu, certamente vai se lembrar da rosa, tal qual um coração de mulher...
"- Ah! Eu acabo de despertar. Desculpa. Estou ainda toda despenteada.
O principezinho, então, não pôde conter o seu espanto:
- Como és bonita!
- Não é? Respondeu a flor docemente. Nasci ao mesmo tempo em que o sol...
- O principezinho percebeu logo que a flor não era modesta. Mas era tão comovente!
- Creio que é hora do almoço, acrescentou ela.
Tu poderias cuidar de mim?" ...
E a convivência entre eles foi intrigando o Pequeno Príncipe:
"É bem complicada essa flor..." pensava ele.
Mas quando saiu de seu Planeta em busca de respostas sobre a vida e o amor, um dia confessou ao amigo, na Terra:
"- Não a devia ter escutado. Não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar seu perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. ... Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelo atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava... Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar."
Depois de se decepcionar por descobrir tantas rosas iguais àquela que deixara em seu planeta, acreditando ser a única em todo o Universo, ele aprendeu sobre cativar: "se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol".
E mais do que aprender a amá-la, ele aprendeu que uma flor, assim como uma mulher, pode ser única, ainda que existam milhares iguais a ela. E, então, diante de um jardim, amou enfim a sua flor:
"- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. ... Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que matei as larvas. Foi a ela que escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa".
Por isso, não leve tão a sério o que dizemos. Mais do que nossas queixas e complicações, é o que fazemos que nos torna merecedoras do seu amor...
*Rosana Braga
Jornalista, Escritora e Consultora em relacionamentos afetivos.
rosanabraga@rosanabraga.com.br
por
Monica às 8:27 AM
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REFLEXÃO
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O QUE NÃO SE FAZ POR AMOR OU PRAZER...
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Monica às 12:02 PM
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