Quinta-feira, Abril 27, 2006
OSVALDO LACERDA
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Jornal Opção, em 23/04.
O herdeiro de Villa-Lobos
O papa do nacionalismo
Compositor paulista é o último grande nome do nacionalismo musical
JOSÉ MARIA E SILVA
O paulista Osvaldo Lacerda talvez seja o maior compositor brasileiro vivo. Essa afirmação pode não agradar os músicos de vanguarda, que talvez prefiram citar o pernabucano Marlos Nobre como maior expoente vivo da música erudita brasileira. Mas, aos 79 anos, Osvaldo Lacerda é o principal herdeiro do nacionalismo de Heitor Villa-Lobos, que elevou a música erudita brasileira à altura das grandes salas de concerto do mundo. Discípulo fiel de Camargo Guarnieri, outro expoente do nacionalismo musical, Osvaldo Lacerda compôs algumas das peças mais importantes do repertório da música erudita brasileira, como a obra-prima Oito Variações sobre um Tema Popular Brasileiro para Violino e Piano e a Suíte para Xilofone e Piano. De sua obra pianística, destacam-se 15 Variações sobre Mulher Rendeira (1953), Dois Ponteios (1955 e 1956), Série na Clave do Sol e Doze Estudos para Piano Solo (1960/1976).
Osvaldo Lacerda nasceu na cidade de São Paulo em 27 de março de 1927. Sua mãe, Júlia Costa de Lacerda, era pianista e cantora lírica. "Dela veio toda a minha vocação musical", conta o compositor. A conselho do pai, o advogado Renato Marcondes de Lacerda, o músico também cursou direito na Universidade de São Paulo, mas nunca exerceu a advocacia. Decidido a ser músico profissional, começou a estudar piano com o russo José Kliass, que veio para o Brasil fugindo da Revolução Russa. Decidido a ser compositor, pois já vinha escrevendo música autodidaticamente, Osvaldo Lacerda foi aceito como aluno do exigente Camargo Guarnieri, a quem, segundo ele, deve "99 por cento de toda a sua formação musical".
Na Semana Santa, Osvaldo Lacerda esteve em Goiânia, quando foi homenageado pelo Centro de Educação Profissional em Artes Basileu Toledo França, da Secretaria Estadual de Educação. Também esteve na cidade de Goiás, onde sua mulher, a pianista Eudoxia de Barros, apresentou-se em um concerto com um repertório de clássicos da música universal e brasileira. Na quarta-feira, 12, depois da homenagem e da palestra que proferiu na Escola de Música da UFG, Osvaldo Lacerda conversou com a reportagem do Jornal Opção, acompanhado do médico e compositor Fernando Cupertino (secretário estadual de Saúde) que se tornou seu aluno de composição por recomendação da pianista Belkiss Carneiro de Mendonça. Polêmico, Osvaldo Lacerda - nesta entrevista que será publicada em duas partes - não poupa o jazz nem as vanguardas e diz, sem meias palavras, o que pensa do rock.
Vamos começar falando um pouco sobre sua formação. A mãe do senhor era pianista. E isso parece ter influenciado sua vocação para a música. Como foi a iniciação do senhor na música?
As minhas primeiras impressões musicais datam de quando eu tinha mais ou menos três ou quatro anos de idade, quando, sentado no chão, ouvia minha mãe tocando piano. Ela tocava muitas peças de Chopin e, principalmente, as Canções Sem Palavras, de Mendelssohn, e aquilo me causou uma impressão muito forte, como se estivesse descobrindo alguma coisa já conhecida. Até hoje, eu me lembro muito vivamente desse começo. A família da minha mãe, a família Costa, era muito musical. Tanto minha mãe como suas três irmãs tinham estudado piano e freqüentavam concertos de música erudita, óperas, que tinham um movimento muito bom em São Paulo. Foi assim que, pouco a pouco, fui entrando na música. Até que, por volta dos nove anos de idade, pedi para estudar piano. Conseguiram uma professora, muito boa, com quem comecei o estudo. Aconteceu, então, um fato muito curioso. Quando eu tinha já me adiantado um pouco na técnica, essa professora me disse: "Que música você gostaria de aprender?" Na mesma hora, respondi: "A Marcha Turca", de Mozart, que faz parte de uma sonata belíssima em lá maior. Assim, muito espontaneamente, revelei a minha preferência - que tenho até hoje - por Mozart, que considero o maior gênio da música. Mozart sempre me serviu de ideal de como escrever música transparente, bonita e bem feita. Um ideal difícil de atingir, mas que, pelo menos, me serve de guia, de farol.
O pai do senhor, que era advogado, não queria que o senhor seguisse a carreira musical. Preferia que o senhor fosse advogado. Como foi isso?
Na verdade, meu pai gostava de música, música boa. E tinha uma especial preferência por operetas, um gênero muito agradável, que deveria ser ressuscitado. Embora seja um gênero não muito profundo, a opereta tem um astral muito alto e o público sempre sai contente do espetáculo. Havia um movimento musical muito intenso naquele tempo, da década de 1920 até 1950, mais ou menos. Vinham muitas companhias de operetas estrangeiras: francesas, alemãs, italianas, portuguesas. Havia até mesmo companhias brasileiras. Meu pai freqüentava assiduamente esses espetáculos junto com a minha mãe, dos quais eu participei de alguns, ainda em criança. Meu pai não se opunha que eu fosse um músico profissional. Ele me apoiava. Mas ele sabia que a vida de músico é uma vida dura. Hoje em dia, talvez seja mais provável uma vida não tão dura como há anos atrás. Mas naquele tempo era difícil. Então, ele insistiu muito para que eu estudasse direito. Acabei entrando na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Confesso que a contragosto, porque o curso de direito me tomava o tempo da composição. Mas reconheço que o meu pai tinha razão: estudar direito sempre alarga os horizontes intelectuais da gente.
...
Como o senhor avalia o espaço da música erudita no Brasil de hoje? Ele é maior ou menor do que no passado?
Ao contrário do que esses nefandos políticos populistas pensam e praticam, o nosso povo gosta de música erudita. Sei por experiência própria e por intermédio da minha mulher, a grande pianista Eudoxia de Barros, que percorre esse Brasil todo levando a música erudita e também um pouco de música da boa música popular brasileira, que eu preferiria chamar de semi-erudita. A música de um Ernesto Nazaré, de um Zequinha de Abreu, de uma Chiquinha Gonzaga, é popular no sentido amplo do termo, mas, tecnicamente e também pela inspiração e pela arte, está muito acima do popular comum. Por isso, prefiro chamá-la de semi-erudita. Eudoxia, como ela mesmo diz, procura levar um programa que agrade a gregos e troianos, mas dando ênfase, é claro, na música erudita nacional e internacional. Pois bem, em qualquer parte do Brasil que ela se apresenta, é muito bem recebida e os ouvintes pedem mais. Não tenho dúvida, pela minha experiência, que o nosso público tem muita simpatia pela música erudita, o que falta é levar até eles a boa música. Dou um exemplo prático: certa vez, Eudoxia incluiu num programa que ia apresentar a Sonata em Fá Menor, Opus 5, de Brahms, que é uma peça extremamente bonita, mas que leva, nada mais, nada menos, do que 35 minutos. Eu disse: "Eudoxia, tome cuidado, você está abusando um pouco. É muito tempo para uma peça só. O público pode se cansar". Ela disse: "Mas é muito bonita e eu sei que eles vão gostar". Ela tinha razão: o sucesso foi fantástico, mesmo em lugares onde o público nunca tinha ouvido um concerto de música erudita. As pessoas ficaram quietinhas, ouvindo essa música do princípio ao fim, saboreando e pedindo mais. O que existe é um preconceito muito errado de que o grande público não gosta de música erudita. Deveria ser uma obrigação do governo levar até o povo a música erudita. Mas esse atual governo é um desastre em tudo, inclusive na parte da cultura e da boa música também.
O senhor não está gostando do trabalho de Gilberto Gil no Ministério da Cultura?
Não. Ele não tem condições de fazer um bom trabalho pela boa música. É uma nomeação totalmente errada. Ele pode ser boa pessoa, pode ser bom cantor, mas na faixa popular. E estamos falando de música artística. Mas, para mostrar a você que não estou totalmente longe da boa música popular, tenho predileção por Paulinho da Viola, gosto do começo da carreira daquela baiana do axé, Daniela Mercury, e também gosto muito do Zeca Pagodinho. Aquele é um sambista autêntico.
Não deixe de ler a entrevista completa aqui e no domingo, 30/05, a segunda parte, no próprio Jornal Opção, na seção Suplementos - "Opção Cultural".
Que ele é um dos maiores compositores vivos, nunca tive dúvidas. É marido de minha tia; o casal é excepcional: Eudóxia de Barros e Osvaldo Lacerda.
Conversamos uma tarde dessas e ele falou sobre Mário de Andrade, contou estórias.
Foi uma tarde muito prazeirosa, regada a sucos deliciosos e salgadinhos diversos. Adorável se fartou (com os salgadinhos e sucos, claro)...
O que jamais imaginei - Greta Garbo..quem diria... - é que o grande Osvaldo se agrada de nada mais nada menos que Zeca Pagodinho. "Um autêntico sambista" - também penso assim...
Pra quem não conhece é só procurar Osvaldo no Google.
Pra quem odeia Zeca, sugiro que ouçam com mais atenção.
Mas gosto é gosto! Como futebol...
por
Monica às 11:28 AM
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Terça-feira, Abril 18, 2006
RECOMEÇO
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Je m'apaise maintenant.
Du passé le chemin qui m'a portée jusqu'ici.
Dans la mémoire les fondations. Fer, moulage. Voilá la maison érigée.
Il arrive un jour l'heure de la finition.
Je veux choisir la couleur des encres qui illumineront les murs.
Le palier sur lequel je me maintiendrai debout...
Je formerai une vertueuse pelouse et creuserai le trou où je planterai un joli "Oiseau du Paradis". Le vertueux arbre qui enchantera mon regard..
Je ne suis pas un navire guerroyant saignant la mer, mais elle le sent.
Elle est féroce, m'invite à la bataille. Je la blesse, je la déchire.
La tempête est en train de se former... Des foudres et des tonnerres rayent le ciel gris.
L'âge m'appris que le soleil saura s'imposer toujours, apportant un jour le coloris crépuscule à la mer.
Pas si loin toutfois...
J'aime la mer. Elle m'apporté la beauté, a colorié des voyages, m'a enseigné à nager.
Aujourd'hui mon désir c'est d'abandonner ses vagues et marcher sur terre ferme.
C'est tout...
J'avoue néonmoins le désir pour la liberté.
Aquieto-me agora.
Do passado a trajetória que me trouxe até aqui.
Na memória os alicerces. Ferro, fundição. Está erguida a casa.
Chega um dia a hora do acabamento. Quero escolher a cor das tintas que iluminarão as paredes. O piso em que me manterei de pé.
Formarei um virtuoso gramado e cavarei o buraco onde plantarei uma linda "Pau Ferro". A virtuosa árvore que encanta meu olhar.
Não sou um navio guerreiro sangrando o mar, mas ele sente. Está bravo, convida-me à luta. Machuco-o, dilacero-o.
A tempestade está se formando. Relâmpagos e trovões riscam o céu acinzentado.
A idade me ensinou que o sol saberá se impor novamente, trazendo um dia o colorido crepúsculo ao mar.
Nem tão longe assim...
Amo o mar. Ele me deu beleza, coloriu viagens, ensinou-me a nadar.
Hoje desejo abandonar suas ondas e caminhar por terra firme.
É só isso...
Confesso porém, que desejo a liberdade.
por
Monica às 11:34 AM
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Quarta-feira, Abril 05, 2006
NAUGHTY BOY
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Quando minha filha mais nova foi morar na Nova Zelândia, aprendi a ligar essa máquina doida e "viciante".
Sempre tive pavor a apertar botões, não gosto de ligar nada. DVDs, micro-ondas, máquinas de lavar; até para trocar de canal da TV demoro e troco devagar. Presto atenção no que está passando, analiso. Não gosto de zapear e não gosto de quem zapeia.
Maridos costumam ter o controle vitalício do objeto de desejo deles: o controle-remoto.
Bom, falava eu do pavor que tinha a computadores e olhava para quem vivia conectada com um certo preconceito.
Zapear, zapeia... inventei um verbo? Não, já foi inventado. A língua muda, assim como nós também mudamos no decorrer da vida.
A filha querida foi morar tão longe, os fusos horários tão complicados. A melhor alternativa, era mesmo conversar aqui, nessa máquina do diabo, quem diria.
Aprendi, me viro quase que bem, até conserto essa droga, hoje em dia.
Ainda continuo meio mal humorada, né não?
Faz mal, mau humor também é bom, faz parte da vida.
Sempre gostei do Paulo Francis, gosto do chato do Mainardi (apesar de que ele anda com um penteado medonho, do tipo pão amanhecido) e às vezes, dependendo do meu humor, tolero a pentelha da Young.
Achava o mau humor do Nelson Piquet engraçado e simpatizo com o temperamento irritado, a fama de sem educação de Russel Crowe.
Finalmente cheguei onde queria: Nova Zelândia...
Minha filha foi morar na casa de uma tia dele. E a tia gabava-se o tempo todo de ser aparentada com o ator.
A senhora não poderia ser mais chata. Também, o que se pode esperar de uma criatura que ama apaixonadamente dois cães chihuahuas branquinhos e de laçarotes na cabeça?
Sendo que o macho era companheiro fiel da dona, c o m p a n h e i r o mesmo! Eu vi com meus olhinhos, o bicho se chegando, se chagando e a senhora, rubra, falava com o "filhinho":
- Joey, darling, stop it!
- Don't be naughty with mamy. I am not going do give you bisquits later.
- We have guests today; behave yourself, dear.
*&^%$##%$.
Fiquei horrorizada, mas fora isto, ela era apenas chata, nem mal humorada era. Talvez solitária, quem sabe?!
Prefiro mau humor do sobrinho, e pelo que sei, faz jus à fama:
Crowe causa polêmica ao fumar durante show de sua banda
WELLINGTON (Reuters) - O ator Russell Crowe provocou irritação em sua cidade natal na Nova Zelândia após fumar durante uma apresentação de sua banda "The Ordinary Fear of God".
Autoridades de saúde da Nova Zelândia investigam se Crowe violou leis de proibição do fumo em locais de shows, informou a edição desta segunda-feira do The New Zealand Herald.
Crowe, que nasceu em Wellington e vive atualmente na Austrália, fumou alguns cigarros e bebeu o que aparentava ser uma garrafa de vinho do Porto durante um show no sábado, disse a imprensa local.
"Eu o vi fumando, mas ele estava fazendo isso muito discretamente", afirmou o promotor do ator, Brent Ecdles, ao Herald.
O local onde a apresentação foi realizada pode ser multado se autoridades concluírem que houve violação de leis antifumo.
A performance de Crowe foi um sucesso de público, que não pareceu preocupado com a questão do fumo, afirmou o jornal The Dominion Post. Mas o crítico do jornal chamou a apresentação do ator de "atordoantemente medíocre" e disse que suas músicas eram "próximas do vergonhoso".
Crowe é vencedor do Oscar de melhor ator pelo filme "Gladiador".
( Por Michael Perry)
Não conheço o trabalho musical de Russel, mas li boas críticas. Toca com esssa banda há anos.
É bom ator, indiscutivelmente.
Quanto às regras?
Bahhhhhhhh, quem não as quebra?
Talvez os chatos...
Katherine Hepburn já dizia: "Se você obedece todas as regras, perde toda a diversão".
por
Monica às 10:11 AM
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